AJ Oliveira deu uma pausa em sua jornada hercúlea para vir até a taverna e bater um papo conosco. Criador do podcast “Os 12 Trabalhos do Escritor”, que acaba de iniciar sua segunda temporada, e autor do romance “Asas, Pingentes e Imortais”, AJ nos brindou com uma entrevista que trata desses dois projetos e revela alguns desafios enfrentados. Além disso, não poderiam faltar aquelas dicas para vocês, autores iniciantes. Preparados? Peguem suas bebidas e juntem-se a nós!


O Podcaster:

Sua jornada hercúlea com “Os 12 Trabalhos do Escritor” acaba de ganhar mais uma temporada. Conte-nos um pouco do que podemos esperar dessa nova fase do projeto.

Bem, é importante dizer que, diferente da primeira temporada, o objetivo agora não será abordar a ideia até a publicação, mas o aperfeiçoamento para uma auto publicação.  Também há de se ressaltar que os primeiros doze temas eram de total correlação com o tal do “bom senso”, praticamente um guia de etiqueta para autores. Agora a coisa será mais técnica e trará muitos assuntos pedidos pelos ouvintes.

Não dá pra falar muito sobre nomes, dado que estamos no início do segundo ano de trabalho. Porém , os nomes e os assuntos agradaram tanto a mim quanto aos betas que receberam a lista de participantes com antecedência.

Há de se dizer que também teremos mais episódios, chegando a quase trinta autores para serem ouvidos.

Como surgiu a parceria com o blog “Leitor Cabuloso”?

A coisa acabou surgindo por osmose. Digo, quando os primeiros rascunhos do podcast começaram a ser traçados, conversei com colegas da podosfera para entender sobre como criar algo nessa mídia, e como o CabulosoCast sempre foi uma referência aos meus olhos, foi impossível não conversar com o Lucien (idealizador do site) para receber algumas sugestões e macetes sobre como proceder. A real é que ele adorou a ideia, e quando terminei de gravar a primeira temporada não hesitei em oferecer o produto para ser um dos podcasts do Leitor Cabuloso.

 

Falando sobre o contato com os autores, foi difícil convencê-los a participar do projeto?

A verdade é que eu esperava uma dificuldade extrema para contatar os autores, no entanto me enganei. Conversar com os autores significava comparecer em seus eventos, ler seus livros e me mostrar interessado em seus respectivos conteúdos, feito isso, o real problema foi me adaptar à agendas complicadíssimas em época de Bienal/FimDeAno. Houve um momento em que muitas autoras também cancelaram participações, e esse foi um momento tenso, mas no fim tudo deu certo!

 

Existe alguma ideia que gostaria de colocar em prática, mas ainda não foi possível?

Com certeza! Acho que todos os que atuam com criação de conteúdo vivem em um mundo caótico de ideias. Hoje, minha menina de ouro é a possibilidade de cobrir eventos de literatura em tempo real. Seria incrível chegar em uma Bienal e gravar um podcast de entrevistas com esse parque de autores prontos para falar de seus respectivos lançamentos.

 

Se pudesse gravar um episódio especial com dois autores, estejam eles vivos ou mortos, sendo brasileiros ou não. Quem seriam os escolhidos? Mencione, pelo menos, duas perguntas que não deixaria de fazer.

Levando em conta que meu público é 100% lusófono, ainda que eu seja fã incondicional de nomes como George R. R. Martin e Chuck Palahniuk, não os entrevistaria para o “12 Trabalhos”. Deixando isso claro, meu desejo é entrevistar o Jô Soares e o Maurício de Souza. Ambos estão vivos, mas são nomes ótimos para abordar assuntos pontuais como “comédia” e “literatura infantil”. Sobre perguntas, não faço ideia, simplesmente escutaria cada sílaba de experiência.

 

O Escritor:

Seu livro, “Asas, Pingentes e Imortais”, está sendo postado no Wattpad. Fale um pouco sobre sua experiência com a plataforma.

Eu gosto muito de como a plataforma nos trás um feedback quase instantâneo com seu público algo. Vejo muitas críticas com relação ao Wattpad, muitas corretas, outras pra lá de errôneas, mas o fato é que estou bastante feliz por ser lido, principalmente por pessoas dispostas a acompanhar meu trabalho fora da plataforma.

Como foi o processo de estruturação do romance?

“Asas, Pingentes e Imortais” tem uma estrutura bastante engessada, mas enquanto reviso o texto tenho feito o máximo para amolece-la. A ideia, à princípio, era uma escaleta pautada em seis viradas estrategicamente pensadas. É uma forma na qual eu gosto muito de trabalhar, em principal por contar com dois catalizadores (Benjamin e Samuel). Conforme o romance evolui, vejo que tive muitos acertos, entretanto, é um erro achar que o romance permanecerá idêntico ao outline, depois de chegar à palavra fim.  Um livro é constituído por mais Reescrita do que Escrita.

Que desafios encontrou durante a escrita e como seu podcast contribuiu para que conseguisse superá-los?

Cara, assim como todos os escritores existentes e inexistentes, passei e passo por problemas que vão desde a dificuldade por deixar determinadas frases bem colocadas, até a famosa síndrome do impostor. Eu gosto de pensar que a diferença entre eu e os ouvintes é que uma das partes escuta o episódio com antecedência. Dado isso, o ponto forte do podcast, para mim, foi entender que todos os autores são “gente como a gente”, e depois que me convenci disso posso dizer que a cabeça pesa menos em dias que não consigo bater minha meta de palavras.

 

Já existe alguma negociação com editoras para que seu livro seja publicado?

Se eu disser, terei que te matar depois (risos). A real é que desde a Bienal passada um editor ou outro me questiona sobre o manuscrito. Eu também os sondo, sempre afim de entender qual é a fase de determinada editora e qual será o envolvimento dela para com minha obra. Hoje posso dizer que não tenho pressa em alcançar uma editora, pois estou bastante feliz com as publicações no Wattpad. Não há como negar que também quero ter certeza de que meu conhecimento é digno de reger o “Asas, Pingentes e Imortais”,e enquanto isso, publicar não é algo urgente.

 

Qual seria seu conselho para os escritores que já possuem material para publicar, mas ainda não encontraram uma editora?

Não pague pra publicar sem receber em toca um valor proporcional ao seu investimento. Eu não canso de avisar sobre picaretas, inclusive, vira e mexe sou sondado pelas editoras/gráficas que se interessam mais no meu dinheiro (Cujo nem me foi apresentado) do que em criar um bom produto que agrade aos leitores.  Neil Gaiman diz que “em qualquer negociação artística, se o dinheiro não curva pro lado do artista é porque tem algo muito errado acontecendo”

 

Deixe uma mensagem para nós, autores e leitores da Taverna.

Primeiro eu gostaria de agradecer pelo convite a participar dessa entrevista divertida (adorei a pergunta sobre os autores que eu convidaria, em especial). Também gostaria de dizer que é um prazer oferecer esse conteúdo à todos esses novos autores que escutam o podcast quinzenalmente, e que cada feedback de vocês é, no mínimo, revigorante.

Muito obrigado!

A entrevista terminou, mas a jornada do AJ continua. Não deixem de acompanhá-lo pelos links:

Os 12 Trabalhos do Escritor

AJ no Wattpad