Esse é mais um post da nossa serie mitológica aqui da Taverna, se quiser saber mais, só dar uma olhada aqui nesse link! ^^

   É possível que sua expectativa sobre esse livro seja de uma aventura fantástica, ambientada nas terras gélidas do norte europeu, com algum herói nascido em uma lenda épica ou algo do gênero. No entanto, este livro é sobre a verdade. Ou, pelo menos, aquela em que os antigos escandinavos acreditavam e ensinavam para seus filhos. Nele, aprendemos com Neil Gaiman sobre Odin que se enforcou na árvore dos mundos em troca de conhecimento. Sobre como o mundo foi criado do corpo do monumental Ymir e sobre como Thor ganhou seu famoso martelo graças as artimanhas de Loki.

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Odin, o pai de todos. Inclusive o seu!

  A obra é organizada de forma bacana e facilita a vida dos leigos. Inicia-se com um prefácio escrito por Gaiman onde muitas coisas são esclarecidas. Depois, os deuses mais importantes nos são apresentados e, finalmente, chegamos aos capítulos. Cada capítulo é um conto fechado, porém todos se unem de forma coesa, formando uma linha temporal linear da criação à ruína do mundo e (o que me surpreendeu) ainda mais além depois do fim.

   Devo advertir que este livro não é uma enciclopédia. Ele não se aprofunda em muitas questões e pode não ser novidade para quem já estuda a fundo a mitologia nórdica. Entretanto, se você está pensando que esta obra é charlatanice, engana-se. Para realizar este trabalho Gaiman teve de adaptar a Edda em prosa e a Edda poética e empregar sua voz. Basta dizer que não é de agora que me interesso pelo tema, mas é a primeira vez que leio sobre com tanta facilidade e prazer. Há uma prosa muito convidativa e dedicada aqui e, pelo que eu acho, o autor se divertiu tanto escrevendo esse livro quanto eu lendo.

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Thor descendo o sarrafo no pobre filho de Loki.

   O que eu posso dizer sobre as histórias em si é que existe muito humor nelas. Embora sejam sobre traições, monstros e assassinatos, o humor prevalece e isso deve revelar muito sobre os povos antigos que as contavam. Além disso, todas as lendas que acompanhamos ao longo dos capítulos surgiram como uma tentativa de explicar os fenômenos da vida e da realidade de outrora. Creio que elas são como achados arqueológicos no quais podemos admirar o pensamento de uma cultura muito antiga que não existem mais.

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Loki tramando alguma coisa, porque é isso que ele faz de melhor.

   Assumindo que você leia esse livro, na melhor das hipóteses, você correrá em busca de mais conteúdo sobre a mitologia dos velhos vikings, pois ele te encantará de verdade com o assunto. Na pior, você aprenderá que as nuvens surgiram quando o cérebro do gigante primordial Ymir foi arremessado para o céu no princípio do mundo, aprenderá que Odin é o pai de todos nós e que o primeiro homem foi feito por ele de um tronco de freixo e a primeira mulher de um tronco de Olmo e, finalmente, saberá que devemos temer e respeitar os deuses, mas nunca confiar deles.

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Amuleto Mjölnir (martelo de Thor)

   Mas espera! Tem mais uma coisa que eu quero dizer…

   Sinceramente, acho que há algo na mitologia nórdica, com suas histórias ingênuas e genuínas, que se aproxima um pouco do nosso folclore e, aliás, de todas as mitologias. E creio que as adaptações já feitas dessas lendas mascaram essa similaridade. Um exemplo é Thor, o deus do trovão que no original se parece muito pouco com o Thor dos quadrinhos ou o do cinema. Ele ainda é um herói, mas, também é um cara pavio curto, desprovido de gentileza, e acima de tudo, de inteligência.

   Assim como o Thor dos quadrinhos é uma adaptação, existem obras que pegam muitas coisas emprestadas da mitologia nórdica como Game of Thrones ou O Senhor dos Anéis. E muitos autores, ao escrevem histórias de fantasia, tiram inspiração dessas adaptações, criando sempre mundos muito parecidos. E eu me pergunto: Por que não adaptamos mais a nossa mitologia brasileira ou outras pouco conhecidas também?

   Mas você pode dizer que deseja escrever apenas sobre histórias interessantes…

   Bem, o grande diferencial de um escritor criativo é encontrar coisas interessantes onde aparentemente não há.  Acho que devíamos escrever também sobre coisas novas e criar nossas próprias adaptações, pois só assim sairemos da mesmice em que as obras de fantasia entraram. Nesse Link você pode conferir um trabalho muito bom que conseguiu isso.


   Por hoje é isso, meus amigos. Até a próxima!

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Capa dura: 288 páginas
Editora: Intrínseca (13 de março de 2017)