Olá, leitores de plantão! Tudo bem?

Meu nome é Thaís Araújo e gostaria de conversar com vocês um pouquinho sobre o meu livro disponível no Wattpad, Renegados. É uma distopia ambientada no Brasil, no futuro, onde a narração acontece intercalando com os dois personagens principais: Daniel e Mariane.

Minha primeira distopia, mas que está me dando muita alegria com mais de 7 mil visualizações e ótimas colocações no ranking de ficção científica. Com temáticas como aventura, suspense, romance e muita ação, Renegados é o primeiro volume de uma duologia. Espero que possam se identificar com a história, confira o book trailer acima e o primeiro capítulo narrado pelo Daniel:


     Colônia Vila América – Brasil

     Região Leste

Só mais um pouco…vamos lá…

O cervo não estava tão longe, talvez uns seis metros. O problema era a árvore bem na frente da minha mira, dificultando minha pontaria no animal.

— Vamos lá… vamos lá… — Jogo uma pedra um pouco distante, não querendo muito barulho para espantá — lo, apenas o bastante para fazê-lo se deslocar um pouco mais para a esquerda. — Isso. -Falo baixo, mania minha. Falar em voz alta não me deixa tão aflito.

O constante medo do perigo, medo de errar e demorar mais tempo fora do abrigo, medo de viver assim para sempre. Medo.

Ajeito a posição da flecha, com cuidado um pouco mais para cima e… Alvo.

Não me preocupo mais com o barulho causado pelos meus passos na floresta e vou até o cervo caído. O clima estava ameno nessa parte da Região, a floresta conseguia nos deixar mais relaxados quanto ao calor infernal que frequentemente passamos. O ar puro, os pequenos grunhidos de animais e insetos, a falsa sensação de liberdade era boa ali. Porém, eu não podia me dar ao luxo de demorar longe do abrigo, apesar de tudo.

Quase ninguém entra nessas áreas, então aqui não preciso me preocupar se alguém vai me ver ou não. Apenas os caçadores da região vêm à procura de alimento ilegal. Como eu.

Quando digo ilegal é porque sim: não é permitido matar animais da floresta da Região Leste. Nós só podemos comercializar gado e pesca na Vila América.

Retiro a flecha entre a mancha de sangue e percebo que de perto, como sempre, o animal é ainda maior do que imaginava. Nunca me acostumo, me causa angústia ter que atingir um cervo em paz em seu habitat para que eu não morra de fome. Os olhos grandes e brilhantes, como duas azeitonas escuras. O focinho ainda molhado. Apesar disso, seguro com firmeza seu peso e o jogo em meus ombros, sentindo as costumeiras dores.

Praticamente um ano nesse ritual: Caçar na floresta, fugir dos militantes, me esconder no abrigo. Meus músculos cresceram consideravelmente nesse período, mas uma boa dose de dores vem acompanhando meu desenvolvimento. Nas costas, nas pernas… e a imagem dela de repente me vem em mente. Sempre.

Reviro os olhos cansado, respiração ofegante.

O animal era mesmo grande e pesado, eu parecia fora de forma. Contorno as duas árvores de troncos largos e pouco arbusto, chegando na porta escondida. Folhagens cobrindo a fechadura, ninguém nas laterais. Dou as quatro pisadas fortes no ferro da porta — nosso sinal — e em instantes, alguém a abre lá de baixo. Marta.

— Opa, chegou o almoço. — Ela diz, quando passo pela pequena abertura, me esquivando com o cervo morto e em seguida descendo as escadas.

Marta é a mais nova de nós, completara dezoito há poucas semanas. Com os cabelos curtinhos a deixando com ar de decidida, possui sardas nas maçãs do rosto e olhos castanhos claros de incremento.

— Não fale assim, se não vou pensar que está me confundindo. -Sorrio para ela, que consegue sorrir de volta, fechando a porta com um estrondo exagerado.

— Sorte sua que não sou carnívora, caso contrário você cairia como um bom petisco.

— Sorte minha. — Devolvo me esquecendo de sorrir, agora jogando o animal na mesa que chamo de mesa da tortura. A cozinha improvisada de Abgail.

O abrigo era uma espécie de porão improvisado para seis pessoas. Camas sem conforto, peças de roupas aos nossos pés ali mesmo e um banheiro sem muitas condições. A mesa que citei é onde Abgail desnuda os animais que caçamos, com sua faca preferida. Cada um tem no máximo duas, por luxo três peças de roupas e nada mais de objeto pessoal. Tenho meu arco e flecha, pois foi duro consegui-lo.

Juliana, Luciana e Caio estavam deitados no canto do cômodo, próximos a suas camas. Abgail logo se levanta e vem me cumprimentar com um aceno simpático, apesar de sua costumeira expressão séria. Ela tinha provavelmente vinte anos, quase um ano a mais que eu, entretanto, eu daria mais idade a ela por sua postura e personalidade.

— Obrigada, Daniel. Bom trabalho. — Ela diz, analisando o cervo enquanto jogo para debaixo de minha cama o arco com a aljava e algumas flechas. Em seguida me deitando na cama dura, que todo dia digo a mim mesmo ser confortável. Não tínhamos escolha. — Luciana, amanhã é sua vez lá fora!

Olho rapidamente conseguindo observar a carranca de Luciana Faro, ela odeia caçar. Juliana tenta distraí-la em seguida, puxando outro assunto. Não sei de onde garotas puxam tanta conversa uma com a outra.

Prestando atenção na conversa das duas, acabo dormindo.

***

          A farda estava apertada em mim, mas servia.

Eu me sentia sem ar, mas com o tempo ia me acostumando a sensação de claustrofobia. Fazia parte da vida de militante.

Posiciono a pistola em seu lugar em meu uniforme com cuidado, aquilo era grande e me incomodava o pensamento de acertar o próprio pé por descuido. Me encaminho para o corredor largo e iluminado do Regente, seguindo os outros militantes na fila única até o Departamento S.

Silêncio, apenas nossos passos sussurrando em nossos ouvidos atentos. Á nossa frente um militante mais velho, aproximadamente quarenta anos, nos entregava a dose. Dois comprimidos: um azul e o outro amarelo. Pílulas com um copo d’água para cada um de nós.

Era a minha primeira vez ali, para a dose mensal dos militantes. Como civil de Vila América recebemos uma pílula por mês, para nos protegerem de doenças. E pelo o que nos explicaram ontem, em nosso primeiro dia no Regente depois de aceitos para a Militância, os militantes recebem dois para nosso melhor desenvolvimento físico e psicológico.

— Senhor Albuquerque. — Ele me encontra na fixa de inspeção e me entrega as pílulas com a água. — Os dois de uma única vez, por favor.

— Sim, senhor. — Digo com a costumeira educação militante e respiro fundo levando a água aos meus lábios, para ajudar na descida dos comprimidos sem gosto.

— Obrigado. Próximo. — O militante diz, e em seguida me dirijo para o fim do corredor repleto de lâmpadas.

Eu teria que me acostumar. Fiz dezoito anos, me alistei e entrei para a Militância para servir a Colônia Vila América. Eu seria leal, ajudaria as pessoas e protegeria nossa Colônia. Eu…

De início meus olhos lacrimejam instantaneamente, em seguida sinto uma leve pontada na cabeça como se algo estivesse errado. Seja lá o que a dose fará comigo, já havia começado.

— Daniel? — Procuro o dono da voz sem sucesso. — Daniel?! — Agora mais forte, acordo erguendo meu corpo da cama, me deparando com Caio curioso ao meu lado. — Tudo ok? — Pergunta, enquanto franzo o cenho a procura dela… Ela.

— O de sempre. — Resmungo, esfregando os olhos e caindo na real.

— Sonhou com a garota? — Me pergunta animado, esse assunto parece ser uma ótima distração para meu camarada também ex-militante.

— Não com ela, mas era como se… Que algo tinha relação a ela. — Conto, me sentando direito na cama quebrada.

Todos aqui passam por algo parecido.

Somos fugitivos da lei de Vila América. Ex-militantes escondidos na Região Leste, a mais pobre da Colônia. Tentamos sobreviver com caça, furtos perigosos entre militantes de vigia. Nos unimos nesse abrigo com a confiança no que passamos, precisamos sobreviver nesse sistema.

Fazendo parte da Militância, somos obrigados a tomar a dose mensal dos militantes, como eu lembrava em meu sonho. Ultimamente só sonho com o que vivenciei, memórias nebulosas que aos poucos estão voltando. As doses nos faziam esquecer, sempre nos fez e nem notávamos. Ninguém notava. Ao mesmo tempo que esquecíamos coisas importantes de nossa antiga vida, para nos tornarmos soldados ideais para Vila América, as doses nos alteravam. Nos dava mais força nos combates, agilidade e concentração. Éramos pessoas completamente diferentes, sem emoção, sem memórias, apenas lutadores para servir a Colônia. E quanto mais doses tomávamos, mas distantes de quem éramos ficávamos.

Todos nós, os que fugiram das garras da Militância, temos esses momentos em que revivemos nossas memórias por sonhos ou em flashes durante o dia. Agora que não tomamos mais a dose mensal, aos poucos estamos recuperando nossa integridade. Porém, tudo é muito confuso, sempre falta algo. Parece que há algo escondido dentro de nós, lá fundo, que está tão escondido que parece mentira. Isso tornaria qualquer um doente da cabeça. Afinal, não sabemos realmente a resposta da pergunta: quem sou eu?

— Talvez você estava pensando nela, no momento. Foi sua primeira dose, não é? — Caio me pergunta, conseguindo meu sim. — Ela pertence a sua antiga vida, Daniel. Você ainda se lembrava dela nos primeiros dias.

— Certo. — Comento com um suspiro chateado.

Estava cansado dessa coisa toda. Sonhos, lembranças confusas de um cabelo escuro e cacheado, um sorriso sincero. A dona do sorriso possui olhos verdes, disso eu tenho certeza. Pensamentos embaralhados que já tive sobre uma garota que conheci, que sinto precisar descobrir quem é. Será que tive uma irmã? Eu sinto que minha ligação com ela era forte, e queria muito ter uma irmã. Alguém para chamar de família. A maioria de nós não possui ninguém, ou não há como falar com seus parentes. Somos foragidos, militantes nos caçam para a pior pena: a de morte. Sabemos de coisas que ninguém sabe, vivenciamos coisas que quase ninguém vivenciou. Somos perigosos para o Regente.

— Daniel, você acha que um dia lembraremos de tudo ou…sempre vai faltar alguma coisa? — De repente Caio me pergunta, pensativo olhando o chão cimentado.

Caio era um cara legal. Mesma idade que eu, porém com cabelos raspados bem rentes a cabeça branca. Olhos pretos e algumas espinhas pelo rosto. Eu era mais alto que ele por poucos centímetros, e ele quem me ensinara a usar arco e flecha.

— Não sei, cara. Não sei. — Sou sincero.

Cada um de nós quer descobrir mais de nós, descobrir mais do passado sangrento do nosso povo, quer descobrir o necessário para sermos o que realmente somos, sem nos escondermos: Renegados.


renegados_capa

E então, pessoal? O que acharam? Sintam-se à vontade para opinar, vou adorar saber sua opinião. Os capítulos normalmente são assim, não gosto de capítulos muito longos. E a história está me surpreendendo bastante.

Além de Renegados, também escrevo fantasia e romance, confira lá no Wattpad e fique por dentro das novidades no meu blog, até a próxima!

Blog: rascunhosaraujo.blogspot.com.br

Conta no Wattpad: @thais__araujo

Link da históriaRenegados


Recado do Taverneiro: Esse post é um dos primeiros, onde eu ficava mais nas sombras e deixava o autor se apresentar com um trechinho do seu trabalho. As coisas não são mais assim XD
Anúncios