Bom dia Galera! Estou aqui hoje para falar de uma HQ que eu li recentemente, Tom Strong: A Origem, e que ela me fez lembrar de um assunto que vem me incomodando a muito tempo: a seriedade excessiva que está contaminando tudo.

            Primeiramente, vamos falar um pouco sobre esse HQ sensacional.

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         Tom Strong é um personagem criado em 1999 por Alan Moore (de Watchmen e V de Vingança) e Chris Sprouse. Ele homenageia os heróis da cultura pulp de antigamente, e tem todo um ar de quadrinho clássico da era de ouro.tom-strong-img3

          Tom Strong: A Origem foi lançada pela panini em junho, e reúne as primeiras edições da revista, contando a história do herói, como ele foi criado na infância em uma câmara de alta gravidade para reforçar seu corpo, e recebendo educação intensiva, ele se tornou o que chamam de herói da ciência, mais forte e inteligente que o normal, passou a infância em uma ilha fictícia do Caribe chamada Attabar Teru, até que, já na idade adulta, adotou Millenium City como sua nova casa e se tornou seu maior protetor!
Confesso que quando olhei essa HQ não esperava muita coisa dela não, mas o nome Alan Moore me fez continuar a leitura, e não me decepcionei. A história, de aparente simplicidade, acompanha Tom, que já é um herói experiente, resolvendo diversos problemas na cidade, enfrentando velhos e novos inimigos, tudo muito bem roteirizado, embora o texto não seja muito “explosivo” (falaremos melhor disso depois) eles são bem escritos e criativos ( uma sociedade asteca com super tecnologia, que venera um deus Quetzalcóatl que na verdade é um super programa de computador, é incrível!), e a arte acompanha de maneira muito harmoniosa toda a atmosfera da história. A revista é ótima.

“… Por que, o que esperava?

— Não sei. Na minha terra, a serpente muitas vezes representa a perfídia. Você podia ter me matado e continuado a escravizar o multiverso.

— Sim. Da mesma forma, quando te libertei das amarras, Podias ter simplesmente fugido…

… Mas confiei em ti… e confiastes em mim. Consiste em um problema lógico chamado Dilema do Prisioneiro. Comporta duas estratégias: Confiança ou Traição.

A Analise revela que a Confiança leva a resultados um pouco Melhores.

A Confiança é Lógica.

Que tu e teu mundo sigam em paz…”

 

          Isso me leva ao assunto que esse quadrinho despertou em mim. Enquanto eu lia, eu ficava esperando algo muito ruim acontecer, tipo “agora que esse personagem vai morrer” e “cara, esse cara aqui vai trair todo mundo” e “agora que esse cara vai sucumbir a maldade do mundo! ”, isso mesmo, eu ficava igual um chacal procurando desgraças. Quando cheguei ao fim da leitura, eu fiquei meio decepcionado, “Putz, não acontece nada de interessante aqui cara, baita revista de criança…”, mas pensando melhor sobre ela, eu vi que eu tinha me divertido muito lendo, e que ali tinha umas ideias incríveis, aí eu vi o quanto eu via pouco daquele tipo de diversão hoje em dia.

           Acho que deve ser algum tipo de influência de game of thrones talvez, as pessoas estão cada vez mais em busca de reviravoltas revoltantes, em tramas complexas, em coisas que deixem elas chocadas, que acabam vendo algo sem essas coisas como “menor” e “de criança” (eu inclusive, estava olhando por esse lado), vemos isso em todas as mídias (como os filmes da Marvel que são taxados de infantis) e isso está se generalizando muito. Eu não acho que algo mais descontraído seja algo “de criança”, e sim que seja outro tipo de diversão, que, você pode não acreditar, mas igualmente difícil de ser produzida do que as coisas chocantes por aí.

          Eu imagino que um dos motivos disso acontecer, seja que toda a cultura mais nerd que temos hoje, na maioria dos casos, nos conquistou quando éramos mais jovens e sem muita bagagem para apreciar as coisas, só que no momento que crescemos, queremos que a nossa infância cresce junto com agente, queremos ver o superman com crises de identidade, o batman espancando todo mundo, enfim, os problemas mais sérios e reais, por que isso os aproximam mais de nós. E não tem nada de errado nisso, só que não podemos também esquecer de produzir coisas mais simples, mais leves, para alguém sem muita seriedade ler e poder se divertir. Afinal, se tudo crescesse com a gente, ia acabar nunca conquistando fãs novos, sempre mantendo o mesmo público, e no fim, morrer junto com a gente.

Enfim, só queria fazer esse desabafo, depois que eu ouvi de um amigo que o fime do Superman: Homem de aço só foi bom porque SPOILER/ ele foi obrigado a matar o Zod no final /SPOILER, cara, ser bom vai muito além disso.

Recomendo muito a HQ do Tom Strong, que é uma leitura leve, bem feita e descompromissada, e, o mais importante, divertida.

Tom Strong: A Origem – ed. 1

Nota: 8,0

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