Bom dia/tarde/noite pra vocês! Tudo bem? Que bom. Eu também estou bem, muito obrigado. Hoje eu assisti o novo filme de Star Wars, Rogue One, e deixando meu lado mais crítico de lado e dando voz ao fã que existe em mim, achei o filme do ca%$#*! E eu me empolguei para falar de como o gênero de space opera e a ficção cientifica está em alta atualmente. Naturalmente seria bom eu falar de algum livro de star wars, mas isso seria muito comum para mim (e tirando o fato de que eu nunca li nenhum livro de star wars XD), então eu decidi falar de um clássico feita por um autor sensacional! A Trilogia da Fundação, de Isaac Asimov!

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PSICOHISTÓRIA – …Gaal Dornick empregando conceitos não matemáticos, relacionou e definiu a psico-história com o ramo da matemática em relação às reações de grandes aglomerados humanos a estímulos econômicos e sociais…

…. Subentendido em todas estas definições está o avocar-se que o aglomerado em questão está suficientemente desenvolvido para um tratamento estatístico válido. A dimensão necessária de tal aglomerado pode ser determinada pelo primeiro teorema de Seldon, que…. É ainda imperativo que o aglomerado em si seja desconhecedor da análise psico-história a que se acha submetido, para que todas as suas reações tenham validade…

A base da psico-história encontra-se no desenvolvimento das funções de Seldon, as quais exibem propriedades coerentes com tais forças econômicas e sociais, a medida em que…

Enciclopédia Galáctica

      Isaac Asimov dispensa comentários, ele é um gigante da ficção cientifica, uma lenda, muito conhecido pelas leis da robótica, então acho desnecessário falar aqui dele, vou me ater a falar de uma de suas obras mais conhecidas. Os livros da fundação, lançados por aqui pela Editora Aleph. Ela possuía vários livros que compõem a serie do Império Galáctico, mais eu vou me focar aqui apenas na trilogia principal da fundação. Vou dividir as pequenas sinopses por livro, e depois vou falar um pouco de uma maneira geral do livro.

Fundação, primeiro livro.

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       Em um futuro distante, a raça humana colonizou toda a galáxia, e fundou um poderoso império galáctico, que governava cada canto do universo povoado pela raça humana. Estava no seu ápice e parecia que duraria para sempre.

       No entanto, o professor Hari Seldon criou uma intricada ciência chamada de psico-história, uma fusão de matemática e sociologia, que transforma todas as ações de uma sociedade em equações matemáticas, o que faz com que os rumos que uma sociedade possam ser previstos. Ele usa essa nova ciência e faz uma revelação agourenta, o império vai entrar em declínio em 500 anos, e após isso, a raça humana vai entrar em um tempo de barbárie e vai levar 30000 anos para se reerguer. E com isso ele propõem a criação do que no início seria uma enciclopédia galáctica, que reuniria todo o conhecimento da raça humana, com isso, ele diz que vai diminuir o tempo de selvageria para 1000 anos. Mas, os planos deles eram outros, ele iria criar a Fundação, uma organização política que centralizaria nela todo o conhecimento a tecnológico e de engenharia, evitando que essas se perdessem nos tempos de barbárie que viriam.

“…

Gaal hesitou — Referiu-se a você como “Corvo Seldon”.

— Não lhe disse por quê?

— Disse-me que o senhor predizia uma catástrofe.

— É verdade. Trantor tem algum significado para você?

Todo mundo parecia muito interessado na sua opinião sobre Trantor desde que chegara. Gaal no entanto não se sentia capaz de responder senão com uma palavra ”Glorioso!”

— A sua resposta é irrefletida. E a psico-história?

— Não pensei aplicá-la no caso.

— É preferível aplicá-la.

— Antes de nossas relações chegarem ao fim, meu jovem amigo, terá que aprender a aplicar a psico-história a todos os problemas por mais rotineiros que lhe possam parecer. Observe. Seldon tirou da algibeira o seu calculador.

Dizia-se que até debaixo do travesseiro ele guardava um, para os momentos de insônia. O calculador estava consumido pelo uso; e os dedos de Seldon, gastos mais pela idade, acariciaram o rijo plástico que o guarnecia. Símbolos vermelhos saltaram da matéria cinzenta.

— Eis as atuais condições do Império.

— Parece-me que essa representação não está completa – disse Gaal finalmente.

— Não, não está completa – concordou Seldon. – Alegro-me que não aceite cegamente a minha palavra. Todavia isto é uma aproximação que serve bem para demonstrar a proposição. Acha aceitável?

— Sim, mas dependendo da minha verificação – Gaal estava decidido a evitar qualquer armadilha.

— Bom. Acrescente a tudo isto a probabilidade do assassinato do Imperador, revoltas dos vice-reis, o regresso periódico a crises de depressão econômica, o declínio da exploração dos planetas…

Parecia nunca mais chegar ao fim; para cada razão mencionada, novos símbolos surgiam, integrando-se na função básica que se expandia e mudava.

Gaal só o interrompeu uma única vez:

— Não vejo a validade dessa transformação de valores.

Seldon repetiu-a, porém, mais lentamente.

— Isso é feito por meio de uma operação de valores sociais, proibida — interrompeu Gaal, outra vez.

— Bom. Você é rápido mas não o é suficientemente. Não é proibida nessa relação. Vou provar-lhe pelo método da expansão.

O processo era mais lento, mas ao final Gaal disse humildemente:

— Obrigado, agora compreendo.

Seldon terminou:

— Isto será Trantor daqui a cinco séculos. Qual é a sua interpretação? Ahn? — Inclinou a cabeça e aguardou.

— Destruição total! — Exclamou Gaal — Mas… é impossível. Trantor nunca esteve…

Seldon apoderara-se de uma excitação febril, intensa, pois apenas o seu corpo envelhecera com os anos.

— Vamos, vamos, viu como eu obtive o resultado? Transformei os números em palavras. Esqueça por instantes o simbolismo.

Gaal interpretou:

— À medida que a especialização em Trantor aumenta, mais vulnerável, mais indefesa se torna. Além disso, quanto mais se tornar um centro administrativo do Império, mais valiosa se torna como presa. A incerteza da sucessão imperial aumenta as lutas entre a nobreza e origina o desaparecimento da responsabilidade social.

…”

       Os livros são divididos em pequenos contos que vão dando saltos no tempo. O primeiro livro narra a história da criação da Fundação, e logo em seguida o seu desenvolvimento, contando com a psico-historia como uma fé, e com o holograma de Hari Seldon, que de tempos em tempos aparece para dar dizer os rumos que havia previsto. Conforme o império vai caindo, todo o planejamento de Seldon é posto à prova, a fundação se desenvolvendo e se tornando uma grande potência militar e tecnológica, enquanto todo o resto cai em decadência, e é isso que vemos no primeiro livro.

Fundação e Império, segundo livro.

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       O segundo livro é dividido em duas partes, sendo a primeira uma história envolvendo os resquícios do império galáctico em uma guerra contra a fundação. E na segunda parte vem o grande vilão da série, alguém conhecido como o Mulo, que de alguma forma, sozinho, estava mudando os planos de Seldon e vencendo a Fundação. Como Seldon sempre dizia, as ações de uma massa de pessoas podem ser previstas, mas a de um único individuo não, e o Mulo era só uma pessoa que estava mudando os rumos previstos na psico-historia. E aí é retratada uma corrida para derrotar esse misterioso personagem e colocar a história de volta nos trilhos da psico-historia. E é nesse livro onde é apresentado um segredo de Hari Seldon: Uma Segunda Fundação, secreta e escondida, feita com propósitos misteriosos.

A Segunda Fundação, terceiro livro.

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       Falar qualquer coisa do terceiro livro seria meio que um spoiler, eu acho. Tem muitas coisas das quais eu já falei aqui que poderiam ser consideradas spoilers, pois vários desses contos são quase thrillers espaciais, onde te deixa tenso saber o que vai acontecer. Em homenagem a segunda fundação, eu vou fazer uma seção “escondida” no final desse post para falar com spoilers sobre tudo.

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       Entre os pontos que eu gostaria de falar do livro, o primeiro é sobre a escrita de Isaac Asimov, ele coloca muito dialogo, e são sempre diálogos super corridos, um seguindo o outro sem nem uma descrição de cenário entre as falas e raramente uma descrição de expressão dos personagens. Ele faz a história ser resolvida em diálogos. Eu gosto disso, faz o livro ganhar velocidade.

       O segundo ponto que eu gostaria de focar é o fato do mundo dele estar intimamente ligado com a história dos personagens. Em essência, a narrativa sendo contada é a da Fundação e da Segunda Fundação e as dificuldades encontradas por elas, mas em poucas páginas, ele consegue introduzir bem personagens tão bem conectados com o mundo, que, sem você sequer perceber, ele fala a história de mundos e de coisas imensas em uma escala universal, e você ainda sente a intimidade de estar acompanhando personagens, e não algo frio e distante. Tanto que eu fui reparar depois que nenhuma das muitas histórias é formada envolta de personalidades. Eles têm suas características, mas se você prestar atenção, elas são até meio irrelevantes, talvez o Mulo seja uma exceção, pois, acompanhando a trama também nesse caso, o Mulo é uma pessoa que sozinha muda o universo, o que faz a personalidade dele ser relevante.

       E o terceiro ponto que chama atenção, e na minha opinião um dos pontos fortes do livro, é a inteligência do Asimov! Ele é muito bom! O universo e as tramas que ele cria são fantásticas, e como tudo se resolve é de cair o queixo! Isso não só na fundação, mas em diversos outros livros dele. Ele estabelece um conjunto de regras e cria um monte de dificuldades com esse conjunto de regras e acaba com uma conclusão que não é forçada, e você sente “cara, isso faz todo sentido”, Isaac Asimov é um nome a ser lembrado. Se você nunca leu nada dele, você está perdendo muita coisa.fundacao4

       Por mais que eu tenho colocado no título o nome space opera para atrair clicks (XD) eu não sei se Fundação pode ser considerada uma Space Opera. Eu sempre achei que esse gênero fosse a “ficção cientifica” mais perto da fantasia possível, onde você tem um monte de raças, planetas e tecnologias que meio que não fazem sentido, e ninguém se esforça em explicar. Por mais que A Trilogia da Fundação tenha viagens e batalhas espaciais, ela é muito mais contida que um Star Wars, por exemplo. Além do fato de só ter humanos, e a tecnologia não ser tão loca assim, e o principal, o foco da Fundação é a psico-historia e a construção social, e não as batalhas e viagens espaciais. Fica aí a dúvida, Fundação pode ser considerada Space Opera?

       Enfim, Isaac Asimov não virou uma lenda atoa, e se você leu qualquer coisa dele, sabe do que eu estou falando. Se você ainda não leu nada dele (shame on you) eu recomendo começar ou pela Trilogia Fundação, ou pelo Eu, Robô uma coletânea de contos muito famosa dele. Mesmo se você não se ligar muito em ficção cientifica, de uma chance para Asimov, eu acho que você vai curtir a inteligente construção de história dele.

       Mas qual foi a desculpa que eu dei para trazer Asimov até vocês? O fato da ficção cientifica estar explodindo aí na cara de todo mundo!

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       Começando com o ultimo Hobbit, e o fato de ter Star Wars todo ano, eu tive a sensação de que a fantasia começou a sair do gosto popular, vocês não acham? Eu estava olhando as estreias desse ano e não tem nenhuma fantasia grande para estrear, e além disso eu estou vendo cada vez mais grandes block busters de ficção cientifica. Coisa que normalmente não teria saído do papel, tipo o Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. Eu comecei a pensar nisso depois que eu vi um post no facebook do escritor Ricardo, do Blog RicardoEscreve, e quando eu sai da sessão do Rogue One empolgadaço com todo esse universo espacial e querendo muito consumir mais coisas desse tipo, eu percebi o sinal. Eu creio que a ficção cientifica, e mais especificamente a Space Opera, estão em uma onda promissora que os escritores deviam prestar a atenção para eventualmente surfar nela. Eu não tenho tanto conhecimento do mercado para saber quando essa onda começou e em que estágio ela está, mas eu sei que vai ter um Star Wars POR ANO! Se bobear, daqui a pouco tem até dois…. Isso deixa o público mais receptivo a certos tipos de histórias.

        Então se você tem algum texto engavetado de ficção científica ou tem alguma ideia que você considere boa, pode ser a hora de começar a trabalhar para ir junto com essa onda espacial. E outra dica bacana, fique sempre atento para o que está acontecendo no mercado do entretenimento, vai te ajudar muito a vender a sua obra.

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O Primeiro Livro da Fundação: Amazon / Submarino / Saraiva

Trilogia da Fundação:  Amazon / Submarino / Saraiva

SPOILERS/ Esse livro é muito bom, eu gosto mais das primeiras partes antes do Mulo parecer, onde você fica vendo a psico-historia acontecendo. Na abertura do segundo livro, onde o último imperador de um império decadente tenta guerra com a Fundação, e por causas de intrigas políticas e por ser um líder fraco, acaba acontecendo uma briga entre o imperador e o seu principal general, e os dois personagens principais não fazem NADA! Eles tentam, tentam salvar a fundação heroicamente, mas falham em tudo! E a história se salva sozinha, um belíssimo exemplo da psico-história.

       Quando o Mulo aparece meio que a história sai do nível mais humano e vai para algo mais viajado. O Mulo é um mutante que controla emoções, é assim que seu exército vence todas as batalhas. Quando ele descobre que existe uma segunda fundação ele fica paranoico, achando que essa segunda fundação vai derrota-lo, e começa uma busca a segunda fundação. A primeira Fundação ela era uma junção de todos os cientistas das áreas mais exatas e ninguém lá sabia como funcionava a psico-historia. Na segunda Fundação eram o pessoal que cuidava das ciências mais humanas, como a psicologia, sociologia, etc…. e eles sabiam usar a psico-história e estavam manipulando tudo para que, no futuro, se tornassem líderes do novo império que surgisse. Eu imaginei mil coisas da segunda fundação quando ela é citada, mas o que eles fazem é CONTROLAR MENTES! Que é exatamente o que um engenheiro hoje em dia pensa de um psicólogo rsrs XD. Eu achei essa solução meio fraca, e como eu disse, a história vai para um nível diferente. Só queria compartilhar isso com vocês. /SPOILERS.

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