Pode parecer estranho decidir morrer. Quando penso no passado, reconheço que vivi muitas boas experiências. Meus pais são amorosos, não tenho acusações para culpa-los. São apenas um casal idoso vivendo longe. Nem imaginam que o caçula desistiu da vida. Será um golpe para eles e, talvez, esse seja o único fator que me manteve persistindo. Lutando. O motivo não é o meu passado, na verdade. Até amigos tive. Com alguns ainda troco mensagens. Vazias. Acho que não pensam muito em mim. Têm seus problemas para enfrentar. Eu escolhi o que fazer com os meus.

Bom dia galera! Tudo bem com vocês? Hoje vai ser um post diferente, um assunto muito sério e que me tocou de uma maneira muito pessoal, que é o conto O Dia em Que decidi Morrer e a campanha de conscientização Setembro Amarelo.

Eu fiquei sabendo dessa campanha no blog da Francine Porfirio, o My Queen Side, e é dela também o conto O Dia em Que Decidi Morrer, que eu estou colocando alguns trechinhos por aqui.

Antes de entrar em detalhes do conto, vamos falar um pouco sobre a campanha. Ela nasceu em 2014  e é sobre disseminar a informação e quebrar o tabu que ronda o tema do suicídio.

       Iniciado no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o Setembro Amarelo realizou as primeiras atividades em 2014 concentradas em Brasília. Em 2015 já conseguiu uma maior exposição com ações em todas as regiões do país. Mundialmente, o IASP – Associação Internacional para Prevenção do Suicídio estimula a divulgação da causa, vinculado ao dia 10 do mesmo mês no qual se comemora o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

       Vocês podem ter mais informações sobre a campanha no site deles, o setembroamarelo.org.br, de onde eu peguei esse trechinho da explicação.

O objetivo da campanha é conscientizar e fazer todas as pessoas envolvidas lidarem melhor com esse assunto. A própria Francine fez um post muuuito mais detalhado sobre isso, que vocês podem ver aqui.

E para quem quiser saber mais ainda disso, eu recomendo o podcast Mamilos (Cheio de polemicas rs) de número 82, onde eles têm uma conversa muito legal, tanto para quem precisa ser ajudado quanto para quem quer ajudar, que vocês podem ouvir aqui.

 

E para finalizar, não custa lembrar do CVV, que atende todos os dias qualquer um em busca de ajuda especializada, tanto elo telefone 141 quanto por e-mail, Skype, o chat no site deles, enfim, de todas as maneiras possíveis.

cvv.org.br

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Então, vamos ao conto:


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Autora: Francine Porfirio

Blog: My Queen Side

Conto na Amazon: O Dia em Que Decidi Morrer

       Queria ser outra pessoa. Não alguém especificamente. Nenhum ator, produtor, cantor ou empresário. Apenas outra pessoa. Se interessa, queria ser o oposto de mim mesmo. Então, por que simplesmente não mudo radicalmente? Você que me fazer essa pergunta, eu sei. Não é como se não tivesse pensado nisso. Não é como se não tivesse tentado. Eu simplesmente percebi que, se minha vida não parecia importante sendo quem sou, por que pareceria sendo quem não sou? Comprar roupas que jamais usaria ou até mesmo redefinir minha carreira não me tornaria diferente por dentro. Eu continuaria sendo o cara que não sente falta de ver a si mesmo no espelho. Ou talvez fosse o cara que, ao encarar seu próprio reflexo, só o suportasse se ostentasse outra aparência. Não quero ser nenhum deles. Nem o cara que sou, nem o que poderia ser. Eu não quero ser. Então, não serei.

O conto acompanha o protagonista que escolheu não viver mais, em seu último dia de vida, do momento em que acorda, em sua última caminhada no mundo. Ao mesmo tempo que que ele passeia pelo mundo, a autora nos leva a um passeio pela sua mente e suas emoções, explorando bem as nuances da depressão e desesperanças que levam a alguém tomar esse tipo de decisão.

Existem muitos motivos para o suicídio, e diferentes formas de depressão. Nessa história, podemos ver uma forma mais fria e premeditada, não é uma explosão de raiva ou tristeza, é mais o fim chegando de uma maneira mais melancólica, como uma chama que consumiu tudo o que tinha, e foi lentamente se apagando.

Enfim, durante a minha adolescência eu tive alguns períodos bem difíceis de depressão, e esse conto me mostrou muito da falta de perspectiva para o futuro que alguém assim tem.

Talvez pela Francine ser psicóloga, ele saiba explorar melhor as emoções e esteja mais envolvida com esse assunto, eu só sei que ela sabe escrever sobre emoções de uma maneira bem interessante.

Recomendo a todos, não só esse conto, mais todo o trabalho que a Francine faz lá no blog dela!