Bom dia galera! Hoje vai ter um post especial, o primeiro livro de fantasia, aventura e ação com a temática de anjos e demônios,lançado pela editora Cafeina Literária escrito por uma autora que eu gosto bastante, e que já apareceu por aqui antes. O Ascendente, de Ceres Marcon!

O Ascendente_BANER

        Peço desculpas pelos poucos posts recentemente, é que tá difícil me organizar aqui XD

oascendente7              Anjos tem habitado nossa imaginação a milênios. Seres feitos de pura bondade, nos
vigiando, guiando e protegendo, sendo bastiões de bondade e justiça contra o mal que. Demônios também sempre espreitaram a imaginação da raça humana, pura crueldade e sadismo tomando forma, tentando a raça humana e espalhando o mau. Seres antagônicos por natureza, inimigos mortais destinados a uma batalha eterna. Essas duas essências sempre habitaram a raça humana, uma batalha sem fim entre o bem e o mal acontecendo dentro de cada um de nós. É exatamente isso que o protagonista desse livro, Thomas, enfrenta, só que de maneira muito mais agressiva.

— Menos um.

Thomas retirou a mão da cabeça molhada do homem que o encarava como se acabasse de vir ao mundo. O olhar interrogativo buscava explicações para o que havia acontecido com ele. O odor exalava curiosidade e medo, igual ao padre que o acompanhava.

— Então, você terminou?

A pergunta do padre carregava surpresa e dúvida. Thomas quis rir da reação dele, mas apenas deu-lhe as costas e deixou-o encarregado de conversar com a família do homem que acabara de salvar das garras de um demônio. Como mestiço, seu respeito pela raça humana tinha limites, por isso não se envolvia além do necessário. Poucos mereciam sua total atenção e dedicação.

Concentrava-se tanto na experiência do exorcismo e em se manter alerta ao perigo que corria quando executava um demônio, que deixava o celular desligado, para não haver interrupções, mesmo ciente que o único que poderia ligar já não o fazia há algum tempo. Ligou o aparelho e, para sua surpresa, constatou várias chamadas do padre Júlio. Havia partido de Porto Alegre para atender aos pedidos de outras paróquias como aquela em Caxias do Sul, onde se encontrava. Trabalhar como exorcista havia sido um processo nem muito longo, nem complicado. Um número muito limitado de padres se candidatava, porque acabavam taxados de loucos pelos colegas, mas Thomas não se considerava um padre, nem fazia parte do clero, e matar demônios lhe proporcionava prazer. Padre Júlio encontrava-se dentro do pequeno grupo de exorcistas. Os casos haviam se intensificado nos últimos anos e esse ponto ajudara Thomas a conseguir a aprovação do Vaticano para exercer o trabalho.

A voz conhecida do outro lado mostrava-se aliviada quando ele manuseou o celular e aguardou apenas um toque pela resposta à sua ligação:

— Thomas, finalmente consigo falar com você! Você tem que voltar.

— O que aconteceu? — Thomas apagou sua aura e buscou por um lugar à sombra. O demônio dentro dele farejou o perigo e o anjo colocou-se em alerta.

— Jezebel me procurou. Disse que não conseguiu localizar você e precisa entregar algo que lhe pertence.

Lembranças suprimidas movimentaram-se diante de Thomas. Imagens que apenas retornavam em seus pesadelos deixaram-no atordoado.   

De repente, um toque gelado fez com que agarrasse aquele que se atrevia a encostar em seu braço.

— Thomas!

O grito o fez sair da inércia. O padre suspenso pelo pescoço perdera a cor do rosto e tentava respirar. Thomas largou-o e precisou ampará-lo para que não caísse.

— O que aconteceu comigo? — perguntou mais para si mesmo do que para o padre, que tinha o semblante transtornado e ainda recuperava o fôlego. ¾ O senhor deveria estar conversando com os familiares do homem possuído e não aqui, ao meu lado.

— Você estava flutuando — disse, sorvendo uma grande quantidade de ar —, seus olhos estavam vermelhos e um brilho estranho saía de suas mãos. Além do mais, já conversei o suficiente com eles.

Thomas recolheu o celular, um pequeno monte de plástico e metal retorcido. Quando iniciava um exorcismo, certificava-se de deixar a aura controlada o suficiente para não ser farejado pelos que se intitulavam seres de luz, mas perder o controle significava entregar-se em oferenda aos alados. Havia exposto sua localização. Recolheu a aura mais uma vez e observou a rua. As pessoas seguiam alheias a ele, contudo algo o incomodava. O demônio sussurrava em sua mente:

Saia daqui!

oascendente4

       Thomas é um meio anjo, meio demônio, com as duas essências em conflito sempre em seu interior, cada uma brigando e tentando tomar espaço em cada momento, e ele acaba tendo que tomar as melhores decisões nesse conflito, pois as vezes a essência de sombras atrapalha, trazendo agressividade e crueldade para seus pensamentos, mas muitas vezes seu lado demoníaco agressivo precisa assumir o controle para poder sobrepujar seus inimigos. Cabe a Thomas tentar não deixar nenhum dos dois lados tomar o controle.

       Assim como todos os mestiços, sofre uma perseguição implacável dos anjos, que buscam exterminar essas “aberrações”. Thomas foge dessa perseguição desde a sua juventude, e ele acaba vendo uma oportunidade de sobrepujar os celestes com a ajuda de um antigo artefato de grande poder, mas para isso, ele vai ter que lutar muito e escolher muito bem os aliados para ter sucesso, enquanto tenta controlar suas duas metades, o anjo e o demônio, sempre em conflito. E é claro, os demônios não iam deixa-lo em paz…

oascendente5

       O livro é de aventura e ação, com muitas cenas bem narradas e momentos épicos! Thomas está constantemente tendo que lutar para se livrar da perseguição, então não vão faltar momentos de tensão. A autora também cria uma mitologia bem interessante, que pode ser muito bem explorada em outros contos futuros…

       Enfim, eu achei o livro bom, é um livro de fantasia e ação com batalhas épicas bem narradas, personagens interessantes e uma mitologia muito legal, que conta com sucesso a trajetória de Thomas e suas essências divididas.

Se vocês gostaram, podem saber mais sobre o trabalho da autora em diversos locais, e podem falar diretamente com ele para adquirir uma copia do livro, que eu acho que vale muito apena ^^:

Seu site pessoal: ceresmarcon.com.br
O facebook da autora: Ceres Marcon

O Pagina do livro no facebook: facebook.com/oascendente

Fiquem com um trechinho do livro pra vocês verem como a autora trabalhou bem os poderes do personagem 🙂 …

O ônibus fez uma parada inesperada. O burburinho de vozes começou a crescer, todos interessados nos quatro homens com o uniforme da polícia que obrigaram o motorista a levar o veículo até o acostamento.

Thomas reconheceu os anjos. Visualizava-os através da energia que liberavam e dos olhos escuros. Tronos comandados por Caliel.

Olhou os assentos à frente, levantou-se e sentou ao lado de uma jovem pequena de cabelos loiros e olhar curioso. Ele sorriu de forma tranquila enquanto entrava em sua mente, fazendo-a aceitá-lo e dar-lhe a mão.

— O que eles estão fazendo? — ela encarou Thomas como se fossem velhos conhecidos.

— Devem estar à procura de algum foragido, amor.

Ela agarrou-se a ele como a um bote salva-vidas. O odor pegajoso do medo invadiu o coletivo. Thomas precisava pensar rápido ou teria problemas. Se selasse a mente e os alados não acessassem suas memórias, seria obrigado a lutar e não tinha intenção de atrair mais olhares em sua direção. Não desprezava os homens a ponto de vê-los feridos por sua causa. O anjo o guiava para o respeito e lutava contra o demônio que insistia em não se importar. O duelo entre as essências atrasava o raciocínio e Thomas reprimiu ambas. .

Em pleno domínio da mente da garota, examinou cada uma das lembranças que ela possuía e tomou posse de algumas delas. Redesenhou-as e incluiu-se nelas, como se os dois formassem um casal. Em seguida, recolheu essas mesmas lembranças para si. Para manter-se ainda mais incógnito, sustentou a repressão das suas essências de luz e trevas, para que não aparecessem em sua aura fraca, que se igualava aos humanos. Criou, manipulando a energia mais densa, um cão de mandíbulas proeminentes e negro como a noite. Como em uma caçada, liberou-o, deixando-o em alerta, escondido nas sombras dentro do veículo. Cães como aquele faziam parte da vida dos demônios, apareciam e desapareciam sempre que solicitados. No instante em que o cão identificou seu criador, recebeu as instruções. Deveria recolher da memória dos anjos informações que auxiliassem Thomas e se houvesse uma luta, o bicho derrotaria alguns dos inimigos, abrindo espaço para Thomas conseguir fugir.

Dois policiais entraram e passaram pelos bancos. O cão farejava, recolhendo pensamentos e vibrações e os enviava a Thomas. Os homens o procuravam, insatisfeitos por terem que ficar em meio aos humanos e seus odores, que não toleravam. Com seu cheiro misturado ao da garota, Thomas apenas observou. Um dos anjos parou a seu lado.

— Documentos.

Thomas remexeu a mochila e entregou uma das várias identidades falsas que carregava consigo. Percebeu o policial fajuto vasculhar o seu cérebro, que reproduzia as memórias da loira que continuava presa em seu braço. O anjo encarava-o com olhos negros e opacos; outra evidência de sua origem. Thomas não desviou o olhar. As dores da noite em que os pais morreram fizeram-no apertar a mão da garota, que gemeu baixinho, mas não se afastou. Não podia perder a conexão com ela nem deixar que seus verdadeiros pensamentos viessem à tona. Observou os outros dois do lado de fora. Possuía força suficiente para acabar com os quatro, mas para fazer isso teria que mostrar-se, liberando seu rastro, o que facilitaria a outros aparecerem e eliminá-lo. “Você não pode morrer.” A voz de Jezebel ressoou em sua cabeça como um eco do passado e o fez estremecer. Além disso, tinha que levar em consideração padre Júlio. Se matasse seus perseguidores agora, poderia colocá-lo em risco.

Esticou o corpo, passou o braço sobre o ombro da garota, como se lhe desse alguma importância. Quanto mais humano parecesse frente ao ser que o analisava, mais rápido iriam embora. Direcionou o pensamento para longe. Não podia arriscar.

Em alguns segundos, o anjo perdeu o interesse e devolveu o documento. Revistou mais alguns passageiros e só depois deixou o ônibus. O coletivo entrou em movimento e seguiu viagem.

Thomas não esqueceu do cão. Em segurança, a presença dele se tornava desnecessária, porém diante das circunstâncias, preferiu deixá-lo em alerta até que chegasse ao destino. Encarou a jovem que continuava grudada em seu braço.

— Obrigado — disse para a loira.

— Pelo quê?    

Ele riu com a ingenuidade dela. Desvencilhou-se da mão de sua companheira de viagem e a fez adormecer tocando-lhe a testa com o indicador.

Quando acordasse, não se lembrara de nada.