Olá pessoal! Sejam bem-vindos a mais um post! Eu vou dar uma dica hoje de um livro que teve um efeito em mim parecido com uma pancada. Eu estou falando da Companhia Negra, de Glen Cook! E vou falar um pouco das características da temática e do texto que me surpreendeu bastante!

“A Companhia Negra é um grupo de mercenários com uma história que remonta a séculos.

Numa tentativa de reviver o passado de glórias, A Companhia Negra se une ao exército da Dama, uma feiticeira de poder inigualável que acordou de um sono de eras para reconquistar tudo que perdeu.

A Companhia se vê envolvida, então, em muito mais do que campanhas militares: ela precisa sobreviver aos conflitos extremamente traiçoeiros entre os servos da Dama. Num mundo onde a magia está presente em cada esquina, toda rua esconde segredos maravilhosos e perigos mortais. ”

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       A Companhia Negra é um livro de fantasia medieval, com uma temática mais dark fantasy. Ela se passa em um mundo bem… digamos assim… “sujo”. O protagonista da história é o Chagas, médico desse grupo de mercenários que é a Companhia Negra, além de ser também quem registra a história deles. Essa série tem três livros traduzidos para o português e uma pancada a mais em inglês. Os três livros que foram traduzidos fecham o arco inicial, e eu vou falar aqui só do primeiro que foi lançado originalmente em 1980.

       A companhia não é um grupo de heróis, eles servem a quem pague mais, mas ainda assim tem um certo código de honra e, devido alguns acontecimentos orquestrados, acabam trabalhando a serviço desse ser maligno que é a Dama, uma antiga feiticeira tirana que voltou à vida recentemente, e para os seus servos, Os Tomados, que eram seres poderosos que se opuseram a dama na primeira tentativa dela de conquista, mas acabaram sendo derrotados e escravizados. Eles despertaram recentemente e estão em uma guerra contra rebeldes “do bem”. O livro não é maniqueísta e ele faz questão de mostrar que o “bem” não é lá muito melhor que o mal. A Dama é a personificação da maldade, mas os líderes rebeldes não são santos também.

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O ponto forte desse livro, pelo menos para mim, foi a forma como ele foi escrito, que é rápida e forte. O ponto de vista da história é o de Chagas, então só vai ser descrito o que ele vê, ouve ou pensa, e nada a mais. O autor não descreve NADA além do necessário (e muitas vezes até o necessário é deixado de lado XD). E não para de acontecer coisas durante o livro inteiro! Eu fui pego de surpresa no início, com a enxurrada de texto e história e acontecimentos que eu não entendia, por isso que eu falei da voadora na cara, que me deixou até tonto nos primeiros capítulos. Para compreender o mundo (ou tentar) você tem que continuar lendo para pegar mais detalhes nas conversas, nas coisas que o Chagas acaba presenciando, nos acontecimentos da guerra… e ir juntando as peças enquanto acompanha a história da companhia. Nada é explicado explicitamente. No máximo você tem os pensamentos e opiniões do Chagas. Tem uma exceção a isso que são as cenas de guerra mais para o final, que são bem narradas até, com bastante detalhes. Eu curti muuuuito o estilo dele, mas entendo que é só questão de gosto.

Enfim, mesmo com o texto bem conciso, Glen Cook apresenta um mundo muito legal e personagens incríveis, tanto os membros da Companhia como os Tomados a serviço da Dama.

Um detalhe que eu queria apontar é que não existem propriamente nomes no livro, só apelidos, o que é incrível XD. Chagas é o médico da equipe, o tenente se chama Elmo, o capitão é chamado só de Capitão, o cara que perdeu um olho é o Caolho, a garotinha pequena é a Lindinha… e assim por diante. Até mesmo a Dama e os seus servos só tem pseudônimos, e não nomes. Isso ajuda você a sacar as características de um personagem logo de cara, como o Manco e o Metamorfo, além de te fazer pensar no porquê de alguns nomes existirem, como o Arauto da Tormenta e o Roedor de Ossos. Eu achei isso muito bom XD.

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É basicamente o que eu falei no post do Nome do Vento só que de uma maneira diferente, eu ouvi uma frase muito boa de uma escritora que eu respeito muito, que é “Ele esconde o que mostra e mostra o que esconde”.Então, se vocês forem ler eu recomendo paciência, pois muita coisa vocês vão ter que ir pegando aos pouquinhos e o início é bem corrido. Eu sei que é uma questão de gosto, eu me amarrei no livro, mas tem gente que não vai curtir muito. Se você for alguém mais interessado em mundos ricos e bem construídos e só está buscando uma leitura casual, esquece a Companhia Negra, ela só diz o suficiente para contar a história (não estou dizendo que o mundo não é bom, ele é, só estou falando que não é entregue em longas descrições e detalhes no livro).

Mas se você gostar de uma leitura mais concisa, focada na história dos personagens e não no mundo, com um texto rápido e direto, a Companhia Negra é o seu livro!

E se você for escritor, eu recomendo muito que você ESTUDE esse livro, a narrativa dele é única. Focada e direta, sem deixar de apresentar personagens e trama. É algo a ser observado de perto. Mesmo que você não goste, é interessante conhecer esse método. Eu tenho certeza que vai melhorar o seu próprio texto.

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