Bom dia galera! Como vocês estão? Como está essa vida aí? Hoje eu vou falar um pouco sobre um livro que eu gosto muito, muito mesmo, O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss, e sobre um dos principais erros que eu vejo escritores novos cometendo, que é descrever demais, e mostrar de menos…

Bem, vamos ao livro…

O Nome do Vento é o primeiro livro da serie “A Crônica do Matador do Rei”, escrito pelo Patrick Rothfuss e publicado por aqui pela editora Arqueiro.

       O livro conta a historia de Kvothe, um homem muito conhecido no mundo (não se sabe ao certo o por que…) que está disfarçado como um dono de uma estalagem. Ele acaba sendo encontrado pelo Cronista, um conhecido contador de historias, e decide narrar a historia da vida dele. Nesse primeiro livro, que corresponde a um dia de Kvothe contando sua historia, ficamos sabendo da infância dele, do inicio das suas buscas pelo Chandriano, um grupo lendário que assassinou sua família, vemos também as dificuldades da sua infância miserável como mendigo e como ele conseguiu um lugar na Universidade para aprender a utilizar magia.

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O primeiro diferencial, que você pega logo de cara, é o quanto o autor sabe conduzir bem essa historia, contando tanto sentimentos quanto fatos, e sempre de maneira poética. A historia de Kvothe é contada de maneira tão sublime, que você não quer parar de acompanha-la, começando com a vida nas ruas, até as dificuldades da Universidade, ele te deixa curioso e apreensivo de uma forma que você anseia por acompanhar a trajetória de Kvothe.

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O segundo diferencial que eu vi nessa historia foi sua maturidade, e veja bem, eu não estou falando de violência e sexo, eu estou falando de maturidade real, de tratar de maneira moderada os temas,de uma forma que nada foge muito da “realidade”. Você sente todos as coisas narradas, desde a infância nas ruas, passando pelos amores, pela raiva, pelo relacionamento na Universidade, é tudo muito palpável e possível (dentro dos limites da fantasia, é claro). Até mesmo o sistema de magia que ele cria para o mundo é algo muito “pé no chão”, é quase uma ciência.

O terceiro, é o quanto o livro te diz sem sair da historia, as lições, a poesia, e a profundidade do texto são incríveis.

E o quarto ponto que me chamou a atenção é o mundo criado pelo autor: eu não sei quase nada sobre ele! E isso que eu queria falar para vocês…

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Um erro muito comum, muito comum mesmo, que eu vejo nas minhas andanças pelos livros de autores novos é o excesso de descrição do mundo, colocando capítulos inteiros descrevendo cada detalhe, de como tudo se formou, das grandes personalidades… E com frequência isso não para no mundo, geralmente atinge ate os personagens, com descrições extensas de como ele é, dos seus traços de personalidade, suas amizades… Isso deixa qualquer texto pesado, difícil de ler. Eu estou falando de literatura de entretenimento, é claro, não sei exatamente como isso funciona em algo mais artístico.

Uma dica boa é se focar no personagem e na trama, sempre. Se você quer falar algo do mundo, veja uma forma de incluir aquilo em um dialogo talvez, de maneira sutil, ou se você tem algum ponto do seu mundo importante, faça os seus personagens irem até lá e ver.

Até em mundos de ficção distopico, eu vejo muita gente explicando como o mundo ficou daquela forma, e isso não é necessário. Quando se explica o trajeto do mundo, é quase como ver as cenas de bastidores do livro, você descreve uma ideia bacana, e que esta por traz daquele seu mundo, mas de um jeito de incluir os pontos importantes na trama, e se não tiver como, talvez eles nem devessem estar ali. Nem tudo precisa ser dito.

Eu até entendo um capitulo em separado explicando tudo, pode ser interessante para quem quer se aprofundar mais na historia e na criação do autor, mas nenhuma informação relevante à trama tem que aparecer nele.

E sobre os personagens, jamais diga como ele é, mostre como ele é! Não fale que um personagem é impulsivo, o faça fazer algo que vai deixar claro que ele é impulsivo, ou talvez até faça alguém contar uma historia do passado dele que mostre o quanto ele é impulsivo. Se você precisa falar que ele é agressivo, carinhoso, que ele tem um relacionamento bom com fulano, que ele é gentil, procure um espaço para o personagem mostrar para o leitor isso, e, se não tiver espaço na historia, talvez nem seja tão necessário assim dizer isso…

E é isso, e eu acabei deixando muitas coisas de fora para não ficar muito grande o texto, mais talvez no futuro eu fale mais sobre esses assuntos. Enfim, o autor Patrick Rothfuss é muito bom mesmo, e o modo como ele conduziu sua historia é uma aula! Vale a pena ler os livros dele. E lembre-se sempre disso, quando estiver escrevendo algo: Não conte, mostre!

Um pequeno trechinho do livro, que tem muita poesia no seu meio também… ^^:

      “A Maior faculdade que nossa mente possui é, talvez, a capacidade de lidar com a dor. O pensamento clássico nos ensina sobre as quatro portas da mente, e cada um cruza de acordo com sua necessidade. Primeiro, existe a porta do sono. O sono nos oferece uma retirada do mundo e de todo sofrimento que há nele. Marca a passagem do tempo, dando-nos um distanciamento das coisas que nos magoaram. Quando uma pessoa é ferida, é comum ficar inconsciente. Do mesmo modo, quem ouve uma notícia dramática comumente tem uma vertigem ou desfalece. É a maneira de a mente se proteger da dor, cruzando a primeira porta.

      Segundo, existe a porta do esquecimento. Algumas feridas são profundas demais para cicatrizar depressa. Além disso, muitas lembranças são simplesmente dolorosas e não há cura alguma a realizar. O provérbio “O tempo cura todas as feridas” é falso. O tempo cura a maioria das feridas. As demais ficam escondidas atrás dessa porta.

      Terceiro, existe a porta da loucura. Há momentos em que a mente recebe um golpe tão violento que se esconde atrás da insanidade. Ainda que isso não pareça benéfico, é. Há ocasiões em que a realidade não é nada além do penar, e, para fugir desse penar, a mente precisa deixá-la para trás.

      Por último, existe a porta da morte. O último recurso. Nada pode ferir-nos depois de morrermos, ou assim nos disseram…”

Se alguém tiver interesse em comprar o livro:

AmazonSubmarino / Saraiva

       E se você tem algum texto por ai de ficção especulativa, seja contos em um blog, livro publicado ou algo mais alternativo, ou se só estiver começando agora sua carreira de escritor e quiser alguma ajuda, não hesite em falar comigo! ^^