Bom dia povo! Há algum tempo que eu não resenhava nada mais underground né, e para voltar as coisas mais independentes, eu trouxe o Genealogia, da autora Nikka. Uma ficção científica com toques de cyberpunk e uma criação de mundo muito show! Vamos direto ao ponto….

A história começa com dois jovens, Jack e Jim, que estavam presos em um mundo de realidade virtual muito parecido com o nosso. Um lugar onde eles foram colocados para protegê-los e mantê-los em segredo do resto do mundo. Já na abertura eles são despertados, e descobrem o que o mundo realmente é.

genealogia

Eles despertam em um mundo bizarro. A raça humana é mantida graças a um super programa de computador chamado FATHER, que mantem as pessoas vivas e em segurança como se fosse parte dele, assim como prédios, meios de transporte etc. Por isso, ele divide as pessoas em setores por suas características genéticas. O mundo conhecido estava resumido em um gigantesco complexo tecnológico quase orgânico, onde as ruas e prédios se movem e as pessoas fluem como sangue nas veias dessa megalópole governada pelo FATHER e mantida pelo Clube Branco.

Jim logo descobre que é o último remanescente do Clube Negro, um antigo grupo que mantinha um equilíbrio com o Clube Branco, mas por algum motivo se revoltou. O grupo era liderado pelo pai de Jim, que acabou assassinando muita gente. Por esse motivo, Jim se vê hostilizado pelo Clube Branco, pois eles temem o que o garoto pode ser capaz de fazer. Em contrapartida, Jack é um símbolo para o Clube Branco.

Logo, Jim descobre que ele é um periférico, alguém com habilidades para remover arquivos do sistema do FATHER, e que há um remanescente de uma consciência escondida lá dentro que está lentamente infectando o FATHER, ameaçando separar a conexão que ele tem com a raça humana, fazendo assim com que ele “descarte” toda a espécie como algo obsoleto para o seu sistema, e Jim é a única pessoa que pode salvar aquelas pessoas que o odeiam.

Mais abaixo disso tudo, tem o Porão, onde o Clube Branco e o FATHER jogam todos seus dejetos químicos, o que sobra de suas experiências e até as pessoas que não são reconhecidas pelo sistema. É onde Jim e Jack encontram uma sociedade a parte muito diferente do ambiente limpo e esterilizado do Clube Branco, e descobrem que estão em meio a uma luta de classes sanguíneas.

O ponto que se destacou para mim aqui foi na criação de mundo. A autora mostrou muita criatividade e empenho. Toda a forma como a raça humana foi “salva”[1] por esse sistema, e de como ela ficou submissa, sendo mais uma das variáveis que o compõem. O clube Branco reflete toda a precisão de um sistema de computador, com sua cor hospitalar e suas misteriosas pessoas andando, mas aparentemente para lugar nenhum, só andando, como se andar fosse o objetivo delas.

Mas sempre existe um submundo, e o Porão mostra que para existir a limpeza, a sujeira tem que ir para algum lugar. Um lugar empoeirado e sujo, onde as pessoas fazem experiências com seus corpos, junções biológicas e mecânicas de uma forma grosseira. Um lugar agressivo, mas ainda assim, livre.

Toda a composição do gigantesco sistema cidade que compõem o mundo conhecido é muito boa. Os prédios podem se mover, os meios de transporte sabem exatamente onde você tem que ir, e tudo é “orgânico” ao menos na sua forma de se movimentar.

Sobre os personagens, Jim e Jack são os principais. Jim é o mais cabeça no lugar dos dois, ele se preocupa muito com Jack, está sempre tentando não se meter em nenhuma confusão e quer confiar na bondade das pessoas. Jack, pelo contrário, é cabeça quente, e sempre que pode tenta arranjar briga. Também se importa muito com Jim, mas nem de longe é do tipo que confia em alguém.

O “elenco de apoio” é bem legal também. Desde o homem que quer os ajudar sempre, o Benedict, até o “militar” que sente asco deles, o Reed, passando por uma gama muito grande de personagens interessantes. E todos eles constroem uma atmosfera de desconfiança muito grande. Jim, Jack e o leitor não sabem qual lado é o certo, quem quer ajudar e quem só quer tirar proveito. A desconfiança é a palavra aqui.

Tem duas coisas principais que me incomodaram aqui:

A primeira é com o excesso de voz do narrador, onde a autora complementa uma cena de maneira desnecessária, deixando o texto mais pesado para ser lido por causa dessa repetição. A autora atua como uma mãe que tem medo de soltar a mão do filho para que ele siga sozinho, e fica acompanhando a história onde ela não precisava ser acompanhada.

E a segunda é o tamanho, cara! Que livro gigante! Sério, se você é um autor novato, evite isso pelamordedeus (lamentações de um blogueiro literário que tem que ler um monte de livros 😦 ).

Enfim, eu acho que esse livro tem tantos elementos que isso tudo poderia ser subdividido ao invés de entrarem todos no mesmo livro, e eu particularmente acho que afasta audiência o fato de ser muito grande. E, principalmente com o público de ficção cientifica mais hardcore, não é muito comum ver romances muito grandes. Então eu acho que nesse quesito seria uma escolha mais acertada fazer pequenas histórias, mas isso, é claro, é só a minha opinião.

Finalizando, é um livro bom, com um mundo de ficção científica bem feita. O livro começa com um ritmo mais lento, com uma construção da história mantendo certo mistério, mas isso vai se arrumando depois que já foram feitas todas as apresentações. De maneira geral, o livro não é muito meu estilo, mas ainda assim é uma boa estreia da autora Nikka.

Vocês podem conferir um pouco da história no wattpad e decidirem se é o seu estilo ou não:

Genealogia no Wattpad!

Formato lido: eBook Kindle
Número de páginas: 513

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