Boa noite galera! Hoje eu vou falar com vocês sobre um livro com um tom um pouco diferente do que costuma aparecer por aqui, uma ficção histórica que conta a história das três filhas de um chefe de uma aldeia goda do século I d.C. E também fora do comum por aqui, esse livro tem uma autoria dupla, a Érika e a Karen!

Elas mandam muito bem, e, antes de dar minhas considerações sobre o livro, vamos conhecer um pouco mais das suas autoras ^^:

 

       Oi! Eu sou a Érika, tenho 25 anos, escrevo coisas chatas a trabalho e coisas legais (eu acho) nas horas vagas. Um amigo já me perguntou “você lê ou come livros?”, e, embora meu ritmo tenha diminuído desde então, sempre carrego um exemplar na bolsa, além de alguns rascunhos inacabados (por isso ela é tão pesada). “Uma História Bárbara”, aqui, foi escrito com minha amiga Karen Felsky entre os anos de 2008 e 2010, a partir de umas ideias loucas que tivemos durante o ensino médio, e acabou fugindo muito do projeto original, para virar um épico de mais de 120 capítulos. Nele você poderá ler sobre povos bárbaros, cristãos primitivos, gregos, romanos, e muitos outros assuntos que povoaram o Século I d. C., enquanto segue as aventuras de duas princesas godas e seus amigos e amados numa saga de dez anos. Parece muita coisa? Você não vai nem sentir passar (espero eu). O único perigo é não saber lidar com as reviravoltas e o comportamento peculiar dos personagens. Então aceite o convite do Taverneiro, pegue sua caneca de hidromel, e sente-se perto da lareira para ouvir essa História Bárbara.

 

       Karen Felsky, 23 anos, internacionalista, microempresária cosplayer e tolkieniana nata, escrevo por hobby desde eras remotas sempre que tenho inspiração, de coisas aleatórias até épicos medievais fantásticos e fanfics de 700 páginas em co-autoria com a Érika.

 

Um livro com autoria de duas amigas de ficção histórica, esse foi o primeiro ponto que me chamou atenção, e o segundo foi sobre três protagonistas femininas, esse foi o segundo ponto a me dizer que tinha algo aí nessa história a ser visto, e eu não estava errado :)…

A história é extensa, o que nesse caso não é ruim, pois acabamos acompanhando o crescimento dos personagens, e também acaba explorando as outras culturas do mundo, e essas três protagonistas em contato com mudanças históricas, como o cristianismo. Ele tem um foco grande nos sentimentos dos personagens.

Confesso que quando eu vi ficção histórica eu pensei em algo mais visceral, no estilo Bernard Cornwell XD, mas o livro não é isso galera, e é ótimo que não seja. Em tom, ele me lembrou da melhor forma possível o filme Valente, da Disney, pelo menos no começinho. XD

A história também tem suas artes, feitas pela própria Érika, muito legais, simples e delicadas, que vocês podem ver algumas aqui no post, e mais nos capítulos do livro. Mostrando que ela não tem só talento para a escrita. 🙂

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Enfim, é um livro com bons personagens, relações de amor e amizade se misturando aos problemas de um mundo em mudança. Recomendado.

Vocês podem conferir alguns trechinhos do livro logo abaixo, para terem uma noção por si mesmos do que eu estou falando. ^^


Autoras: Érika Batista e Karen Felsky

Wattpad: @erikasbat  e  @KarenFelsky

Instagram: @umahistoriabarbara

Blog pessoal da Érika: erikaemletras.blogspot.com.br

O Livro: Uma História Bárbara

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Capitulo V – O Urso Domado

       De repente eles ouviram ruídos de galhos quebrados, e vozes sussurradas. Podiam entrever um ponto de luz no meio das árvores, vindo da aldeia. Não havia como voltar, então eles se levantaram e se esconderam atrás de umas árvores, na treva.

Logo viram surgir uma tocha, e um homem grandalhão, seguido por uma moça, ambos carregados de armas. Não podiam vê-los muito bem, por causa das folhas que os escondiam, mas reconheceram as vozes.

— Como eu dizia, Kyrah, o importante é manter a concentração e não confiar só na razão. Se você sentir de enfiar a espada para trás, faça isso, porque com certeza tem alguém atrás de você – instruía Beowulf.

— Sim; andei treinando essa jogada para trás, mas com a adaga – Kyrah manejava a espada na frente do seu corpo, lutando com Beowulf, e lançou a adaga com a caveira por baixo do braço da espada. Ela cravou-se numa árvore, bem no lugar em que a cabeça de Berna estivera encostada momentos antes.

Beowulf aplaudiu; Kyrah curvou-se de leve, sorrindo.

— Você não tem qualquer problema com as armas – disse Beowulf, dando de ombros. – Nem necessita da minha ajuda. O seu problema vai ser se disfarçar de homem… – ele corou, ao dizer – Sua feminilidade é… bastante evidente.

Kyrah corou.

— Eu dou um jeito, nem que tenha que me cobrir toda de armas.

Beowulf deu-lhe as costas, afiando o machado numa pedra grande.

— Imagino se esse bardo merece tanto sacrifício.

— Maküsh é maravilhoso, Ursinho – repreendeu Kyrah. Berna arregalou os olhos atrás das árvores, pasma. Ela e Tristan evitavam trocar um olhar. – Ele merece tudo.

— Não passa de um bardo idiota. Só não o mato porque não sou covarde – resmungou ele, num tom baixíssimo. Kyrah caminhou até ele e segurou seu ombro.

— O que disse, Urso? – perguntou, olhando-o de perto. Beowulf não resistiu, puxou-a pela cintura e beijou-a candentemente. Quando se afastaram, Kyrah ergueu a mão para dar-lhe um tapa, mas Beowulf nem o sentiu, pois tinha se virado e sacado a espada ao ouvir um ruído.

— Tem mais alguém aqui – murmurou, perscrutando as trevas.

Quando eles se beijaram, Berna e Tristan não queriam ver mais nada. Levantaram-se, constrangidos, e foram andando na direção que ficava a aldeia. Não tinham, porém, dado três passos, quando Berna pisou em um galho seco, quebrando-o e produzindo o ruído que atraiu a atenção do Urso Raivoso. Eles se imobilizaram imediatamente. Mesmo assim, Beowulf começou a abrir caminho em direção a eles com a espada. Tristan alarmou-se.

— Se ele nos pega estamos ferrados – murmurou, pressuroso, pegando o pulso de Berna e disparando com ela para longe dali. Beowulf vinha atrás, Kyrah seguindo-o. Quando ganharam terreno sobre os perseguidores, Tristan e Berna subiram numa árvore e prenderam a respiração. Após procurá-los um pouco, Beowulf desistiu e voltou para a clareira.

Um tempinho depois, eles desceram da árvore em silêncio, e caminharam sem trocar uma palavra ou olhar um para o outro até sair da floresta.

— Quem iria imaginar…? – comentou Tristan, com os olhos arregalados.

— Bem, eu… sabia que ela saía, mas… – Berna deu de ombros, respirando fundo. – Boa noite – e ela se afastou sem esperar resposta…

 

E para não parecer apenas romance, um gostinho a mais…

       “…Flechas fulgurantes trespassavam o ar em rajadas vindo do norte; às vezes caíam algumas bolas de fogo sobre as casas, multidões tentavam apagar. Contingentes de saxões caíam em massa sobre os exércitos defensores, retalhavam e cortavam o que viam pela frente, uma sede de sangue estampada em seus olhos claros, espelhos que levavam à morte e ao Walhala. Alguns berserkers haviam ultrapassado a barreira de barris e lançavam-se como lobos na carne fresca. Kyrah quase não conseguiu dar conta de um, mas foi ajudada por Beowulf que rugia como o verdadeiro urso raivoso e retalhou o ameaçador de sua amada…”

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