Uma dupla de mergulhadores de uma pequena cidade litorânea acaba encontrando uma caravela portuguesa muito antiga no fundo do oceano. Cheia de ouro e de estátuas religiosas, o conteúdo da caravela maravilhou logo os dois exploradores e atraiu a atenção de muitos historiadores, mas o item mais estranho encontrado foi uma caixa de prata imensa, lacrada com soldas, coberta com símbolos encravados nela e com os dizeres “Nobres homens de bem, jamais ouseis profanar este túmulo maldito. Aqui estão sepultados demônios viciados no mal e aqui devem permanecer eternamente. Que o Santo Deus e o Santo Papa vos protejam.” Por mais agourento que fosse, a curiosidade humana jamais ia deixar aquela caixa lacrada (Por que né, é uma baita caixa gigante de prata! Cheia de inscrições bizarras! Sério, ou a ganância ou a curiosidade acabariam vencendo). Quando a caixa é aberta, logo eles têm outros mistérios em mãos, e muitas respostas só o sangue vai trazer, e elas não vão ser nada agradáveis para a raça humana…

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Não da pra negar…

     Esse é o primeiro livro do André Vianco, publicado de maneira independente no final do último milênio, logo fez sucesso com o público e foi adotado por editoras maiores, tendo várias edições ao longo dos anos. A que eu li é a mais recente da Editora Aleph e com ilustração de Rodrigo Bastos Didier. Ficou bem bacana a edição, hein!

     O André Vianco é um grande nome na ficção especulativa nacional e eu demorei bastante tempo até para pegar um dos livros dele. Uma de suas obras que mais me chamou a atenção foi o Dartana, que é de fantasia (uma área que eu particularmente curto mais). No entanto, a fim de conhecer mais sobre o estilo do autor e até mesmo para averiguar sua evolução na carreira, optei por ler primeiro Os Sete, seu primeiro livro. Confesso que não me arrependi dessa decisão não. ^^

     Eu realmente torci o nariz no início por um preconceito que tenho com as histórias de vampiros. Acho o conceito deles fascinante, mas já foram tão usados que não consigo acreditar que isso vai ser explorado de uma maneira diferente. O autor conseguiu fazer isso aqui, mas não da maneira que eu esperava…

     A história tem um começo muito interessante, com toda a exploração marinha e o encontro do grande caixão de prata. Ele cria um clima de mistério e tensão crescente em volta daquela descoberta, o que nos leva além no livro. Eu consegui observar umas “barrigas” de narração, mas elas combinavam com o desenvolvimento do mistério, então até isso se encaixou bem.

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…Que esse livro…

     Esse clima todo continua até o primeiro vampiro despertar: Inverno. Um vampiro com poderes de manipulação do frio. Um pouco depois desse despertar o livro muda bastante o seu clima (fiz uma piada sem querer, desculpa).

A história vinha conduzindo uns personagens humanos até esse ponto. Nenhum muito bacana, mas eles davam para o gasto. Quando os vampiros começam a despertar, a atenção é dividida entre os núcleos humanos e os vampiros, o que eu achei inapropriado porque os desmortos são muito mais interessantes.

     Eu não achei que os núcleos humanos funcionaram. Talvez por ser sua primeira tentativa, André explorou muitos clichês da ficção e, tirando um humano, os outros não têm arcos narrativos de nenhum tipo e mesmo aqueles que têm mais atenção não chegam a evoluir. A maior utilidade deles é servirem de olhos para que o leitor possa observar os vampiros.

     Os personagens vampiros tem uma simpatia muito maior. São sete ao total, Inverno, Gentil, Tempestade, Lobo, Espelho, Acordador e Sétimo. Todos são interessantes conceitualmente, mas apenas Inverno, Acordador e Gentil tem um tempo de livro maior e, curiosamente, Sétimo é o mais bem apresentado em minha opinião, embora mal apareça no livro XD.

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…Tem história!

     Cada vampiro tem um poder sobrenatural diferente e isso é um ponto alto da mitologia, que explora essa “cafonice” que lembra muito as histórias mais super- heroicas, o que é excelente. Misturando essas referências a história fica divertida sem perder a própria essência e eu sinto falta disso atualmente, de mais autores não tendo vergonha de criar livros mais divertidos.

     Mas mesmo com personagens mais carismáticos, o livro perde o ritmo bastante depois deles apareceram. Tem muitas cenas que parecem não ter propósito e não saberem para onde vão, não avançando muito com a trama. Um bom corte impiedoso em alguns trechos deixaria o livro muito mais agradável. Embora eu tenha que admitir que as cenas dos vampiros descobrindo as tecnologias de hoje em dia são bem legais e me lembraram muito o humor usado no documentário O Que Fazemos Nas Sombras.

     E é claro, tem também o detalhe que mais me chamou atenção na época de lançamento do livro que foi o fato dele se passar todo no Brasil. Os vampiros são todos portugueses e a maioria dos humanos de Porto Alegre, e isso tudo é refletido no texto do Vianco, com regionalismos e o sotaque português. Eu não tenho convivência com essas duas coisas para dizer se ele fez certo, mas achei que ficou bem legal na leitura.

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O Universo de Os Sete tem continuação em Sétimo e na serie Turno da Noite

     André Vianco lançou diversos livros depois desse. Os Sete pode não ser um primor de perfeição, mas tem uma importância histórica e acaba sendo também uma leitura necessária para entender a carreira desse autor.

     Finalizando, os pontos fortes desse livro são sua mitologia estilizada vampiresca (me lembrando os RPGs de vampiro) e sua falta de vergonha em ser divertido. Ele tem muitas falhas no desenvolvimento de personagens e tramas, além do uso de clichês, mas ambos são bem comuns em escritores no começo da carreira. Mesmo com suas falhas, ele ainda me motivou a ler sua continuação direta, Sétimo, e ver para aonde André Vianco levou esse universo de vampiros. Também vou ler o Dartana, que é um dos mais recentes dele, e conto aqui para vocês o quanto ele mudou em toda sua carreira e estilo. 🙂

Capa comum: 432 páginas
Editora: Aleph; Edição: 1ª (29 de agosto de 2016)
Idioma: Português

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