O Samuel é o autor da Era da Ferrugem! (Que resenhamos aqui) e para ficarmos sabendo mais sobre o trabalho em uma webcomic resolvemos entrevistá-lo! Falando um pouco de como é ser ilustrador, colorista, roteirista e músico (!) e ainda batalhar por um espaço no mercado. É um trabalho complicado…

Vamos as perguntas!


  1. Como surgiu a ideia de criar Eventos Intrigantes da Era da Ferrugem?

A ideia começou a se formar depois que terminei “Dinamite & Raio Laser – ZERO”, graphic novel de minha outra série, pela editora Devir.

Após finalizar esse trabalho (que também começou como webcomic), tive muita vontade de criar algo mais “adulto”( embora Dinamite & Raio Laser seja uma série para todas as idades, seria mais seguro dizer que ela é voltada para o público infanto-juvenil).

Amadurecendo o conceito por algum tempo, comecei a escrever as ideias nos meus caderninhos e a rascunhar todos os acontecimentos da trama.

Percebi que a história seria bem grande, então, dividi em três capítulos principais.

A vontade de fazer Era da Ferrugem vem do meu gosto por histórias de mistério, suspense e aventura e do desejo em fazer algo nessa linha; coisa que eu nunca tinha experimentado antes.

  1. O que levou você a trabalhar com webcomics? Antes disso, você tentou publicar de outras formas?

A facilidade em postar  o material e o alcance que a internet proporciona.

Comecei Era da Ferrugem direto como webcomic, mesmo –  a primeira postagem foram as 15 páginas iniciais  (o capítulo 1 do Episódio 1) e a música “Theme of Piet Petersen”).

Outra coisa  que eu estava com muita vontade de fazer era tentar usar  meu hobby de criar  músicas para dar um “tempero” para a trama. A internet viabiliza isso muito bem.

Quanto sinto necessidade, componho uma música para determinadas partes da história.

  1. Piet é um personagem interessante. Eu até me identifiquei com ele em algumas coisas. Você poderia revelar sua inspiração para criá-lo?

Ela  vem de muitos lugares. Muita gente acha que Piet é totalmente baseado em mim mesmo, mas isso não é verdade; a inspiração para criar o Piet vem de pessoas que conheço, situações que observo e, claro, há algo autobiográfico ali – mas menos do que se imagina.

É uma grande mistura de algumas noções minhas, das de conhecidos e de desconhecidos, mais ou menos que filtradas pela minha lente, eu acho.

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  1. No enredo, tudo se mostra interligado de alguma forma. Parece que você já tem toda a história pronta e se ocupa apenas em desenhar. Poderia comentar seu processo de criação?

É verdade – coisas aparentemente sem importância que aparecem na história podem ter um motivo mais interessante que será revelado apenas mais tarde.

A grande parte da trama está delineada, os seus pontos principais  – mas sempre deixo um bom espaço para o improviso. Algumas sacadas e diálogos, por exemplo. Acho que eles ficam mais naturais  se quando os escrevo depois  que as páginas estão desenhadas.  Muitas vezes eu faço isso.

Acho um processo similar  ao das bandas que tocam músicas de seus álbuns de estúdio ao vivo –  sempre há improvisos nos vocais, nos solos. Acho que surge algo “fresco” quando você improvisa e, as vezes, criam-se coisas  mais interessantes que as do plano original, coisas  que não tinha-se pensado antes.

Então, resumindo, eu tento seguir o plano principal; mas nem tanto.

  1. Quais são suas maiores influências quando se trata de histórias em quadrinhos. Há alguma em particular para a Era da Ferrugem?

Acho que principalmente mangás.

Aventuras como Dragon Ball e Yu Yu Hakusho sempre foram grandes influências no começo. Kentaro Miura, Junji Ito e Takehiko Inoue são, provavelmente, minhas maiores influências  dos quadrinhos, recentemente.

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  1. E influências na música?

Ah, aí, Heavy Metal e músicas de vídeo game. Pro Era da Ferrugem, acho que, principalmente, o trabalho  de Nobuo Uematsu (mais conhecido por suas composições para os jogos da série Final Fantasy).

Músicas de vídeo game, por si só, já tem um monte de influências de outros gêneros (rock, jazz, clássico, eletrônico), então, acho que são influências  a se perder de vista.

  1. A trilha sonora é sempre pensada para uma cena em específico ou você aproveita composições já prontas?

A grande maioria é pensada – mas já utilizei, umas duas vezes, músicas que estavam “engavetadas”, mas que faziam sentido para serem usadas naquelas determinadas partes da história.

  1. Atualmente, você toca numa banda, faz shows e tudo mais?

Não, não. Composição, para mim, ainda é um hobby. Já fiz algumas músicas para games e para vídeos, mas nunca me apresentei ao vivo.

A única banda de que eu faço parte é a banda que aparece em Era da Ferrugem, a “Souveran”. Estou mandando um vídeo para vocês pra ilustrar melhor do que estou falando!

  1. Você conta com a ajuda de alguém para lançar cada capítulo ou faz tudo por conta própria mesmo?

O trabalho duro é todo feito por mim, mesmo. A história principal, em todas suas etapas (roteiro, arte, músicas).

Entretanto, num futuro próximo, contos serão postados regularmente na página.

Eles expandirão o universo da história,  e serão escritos por meu irmão Daniel Souza e meu amigo Alexandre Maki (que roterizou a Graphic Novel “Dinamite & Raio Laser – Zero” e outras histórias do universo de DRL).

O Daniel também me ajuda bastante nos bastidores, discutindo ideias. Ele sempre acrescenta alguma coisa, sugere mudar outras. É a primeira pessoa  a que eu mostro os roteiros.

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  1. Quais são seus planos para o futuro de Era da Ferrugem?

No momento é continuar melhorando em todas as áreas – do roteiro até as músicas.

Quando você nunca fez alguma coisa é natural cometer alguns enganos pelo caminho. Meu plano é, ao final da história, olhar todo o conjunto de trabalho e pensar “ótimo, era exatamente assim que deveria ter acontecido”, por isso, não estou mais correndo tanto com a produção.

  1. Que dica você daria para alguém que aspire lançar sua obra online como você vem fazendo?

Não se preocupe tanto com prazos (por que, na realidade, não há prazos) e tente fazer o melhor possível, dando tempo ao tempo – é natural que, nos dias de hoje, todo mundo queira as coisas rapidamente. A internet deixou as pessoas mal acostumadas, ansiosas demais.

Mas vale a pena não correr tanto se isso refletir no seu trabalho final.

É uma coisa que aprendi ao produzir o primeiro capítulo de Era da Ferrugem.

  1. Tem alguma outra HQ online ou trabalho de algum quadrinista em particular que você recomendaria?

Poxa, como estou acompanhando de novo Vagabond, do Takehiko Inoue (relançado atualmente pela Panini Comics,) acho que é o que eu vou recomendar!
Arte, narrativa… Tudo é incrível.

  1. Acredito que compor, desenhar e escrever essa história deva gerar um trabalho enorme. É possível apoiar A Era da Ferrugem de alguma forma?

É um trabalhão mesmo.

Quem puder e quiser ajudar, existe uma página do Era da Ferrugem no Apoia.se.

Você pode contribuir com uma pequena quantia mensal – que já é uma ajuda enorme.

  1. Uma coisa que eu acharia muito bacana (numa situação hipotética é claro) seria uma adaptação com a sua arte para uma obra do Stephen King ou talvez das histórias de Lovecraft. Se, de fato, acontecesse, qual obra você escolheria?

Poxa vida, isso seria incrível MESMO! Bem, do Lovecraft eu vou de The Call of Cthulhu – mesmo por que, graças ao Metallica, acabou sendo um nome bem metal, haha.
Do Stephen King eu, com certeza, gostaria de desenhar The Shining – uma abordagem um pouco mais próxima do livro (não que eu não goste do filme – eu gosto muito).


Se vocês quiserem saber mais sobre a era da ferrugem, podem acessar os links abaixo:

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Twitter do Samuel

Site da Era da Ferrugem, onde são publicados todos os capítulos!

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