Tantos anos me fizeram crer que eu conhecia de tudo. Tantos acontecimentos me trouxeram alegria, decepção, amor, ganância e tantas outras condições tão humanas que eu poderia ser catalogado como falho ou fraco. Mas essas etiquetas nunca se aplicariam a mim…

Ogrannel. Esse nome foi dado a mim por minha mãe, uma Dragão vermelha. Eu nasci bronze, mas com detalhes da cor de minha mãe. Jamais algo assim ocorrera. Um Dragão de Bronze jamais teria um filhote com um Dragão Vermelho. Mas eu nasci de um cruzamento diferente. De um tipo de amor diferente. 

Amor entre Dragões? Bestas assim podem amar? Você deve estar se perguntando.

Como Dragão eu posso confirmar que tal sentimento existe. Não somos bestas desmioladas, temos uma língua própria, pensamentos únicos à nossa magnifica raça. Mas a emoção que predomina em nosso âmago…. Essa é a Ganância, pelo ouro, pelas joias… porém, para esse que vos fala, foi uma Ganância diferente…

Foi egoísmo por amor. Amor por uma pequena humana de cabelos ruivos como o fogo…. Uma criança, uma jovem e depois uma adulta, todas a mesma humana. Eu aprendi muito com essa garota, tanto que hoje conto histórias como a dela, histórias que vocês leitores deste tomo podem ler.

Mas, hoje, eu contarei a minha história…

 

Começou com a luz entrando pelas rachaduras da casaca grossa do meu ovo. Logo após o cheiro de fogo e poeira. E depois disso eu vi a cor vermelha, quase escarlate. Essa era minha mãe, minha primeira protetora e minha primeira aliada e amiga. Seus olhos eram verdes como os meus, suas escamas escarlates brilhavam com a luz do Sol e seu sorriso me fez sorrir. Sim, sorrir foi a primeira coisa que o pequeno Ogrannel fez ao sair de seu ovo.

Voei apenas com 5 anos de idade, o que é normal para os pequenos Dragões. Se vocês pudessem ver os filhotes voando teria uma diversão para uma vida inteira, éramos desajeitados e inconsequentes. Batíamos contra pedras, arvores e outros Dragões maiores, nesse caso nossas mães nos tiravam de lá rapidamente para que não fossemos devorados.

Eu cresci sem muitos problemas até os 20 anos. Então, a partir desse ponto, eu parti para buscar um lugar para mim, uma caverna na montanha onde eu pudesse fazer o que Dragões fazem de melhor: Roubar tesouros e guarda-los por eras a fio, acumular todas as riquezas que podia e ter a caverna mais rica do mundo. E eu o fiz, saqueei muitas vilas e cidades em busca de joias, ouro e todo tipo de quinquilharias que pudessem aumentar a minha fortuna.

Mas foi apenas no décimo-oitavo saque que eu me dei conta de uma coisa muito mais importante do que todo aquele ouro…

Foi um homem que me mostrou tamanha maravilha, um feiticeiro de cabelos brancos e expressão adoecida. Seu nome era Friedrich, ele morava em uma grande torre nessa última cidade, e ele abriu minha mente para o mais precioso tesouro de todos.

O Saber.

Toneladas de livros decoravam as paredes de sua torre. Tomos sobre magia, histórias fantásticas de mundos diferentes ou iguais ao nosso. Noções de matemática, física, química, alquimia, biologia e qualquer outro tipo de conhecimento…. Eu fiquei fascinado…

Ouro e joias não significavam mais nada para mim, apenas eram moeda de troca com reinos para que eu pudesse conseguir comida, e se não aceitassem tal generosidade de um Dragão eu simplesmente tomava rebanhos e rebanhos para alimentar meu estômago enquanto os livros alimentavam minha mente.

Minha ganância estava agora em minha biblioteca… E meu tesouro era o saber. E eu era um Dragão diferente, muito melhor do que os mortais cuspidores de fogo que aterrorizavam os reinos e roubavam seus tesouros.

Eu era único.

— Ogrannel, o Dragão Eremita.


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Esse pequeno conto apresenta um personagem do blog Gruta das Histórias, se você quer saber mais ou dar uma olhada em várias outras histórias, só dar uma olhada no blog, ou pode ver também o twitter ou a página do face ^^

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