Bom dia galera” Hoje eu vou falar um pouco sobre esse livro lindo, lançado pela darkside books aqui no brasil, Hellraiser, de Clive Barker! Eu me perguntei esses dias o que mais eu poderia oferecer a vocês se não apenas minhas parcas impressões do livro, e aqui eu vi uma ótima oportunidade de trazer conhecimento a vocês que não poderia ser encontrado em mais nenhum lugar. Fui atrás desse conhecimento escondido, e, para a minha felicidade (e desespero), eu o encontrei…

       Esse livro começa com a busca de Frank, um viciado em prazer, que, anestesiado pelas coisas mundanas do mundo, ouve falar de um segredo capaz de trazer prazer inimaginável, esse segredo seria a configuração dos lamentos, também como caixa de Lemarchand, e logo no primeiro capítulo, ele ativa essa caixa, abrindo um portal para essas estranhas criaturas que mostram para ele o prazer além de qualquer limite, infelizmente para Frank, a definição deles de prazer é um “ligeiramente” diferente da que nós temos…

       Após ler isso, eu pensei muito nesse conceito de transcendência, de levar a outro nível a experiência, e a ideia me enganchou como um enorme anzol preso a pele das minhas costas, me puxando e esticando, a beira de rasga-la e expor todos os meus músculos e nervos… E enquanto andava pela rua, tentando proteger o rosto de uma ventania gelada, algo esbarrou em mim, e, talvez tenha sido a falta de sono, ou a areia nos meus olhos, mas ao ver quem avia trombado em mim, a figura olhou para trás e sua cabeça se incendiou num brilho, um cone de fogo branco. Era o Engenheiro… ele largou algo em meus braços. Um cubo, polido, com intrincados padrões em seus quatro lados. Era a caixa de Lemarchand, a configuração dos lamentos, e estava ali na minha mão. Eu procurei o Engenheiro, e ele havia sumido, deixando apenas o vento frio ocupando a rua, e a caixa, como prova de sua existência.

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       Eu tinha em minhas mãos um artefato lendário que tinha o propósito de entrar em contato com uma raça de torturadores e um mundo de desespero e dor, e eu pensei a única coisa que um ser humano normal seria capaz de pensar naquela hora, e você sabe o que é… Não, não é isso, a outra coisa. Não também. Nossa, você não acerta mesmo hein? Talvez você não seja tão normal quanto pensa né… enfim, com aquele ícone de dor e tortura em mãos eu pensei “Cara, eu preciso colocar isso no meu blog! ” e fui fazer os preparativos!

       Estudei aqueles padrões por muito tempo, muito muito tempo…precisava ver o que aconteceria se aquela caixa fosse ativada. Obviamente eu não ia abrir a caixa né? Eu li o livro, e não sou louco, digo, não louco nesse sentido. Mas eu tenho amigos que poderiam se interessar com algumas curiosidades exotéricas, e poderiam se interessar por essa oportunidade. Com as devidas verdades omitidas, é claro. O nome dele não é importante, então vou chama-lo só de “Amigo”. Bem, pensando bem, talvez amigo não seja o mais apropriado, considerando o que eu ofereci a ele…

       Bem, ele aceitou, a minha oferta após eu falar do poder da caixa de abrir um portal para prazeres inimagináveis (todos acreditam nessa rs), mas eu teria de estar presente, obviamente, para registrar tudo. Não vou entrar nos méritos voyeuristas disso, o fato é que no final estávamos de acordo. Mostrei a ele o que havia apreendido com o cubo, e não demorou a descobrirmos os padrões certos…

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       Era um galpão abandonado, iluminado apenas por um circulo de velas, o Amigo estava no centro do círculo, posicionando o último dos padrões da caixa, e ela se abriu. Um barulho de sino começou a soar, como se a congregação de fieis estivesse sendo convocada, pensei, mas logo lembrei que era três da madrugada, e seria incrivelmente improvável uma igreja funcionar àquela hora. Estava vindo da caixa, eu acho. Ou soava apenas dentro da minha cabeça. Pela reação do Amigo, ele também ouvia. As luzes das velas se apagaram, enquanto linhas brilhantes se formaram nas paredes do galpão, fazendo a forma de um quadrado, embora você só pudesse ver a nevoa iluminada, e não a fonte da luz em si.

       De repente, a luz sumiu, e o galpão só ficou iluminado pela tímida luz do luar que passava pelas janelas embaçadas. Tinha mais alguém ali conosco. Duas figuras no cômodo, eu via apenas sombras onde elas estavam, mas o meu coração estava acelerado. Eu sabia quem havia atendido o chamado da caixa. “Quem está aí?” o Amigo disse, chegava a ser triste em sua inocência, como um pequeno filhote esperando um predador faminto. Coitado, se eu tivesse sentimentos, até ficaria com pena dele, mas não tive tempo para isso. Os nossos dois “convidados” avançaram, entrando no alcance da luz da lua, e eu os vi. Usando roupas de couro, um deles tinha a pele repuxada de uma forma que lhe cobria os olhos e deixava os dentes expostos, e ficava batendo os dentes, talvez ansioso por usa-los. O outro possuía pregos encravados até os ossos em volta de toda a cabeça, e trazia pendurado em seu manto diversos ganchos e serras. “Você nos convocou…” Ele falou, se dirigindo ao Amigo, sua voz era grave e seu tom frio. Eu comecei a tremer. “…Então nós viemos, e vamos leva-lo conosco”.

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       Ele se virou para mim. Eu não estava com medo, não conscientemente, mas eu tremia, e minha mão suava e meus olhos lacrimejavam. Meu corpo estava com medo, mesmo que minha mente não estivesse. “Isso não é para os seus olhos” ao falar isso, a criatura com os dentes expostos começou a avançar em minha direção, com os braços erguidos, unhas afiadas e sujas, avançando em direção aos meus olhos. “Espere! ” Gritei, tentando me controlar “Eu estou aqui como um observador da Ordem! ”. A criatura parou, virou a face para o cabeça de prego, e de volta para mim, e de volta para ele. Mesmo com a face repuxada, a perplexidade era evidente. “Que ordem?” o cabeça de prego falou, tendo como única expressão uma sobrancelha levemente arqueada, “A ordem secreta dos bloggers…” falei, sussurrando, enquanto mostrava a minha carteirinha para ele. Ele fez uma pequena e quase imperceptível afirmação coma cabeça, “Se é observar o seu desejo, que seja. Será o seu prêmio e a sua punição. ”

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       Em um momento, estávamos no galpão, e no outro, estávamos em outro lugar, parecia um abatedouro, com correntes pendendo do teto, e suportes com espinhos e serras, ganchos, bisturis, agulhas… instrumentos para o trabalho que eles estavam para fazer. E eu observei. Eu já fui advertido para não usar os meus poderes de blogger em vão, e naquele momento, eu entendi o porquê. Existem coisas que não foram feitas para serem observadas.

      Pele sendo rasgada, carne sendo exposta, uma utilização sublime de todos os nervos e centros de dor que um ser humano possuía. O processo durou muito tempo…dias, eu acho. E após o fim dele, eu levei muito tempo para recuperar minha mente. Dias, estático, olhando para o nada, recolhendo pedaços da minha mente fragmentada para voltar ao mundo real. Quando dei por mim, só havia sobrado o galpão, vazio e frio. Não sobrou nada do Amigo ali. Questionei se tudo não passara de delírio, mas daí eu vi, levemente iluminada, um livro negro, decorado com intrincados desenhos em dourado que lembravam os que decoravam a caixa.

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       Aí eu percebi. Não foi pelos poderes da ancestral ordem da imprensa informal que eu havia sido poupado. Ele queria que eu visse… ele queria que eu espalhasse a palavra… e é isso que eu vim fazer…

       Eu recomendo demais comprar esse livro, é um livro de terror horrível (no bom sentido), com uma edição lindíssima da darkside e não foi sem motivo que virou um dos clássicos do terror. Clive Barker tem algo a mostrar a vocês, se estiverem prontos para ver…

       E é sempre bom lembrar que se um “amigo” seu te oferecer um artefato lendário com a promessa de maravilhas extraplanares, desconfie! 😉

Aproveitem o halloween…

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