Um livro escritor por três pessoas! Tem como isso dar certo?? Veremos…

     A Alcova da Morte é um livro escrito por três autores muito talentosos: Enéias Tavares (Brasiliana Steampunk), Nikelen Witter (Territórios Invisíveis), e A. Z. Cordenonsi, (Le Chevalier). Todos experientes no gênero steampunk, se reuniram para criar esse livro de mistério e aventura no Rio de Janeiro! Vamos ao livro…

     A história começa com uma festa da inauguração de uma grande estátua no Morro do Corcovado, mas durante a celebração acontece um assassinato. Ao descobrirem uma cara oculta no interior do morro a primeira pessoa que vai investigar é alvejada por diversos dardos venenosos. É assim que a Agência de Detetive Guanabara Real entra em cena. Uma das suas agentes estava realizando investigações na festa quando esbarra com essa curiosa morte, e então ativa os seus agentes para começar essa investigação.

     E é aí que entra um dos pontos que mais chamam atenção e que também ditam muito dos outros aspectos desse livro: os investigadores da agência.

     Eu normalmente falo dos personagens depois da trama do livro, mas nesse caso esse é um aspecto tão importante que tem que ser tratado primeiro. O livro foi escrito por três autores e cada um deles ficou responsável por um dos personagens.

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Três autores com talento e estilo XD

     A Nikelen Witter ficou responsável pela Maria Tereza Floresta, a idealizadora da Agência de Detetive. Ela tem um passado de injustiça e agora tenta compensar isso de alguma forma desvendando crimes. As partes dela lembram muitas histórias policias, como Agatha Christie.

     O A. Z. Cordenonsi ficou responsável pelo Firmino Boaventura, um engenheiro que tem paixão por resolver enigmas e pela ciência, mas se vê sem a possibilidade de conseguir exercer sua profissão legalmente pelo preconceito com sua cor. Ele tem um braço mecânico e suas partes são puxadas mais para o estilo dos grandes heróis científicos de antigamente, como em Volta ao Mundo em 80 Dias.

     E, finalmente, Enéias Tavares trabalha com Remi Ruda, um indígena versado na arte do ocultismo. Nos trechos dele eu vi muita influência de Lovecraft e das aventuras sobrenaturais de Robert E. Howard. Confesso que pelas minhas experiências anteriores, foi o personagem que eu mais gostei. ^^

     Um medo que eu tinha quando vi que o livro era escrito por três pessoas era que a história não parecesse uma só. Eu não queria ler três livros diferentes juntos, e felizmente isso não aconteceu 🙂 . Mesmo trabalhando com personagens diferentes, o tom da narrativa é um só, o que é impressionante. Os pontos de vista diferentes te permitem ver esse mundo de outras maneiras, mas mesmo assim você sente harmonia em todo o texto.

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     Com uma escrita rápida e uma trama divertida, esse livro é extremamente gostoso de se ler. Ele me lembra as antigas aventuras pulps, com boas viradas no roteiro, um mistério que vai conduzindo tudo e, além disso, as mudanças de personagens dão uma renovada no ar e mais frescor para continuar lendo.

     Para não dizer que é um livro perfeito, em alguns momentos a investigação me pareceu um tanto atravancada, com um dos agentes indo por um caminho, se esforçando e descobrindo uma informação. Até aí ok, mas no próximo capítulo outro agente vai investigar por outros meios e descobre quase a mesma coisa! Eu achei isso meio frustrante, mas é bom que não acontece com muita frequência. E por um gosto pessoal eu não consegui me adaptar ao final do livro, mas é só gosto pessoal mesmo.

     De maneira geral, o livro apresenta o melhor de três narrativas, todas muito divertidas e envolventes. A coesão do livro impressiona e transformam o que normalmente se revela uma ideia muito ruim, que é escrever com vários autores, em um excelente livro! Espero ver mais aventuras dos detetives dessa agência no futuro e esse universo steampunk continuar crescendo.

     E se vocês quiserem saber mais, podem dar uma olhada na entrevista que fizemos com o Enéias, e também pode ouvir o podcast 12 trabalhos do escritor, onde os três autores falam mais sobre como foi o processo de escrita desse livro!

     E um pequeno lembrete para escritores: se você não tem experiência escrevendo e está se sentindo atraído a escrever em parceria com seus amigos, não faça! A possibilidade de dar errado é muito grande. Para sair um bom livro de uma colaboração é necessário ter experiência e muita harmonia com seus parceiros, como aconteceu no caso da Alcova da Morte.

Você pode encontrar o livro na: Amazon / Saraiva / Avec Editora

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