Prólogo

     “Decida-se garoto. Hihihi. A vida é sua mesmo.”

O menino estava exausto, derreado. Arrastara-se por horas floresta adentro, no escuro e com aquele ruído perturbador ecoando por todo o céu, carregando a perna inútil.

O som era como um rugido, intermitente, com um tom metálico. Parecia uma máquina gigantesca trabalhando, tão grandiosa que o eco se perdia por vários quilômetros. Mas o garoto mal percebia.

As roupas estavam imundas, os joelhos esfolados, as unhas quebradas e negras de lama. Os braços magros exauridos, mal podia movê-los.  Porém, por mais que rastejasse, por mais que fugisse, não conseguia livrar-se do peso da culpa.

Era um inválido agora, e quando sua família mais precisou dele, nada pôde fazer. A raiva e o desespero fizeram com que se embrenhasse naquela floresta. Mas, passada a raiva, só lhe restava o desespero.

Gritou, chorou e se contorceu. Terra entrou em sua boca e olhos. Ele cuspiu, esfregando as pálpebras. E quando olhou à frente, percebeu que não estava sozinho.

A princípio, achou que fosse alguém segurando uma lanterna, pois a figura o ofuscava. No entanto, prestando mais atenção, notou que o brilho vinha do corpo inteiro da pessoa. Não parecia de fato uma pessoa, mas era algo com um tronco humano. Havia também uma extensa cauda ofídica.

A coisa emitia uma luz uniforme. Seu corpo parecia ectoplásmico, mas a expressão do rosto era inconfundível, pois apesar de seus olhos serem apenas dois filetes negros, a boca gigantesca rasgava a face num sorriso repleto de dentes muito afiados. Se sorria de alegria, de euforia, de felicidade ou sentimentos menos nobres, isto seria uma incógnita para qualquer um que o visse.

— Que som agradável esse que ecoa, não? Dia de acontecimentos grandiosos. — O ser parecia refletir enquanto mirava o céu. — Posso livrá-lo desse membro inútil, assim evitando que morra em breve, menino. Gostaria de devorar essa sua perna. Em retribuição, posso lhe ensinar um truquezinho. Vai me agradecer muito depois.

O garoto não podia mais articular os pensamentos de forma coerente. Só sabia que deveria sentir medo, porém não conseguia. Aquela perna era de fato imprestável, nunca mais funcionaria de novo. E ainda por cima, com certeza diminuiria seu tempo de vida.

A coisa meio-gente, meio-cobra o apressou, cobrando para que se decidisse logo. Sem pensar muito, ele aceitou e pediu que o ser fosse em frente. Então, aquilo enfiou a perna toda na boca, até a altura da coxa. A garganta fantasmagórica não tinha fundo. Deu um último aviso ao garoto.

— Vai doer, mas, sabendo de quem você é filho, acho que aguenta.

E pressionou a mandíbula afiadíssima na carne tenra.

Um grito lancinante na floresta se uniu ao rugido metálico do firmamento…


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Autora: Priscila Barone

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Oi, gente! Eu sou a Priscila! Estou aqui para falar um pouquinho de mim. O triste é que eu nunca sei o que falar a meu respeito, hehe. Tenho um dos empregos mais chatos do mundo (bancária), mas apesar disso, trabalho com as pessoas mais loucas que vocês possam imaginar. Vivemos dizendo que nosso local de trabalho na verdade é um hospício, kkkk. Eu acho bem legal essa catarse, que é a mesma que acabo levando para o que escrevo.

Escrever é uma forma de fugir da rotina e da dureza do mundo. É a maneira que tenho de construir um mundo diferente, mais interessante. É por isso que gosto tanto de fantasia. Posso pirar ainda mais em cima do que imagino!

Se vocês quiserem acompanhar o meu trabalho, convido-os a dar uma passada na minha página do Wattpad, para verem a doidera por si mesmos, hehe! Tenho duas história lá, o Perna de Magia e o Dente de Leão.

Espero que curtam!


Recado do Taverneiro: Esse post é um dos primeiros, onde eu ficava mais nas sombras e deixava o autor se apresentar, com um trechinho do seu trabalho. As coisas não são mais assim XD