Bom dia galera! Tudo bem aí? Como está a família de vocês? Espero que bem. Hoje eu vou falar de duas coisas, o livro Crônicas da Tormenta, uma antologia de contos que reúne muitos autores legais, como Leonel Caldela e Raphael Draccon, em histórias ambientadas no maior cenário de RPG nacional, o cenário de Tormenta!

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      Vou tentar ser o mais breve possível para esse post não ficar gigantesco. XD

       O livro Crônicas da Tormenta foi lançado pela Jambô Editora, organizado pelo J.M. Trevisan, e reúne 14 histórias de vários autores, alguns bem conhecidos do publico em geral, outros mais do nicho Rpgistico, mas todos eles muito talentosos. Embora eu tenha achado alguns contos melhores que outros, todos eles mantem um bom nível, e eu não encontrei nenhum texto ruim.

       Se você não sabe o que é RPG, seria legal dar uma olhada aqui. 🙂

       Como eu disse antes, todos os contos se passam no cenário Tormenta RPG, e esse é um cenário muito importante para mim, que fui apresentado a ele quando era muito novinho, e posso dizer que isso teve um papel importante para que a minha paixão pela fantasia nascesse. Devo confessar que a minha nostalgia possa ter interferido no quanto eu gostei das histórias. XD

       Em momento nenhum lendo o livro eu achei que fosse necessário conhecer o cenário para gostar dos contos. A maioria das referências são bem tranquilas de entender e sempre bem explicadas (Uma guerra acontecendo por ali, os dogmas de um certo deus…). O conhecimento do mundo pode aprimorar sua experiência, ainda mais quando personagens famosos de Tormenta aparecem, mas não existe necessidade de se “estudar” o cenário antes.

       E uma última observação geral, a minha mente acostumada com RPG viu que os a maioria dos contos deixa alguma “ponta solta”, no bom sentido. Algum personagem, algum lugar ou alguma lenda como “herança” para o mundo de Tormenta. Talvez tenha sido minha mente RPGistica que viu as coisas dessa forma, mas eu achei isso excelente, e me deu várias ideias para minha campanha de RPG. XD

       Enfim, vamos aos contos…


História de Herói – Leonel Caldela

       Voltei ao meu velho inimigo Hershey, pois precisava enterrar meu pai. E Hershey não foi clemente, Hershey me atacou pelas costas. Hershey não conhece honra, prefiro enfrentar um dragão.

       Hershey, o Reino da Guloseima, foi onde cresci. De onde fugi, assim que tive chance, espada na mão. Em Hershey, as pessoas se orgulham de preparar doce e baixar a cabeça.

       Galdwin, um paladino do deus da justiça, tem que voltar para sua casa por causa da notícia da morte de seu pai.

       Esse é o conto de abertura da antologia, escrito pelo conhecido Leonel Caldela. O lugar para onde o paladino tem que voltar é Hershey, um reino conhecido por sua fabricação de doces e sua fraqueza militar. Atualmente está sobre o controle de uma nação bem mais forte, o Império de Tapista, uma nação de minotauros que acredita no domínio da força acima de tudocronicas-da-tormenta-4

       No conto o autor mostra muito da diferença de personalidade entre um herói aventureiro e uma pessoa comum, com um foco bem grande nas personalidades odiosas das pessoas que faziam parte da vida do paladino, justificando o fato dele odiar o lugar de onde viera. E ainda temos, em trechos no meio do conto, uma conversa cheia de simbolismo entre Khalmyr, o deus da justiça, e Tauron, o deus da força e dos minotauros.

       Leonel Caldela é um autor muito bom. E tem diversos outros livros, tanto no mundo de tormenta quanto fora. É dele também a trilogia da tormenta, uma das principais literaturas desse cenário.

Twitter: @leonelcaldela


Teopatia – Remo Disconzi

       “Zerimar! Aqui! Se estiver me ouvindo, pisque duas vezes.”

       Zerimar suprimiu um grito ao ver a cabeça de porco, pendurada no gancho, se dirigir a ele. Outra vez. Largou o cutelo, correu até os fundos do estabelecimento e mergulhou a cabeça em um balde de água gelada. Os cabelos, que precisavam de corte, chicotearam respingos quando emergiu, ofegante.

       Uma história quase de terror psicológico, onde um açougueiro chamado Zerimar recebe um “chamado” de um deus que “vive” aprisionado na carne de outras pessoas. O açougueiro acaba se tornando o apostolo de um culto de morte nas entranhas da maior cidade do mundo.

       Remo Disconzi, por mais que seja “oficialmente” ilustrador, é um baita escritor de mão cheia! Esse conto é bizarro, surreal e bem escrito. Ele ainda tem outro conto na antologia, e os dois mostram uma desenvoltura com a escrita que é difícil de ver por aí.

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Valkaria, a cidade sob a Deusa

O Último Golpe de Javelin – Claudio Villa

       Em um mundo como Arton, não é fácil conseguir algum dinheiro, especialmente quando não se está disposto a trabalhar duro por ele. Javelin tinha um estilo diferente, preferia aliviar os pesados bolsos dos mais ricos, encarando isso como ‘uma ajuda involuntária daqueles que tiravam tanto dos que tinham tão pouco’. Nunca permitiu que bobagens como princípios e honestidade o atrapalhassem e era sobre esse credo que o ladino vivia cada um de seus dias.

       Javelin “pés descalços” é um ladrão e trapaceiro que vive de golpes e roubos por todo o mundo. Ele tenta mais um golpe contra uma sacerdotisa da deusa da paz, mas as coisas acabam não saindo como ele planejava…

       Esse conto é bem divertido, o Javelin é um personagem bem safado e carismático.

       O Claudio Villa é escritor de fantasia, e já publicou Pelo Sangue e Pela Fé e O Vento Norte, e vocês podem sabre dele mais no site Mundos de Mirr.


Ária Noturna – Marlon Teske

     O mar lhe fez verdadeiramente forte, e a música o acompanhou também ali. Tocava violino enquanto seus comandados abordavam e pilhavam. O arco do instrumento, uma espada, bebia do sangue daqueles que se colocavam em seu caminho.cronicas-da-tormenta-8

       Jean-luc é um pirata experiente, que, no momento de sua execução por afogamento, acaba lembrando-se da última exploração que o levou até aquele momento: A busca pela Ilha Pequena, um lugar habitado por um povo primitivo e com riquezas em abundância.

       Esse é um dos contos mais legais na minha opinião. E tem o melhor personagem do livro XD. Jean-luc é um capitão pirata cheio de tatuagens místicas, e só pela descrição de como ele toca seu violino enquanto a sua tripulação luta, só se interrompendo para matar algum inimigo com o arco do violino (que também é uma espada) já vale a pena!

       O autor tem um site próprio, que vocês podem conferir aqui.

Twitter: @marlonteske


Canção Para Duas Vozes – Ana Cristina Rodrigues

        Victor de Rochefoucauld, um bardo famoso e de muito sucesso, mas que tem medo de seu nome se perder no tempo, vai atrás de inspiração para fazer a música que irá ser lembrada para sempre, e no caminho ele acaba encontrando Crisobel, uma barda elfa que está começando, e que está atrás de fazer uma música que irá tirar o nome dela do anonimato. Os dois buscavam a inspiração chegando o mais perto possível de uma área de Tormenta, um lugar completamente hostil, onde chove ácido, habitado por demônios horrendos e destrói a sanidade dos que tem algum tipo de contato com ela. Nessa jornada eles acabam tendo contado com horrores tanto da própria Tormenta quanto os que vem da raça humana.

      Esse conto é muito legal, os dois bardos acabam se completando bem como personagens, e o desafio que eles encontram é bem bacana.

       A Ana é uma escritora de fantasia muito boa, E ela tem material lá no wattpad ^^

Wattpad: @anarodrigues

       E se vocês quiserem saber mais da carreira dela, está tudo bem detalhadinho pela própria nesse link! E ela tem um baita currículo. XD


Revés – Douglas MCT

       Esse conto mostra Mona, uma garotinha que sofre maus tratos em casa e acaba encontrando um lugar magico (assombrado?) que pode ser uma fonte de alivio.cronicas-da-tormenta-12

       Esse é um conto muito peculiar. A escrita dele é bem diferente das outras histórias. Como o autor tenta colocar a visão carregada de inocência e apatia da menina, as coisas não têm uma descrição usual. É uma leitura muito interessante, mas que tem que ser feita sem pressa.

       O que eu pensei enquanto lia é em um terror bizarro pelos olhos de uma criança que tem uma vida tão ruim que aquilo tudo perde o poder de assustar.

       Douglas MCT é roteirista e tem vários trabalhos, incluindo a série de livros Necropolis.


O Perfil do Escorpião – Rogerio Saladinocronicas-da-tormenta-11

       Essa história acompanha Abdullah, um guerreiro do deserto e servo de Azher, o deus-sol, servindo como guia de uma caravana de mercadores para dentro do deserto da perdição, e descobrindo os perigos que as areias do deserto escondem.

       Abdullah é um personagem conhecido no cenário de Tormenta, e esse conto explora ele e os perigos do deserto da perdição. Uma aventura bem divertida, com um final irado.

       E Rogerio Saladino é editor e escritor, e um dos criadores do cenário de Tormenta!

Twitter: @rogeriosaladino


Lua das Trevas – Leandro Radrak

       — Me veja mais um caneco desta coisa, taverneiro — pediu o estranho, tragando o que sobrara da primeira dose. — E se apresse com a tal iguaria… Não pretendo ficar muito tempo.

Então ele olhou para mim. A expressão séria trazia uma carga de desapontamento. Eu conhecia bem aquele olhar. Era a expressão de que algo deu errado. Por instinto, olhei mais uma vez para o que sobrara de sua orelha e depois encarei o chão.

— Já ouviu falar do assassino da Lua de trevas? — Perguntou ele.

— Não — respondi prontamente. Jonas secava os braços em seu avental sujo.

— Vou colocá-lo a par do que tal assassino tem feito…

       Esse conto acontece em dois tempos. Um bêbado em uma taverna de qualidade duvidosa entra em contato com um aventureiro que começa a contar a história de um assassino em série, que só ataca nas noites de lua nova e só mata servos de Khalmyr, o deus da justiça.

       Esse é um texto que cresce em cima do mistério, que vai lentamente se revelando a respeito do destino de uma vítima do assassino e do possível destino da próxima…

       Muito bem escrito e ambientado pelo autor Leandro Radrak, que também é o autor da Trilogia – Legado de Goldshine, entre outros.

      Ele também mante o site Grinmelken.com

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Hedryl – Raphael Draccon

O som da chuva batendo nas armaduras que serviam de mortalhas a homens sem pedaços foi a primeira sensação.

A segunda foi o cheiro da carne putrefata.

A terceira foi o gosto de sangue.

Era estranho o gosto de sangue ter sido apenas a terceira sensação. Mas o foi.

Em verdade, não se escolhe coisas assim.

       Um paladino derrotado se levanta em meio aos mortos no campo de batalha. A vila onde ele estava foi destruída pela Aliança Negra, uma horda de goblinoides cruéis, e ele reúne os poucos sobreviventes e parte atrás dos monstros em busca de justiça (ou seria vingança?).

       A forma como o autor descreve as cenas aqui é muito boa. Eu vou sempre me lembrar da agonizante descrição da cura mágica. Sem falar nas batalhas ferozes. E a maneira como ele trata os ideais do paladino é incrível, colocando sempre esse paralelo entre vingança e justiça, e ele não hesita em descrever as coisas violentas.

       Raphael Draccon fez aqui um conto excelente, e é um dos meus preferidos da antologia. Ele é um autor famoso de fantasia pela sua trilogia dos Dragões do Éter, entre outros livros, e tem um site próprio.

Twitter: @raphaeldraccon

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O Rouxinol e os Espinhos – Remo Disconzi

       Um nobre, entretido com a nova ideia do mecenato, e em busca de um bom artista para ganhar um concurso, acaba comprando um(a) elfo(a) escravo(a) pela sua voz lírica, mas esse(a) elfo(a), com alguma ajuda inesperada, pode acabar tirando a paz dos nobres de toda a cidade.

       Esse conto é mais um bom de Remo Disconzi. Sério, ele manda muito bem aqui. Ele trabalha muito bem com as palavras! Deixando a beleza e poesia do texto mais um atrativo a história criativa e estranha que ele cria. Eu acho que, tecnicamente, esse é o melhor conto da antologia.

       O conceito de nobreza evoca atributos de magnanimidade e excelência. As linhagens nobres que fundaram Ahlen — Vorlat, Schwolld e Rigaud —, todavia, são evidência de que conceitos não resistem bem ao toque cáustico da realidade. Rhoeo Rigaud era um exemplo prático da degeneração que o ideal sofre ao se tornar coisa concreta. Foi submetido a uma educação primorosa da qual, com esforço extraordinário, não absorveu um fragmento sequer — mas compensava isto com um talento natural para a descompostura e a beberronia. Despindo-se da adolescência, aceitou com afinco as funções de aristocrata adulto que, em sua situação, eram sinônimo de ostentação. Sua família, mais que satisfeita por ele ter perdido o gosto pueril por duelos — coisa deselegante e que fazia uma sujeira tremenda —, não tinha ressalvas em bancar seu novo brinquedo: o mecenato.


Arautos da Guerra – Antonio Augusto Shaftiel

       Quatro servos do deus da guerra estão em uma busca por um artefato lendário do seu deus, só que só foram mandados nessa missão quase impossível por serem problemáticos demais para continuar com os outros sacerdotes.

       Esse conto tem os personagens muito legais, o que deixa a história super divertida. Eu não curti muito o iniciozinho descritivo didático desse conto, mais ainda assim achei um dos mais divertidos do livro, pelas características iradas dos quatro combatentes servos de Keenn.

       E Antonio Augusto Shaftiel é um autor conhecido no cenário de RPG nacional, tendo lançado tanto romances quanto livros de regras.


Vingador de Aço – Marcelo Cassaro

       Taskan, um bárbaro das montanhas sanguinárias e seu companheiro grifo Rigel, estão escondidos em um templo quando ouvem notícias de algo que a muito tempo os persegue, e veem que chegou a hora de finalmente confrontar essa coisa do passado.

       Mas um personagem conhecido do cenário, tanto o autor quanto o protagonista XD. Esse conto é bem legal, e tem um final no mínimo inesperado. O vilão dessa história é muito bacana.

       E Marcelo Cassaro é um dos criadores do cenário de Tormenta e um baita escritor e criador de vários quadrinhos legais, como a série Holy Avenger. Atualmente ele é roteirista da Turma da Monica Jovem. ^^

Twitter: @marcelo_cassaro

       Eu estava ajoelhado diante do altar, buscando comunhão com Khalmyr, o Deus da Justiça, quando meu mestre entrou no saguão. Sua voz soou rouca sob a máscara negra que cobria-lhe o rosto, deixando à mostra apenas os olhos.

       — Os camponeses falam de uma patrulha encontrada perto daqui, jovem Taskan. Todos mortos. Espadas quebradas. Armaduras de aço rasgadas em tiras

       O efeito daquelas palavras em mim foi como o soco de um punho gelado, perfurando-me o peito e agarrando meu coração. Lutei contra a tontura súbita, fiquei de pé e virei-me para olhar meu mestre: a figura encapuzada de negro lembrava um assaltante vulgar, mas eu conhecia o monge benevolente oculto sob aquela aparência sombria.

       — Então — falei, a voz falhando-me — ele finalmente me encontrou.

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Ressurreição – Leonel Caldela

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       Quatro vilões que, por estarem ligados por uma estranha maldição, formam um grupo do mal. Até que Ellen Redblade decide sair atrás de uma forma de quebrar essa maldição e se livrar dos seus atuais comparsas…

       Esse grupo é efetivamente um grupo de aventureiros padrões só que maligno. Eles já eram conhecidos no cenário de Tormenta, e eu nem preciso falar que Leonel Caldela mais uma vez escreve muito bem. ^^


O Cerco – J.M. Trevisan

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       “Apesar de seus conflitos, Ghurrar admirava a eficiência com que a Aliança Negra avançava, tragando vilas e cidades como uma enorme fera faminta. Durante a noite, lembrava-se dos longos ataques a Yllorann e Aworath. Do fogo crepitante das casas incendiadas. Dos gritos desesperados e do som retumbante das pedras cuspidas por suas armas colossais de encontro às gigantescas muralhas dos fortes.

       Por isso ainda seguia Thwor Ironfist. O punho de ferro do Deus da Morte, Ragnar.

       Ninguém na história de todas as raças goblinoides havia conseguido unificar todas as tribos existentes em Lamnor. Ninguém na história do mundo de Arton havia conquistado tanto em tão pouco tempo. Humanos, elfos e todas as outras raças haviam finalmente recebido de volta toda a dor que haviam causado. E eles?

       Eles agora tinham todo um continente. Todo um reino. Um Reino Bestial. ”

       O taverneiro halfling Boghan e seu antigo amigo elfo Thalin tem de lidar com o ataque massivo da Aliança Negra a sua cidade.

       Pelo meu lado fã, eu gostei pra caramba desse conto. A aliança negra ter tomado metade do mundo não foi uma coisa gentil, e poder ver parte de como foi essa guerra pelos olhos de pessoas comuns é muito bacana. O que não faz a história ser ruim para quem não tem essa bagagem, por que os dois protagonistas são bem legais. ^^

       J.M. Trevisan fecha a trilogia dos criadores do cenário tormenta, também um roteirista e escritor e organizador dessa antologia.

Twitter: @jmtrevisan


       Finalizando, o livro é muito bom, com ótimos contos para os não conhecedores do cenário, que talvez até venham a querer saber mais desse mundo. E para aqueles que já conhecem Tormenta, é uma leitura de primeira. Eu estava há algum tempo sem jogar em Tormenta, e ler esses contos me deu muita vontade de voltar para esse mundo XD. Ótimos contos de fantasia e aventura que mantém um ótimo nível e trazem grandes talentos da fantasia nacional. Muito recomendado!!

       E por sinal, saiu o Crônicas da Tormenta Vol2 recentemente, que ja esta na lista de leitura!

O.B.S.: Eu ia emendar nesse post um texto sobre os RPGs que mais se relacionam com vários autores famosos, mas como ta gigante já esse aqui, vou deixar para a próxima XD

Versão Lida: Livro Físico
Paginas: 288
nota4

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