Diogo Andrade, autor de A Canção dos Shenlongs, veio até a Taverna para conversar sobre sua obra e dar algumas dicas para quem deseja publicar na Amazon. Com mais de 80 avaliações cinco estrelas na plataforma, Diogo compartilhou conosco o que aprendeu e trouxe novidades para quem já leu a obra e está esperando continuação.


 

Diogo, vamos começar falando do grande sucesso que “A Canção dos Shenlongs” está fazendo na Amazon.   São, até o momento, mais de 80 avaliações positivas, sendo a grande maioria 5 estrelas. Além de todas as qualidades apontadas pelos leitores, que ações contribuíram para que esse número fosse alcançado?

Sendo bastante sincero, não tenho qualquer controle sobre as avaliações. Quando as pessoas me dizem que estão lendo o livro ou mesmo blogs decidem fazer uma resenha, sempre peço que deixem uma avaliação lá depois, pois ajuda bastante. Mas não tenho qualquer influência na nota que eles vão dar ou mesmo o que vão dizer. E fico muito feliz que os leitores estejam gostando de “A Canção dos Shenlongs”.

Sem título

Na descrição do livro podemos encontrar a seguinte afirmativa: “O ebook que em menos de 24h atingiu 1º lugar na categoria Fantasia Épica da Amazon.“. Qual foi a magia utilizada?

O primeiro lugar em Fantasia Épica em menos de 24h foi uma surpresa. Nunca imaginei que seria assim. Acho que o tema do livro interessa as pessoas, não se vê muitos títulos de fantasia com uma temática oriental disponíveis em português. Além disso, por conta do lançamento, fiz algumas divulgações na página do livro e no meu perfil pessoal do Facebook que provavelmente também ajudaram.

Que dicas você poderia passar para outros autores independentes que escolheram a Amazon como plataforma principal de publicação?

Em se tratando de uma publicação independente, temos que fazer praticamente tudo sozinho. Considero muito importante que o autor tente fazer seu trabalho de maneira mais profissional possível. Capriche na revisão (vale muito contratar um revisor) e na diagramação. Faça uma capa bonita, que chame a atenção do leitor, ao mesmo tempo em que transmita do que a história se trata. Divulgue seu trabalho, mas não seja chato – tenha sempre em mente que ninguém é obrigado a comprar ou ler seu livro.Blogs parceiros ajudam bastante na divulgação do seu trabalho.

Só quem opta pela autopublicação sabe o quão difícil é o caminho, mas existem benefícios. Quais foram as vantagens e desvantagens que você pôde observar até agora?

Existem várias formas de se autopublicar, a publicação através da Amazon é apenas uma delas. Assim que terminei o livro considerei diversas opções. Como A Canção dos Shenlongs é um romance curto, de introdução a esse universo ficcional, decidi publicá-la em formato digital na Amazon através do KDP.

No caso da Amazon, uma das maiores vantagens é a possibilidade de se publicar o livro de forma gratuita no formato digital. Além disso, mesmo o mercado de ebooks sendo bem menor, o autor pode receber até 70% do valor do livro como royalties.

Agora sobre as desvantagens. A resistência a ebooks ainda é bem grande. Muitos leitores não consomem livro digital, seja por não terem a melhor ferramenta para isso, por acharem desconfortável ou até mesmo por não saberem que se pode ler no tablet, computador ou celular.

Tem sido bem legal ver que os leitores que superam essa barreira e, em geral, estão gostando da história.

Você diria que o apoio de blogs é crucial para divulgação das obras? Alguma dica para os autores iniciantes que não sabem como fazer para conseguir conquistar esse espaço tão importante.

Certamente! Há uma imensa oferta de títulos hoje em dia. Os blogueiros e youtubers ajudam a fazer o filtro e a divulgar obras que, de outra forma, grande parte dos leitores não conheceriam.

Diria que o primeiro passo é identificar blogueiros que tenham afinidade com o gênero da sua história. O segundo, seria mostrar a esses blogueiros o porquê o seu livro é interessante, e porque vale a leitura. Brindes, marcadores, também ajudam.

Conte-nos sobre sua trajetória como escritor e a maior dificuldade enfrentada no decorrer dela.

Já escrevo há bastante tempo. Ser escritor no Brasil é um desafio. A grande maioria de nós tem que se dividir entre o ofício da escrita e outra profissão; comigo não é diferente. Faz quase dois anos que decidi reorganizar minha vida para ter mais tempo para escrever e me dedicar a isto de maneira mais profissional. É um caminho árduo, mas também fascinante. Estou apenas no início dessa jornada, ainda assim, através dela já tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis. Atualmente, uma das maiores dificuldades que qualquer escritor enfrenta, especialmente iniciantes, é ser lido.Há uma enorme oferta de títulos e ainda se compete com outras mídias como filmes, séries e videogames. Ainda assim, mesmo com tudo isso, temos no país um público leitor crescente e em formação, ávido por boas histórias,inclusive de autores nacionais.

Quem ainda não leu “A Canção dos Shenlongs” está perdendo…

Uma história de aventura, drama e ação, em um mundo elaborado com suas próprias regras, leis, deuses, religiões e relações de poder, bem diferente dos temas que o leitor de fantasia está habituado. As cenas de ação foram construídas de forma que o leitor perceba e sinta todos os detalhes dos confrontos entre artistas marciais e guerreiros habilidosos. 9 em cada 10 avaliações do livro são 5 estrelas e todas positivas até agora.

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Em sua avaliação, qual o diferencial da obra?

A ambientação certamente é um diferencial. Em A Canção dos Shenlongs o leitor é introduzido a um cenário distinto dos habituais em livros de fantasia. Um mundo repleto de artistas marciais e guerreiros habilidosos, com suas próprias regras, leis, deuses, religiões e relações de poder. Os estilos de combate e sistema de magia também são bem particulares. Aos poucos o leitor atento perceberá as nuances, distinção entre eles e a forma como são utilizados.Além disso, A Canção dos Shenlongs é uma história rápida, construída para que fosse lida em um único fôlego, narrando o estopim para vários dos acontecimentos posteriores. Como disse também, as cenas de ação foram construídas de forma que o leitor perceba e sinta todos os detalhes dos confrontos e batalhas.

Os leitores podem esperar por mais livros ambientados no mesmo universo de “A Canção dos Shenlongs”? 

Certamente! A Canção dos Shenlongs é um romance rápido, que tem o objetivo de introduzir o leitor ao universo ficcional. Faz algum tempo trabalho em um novo romance. Um livro maior e mais robusto que irá expandir tudo o que foi apresentado. A história também se passa no Império de Housai, alguns anos depois dos eventos narrados em A Canção dos Shenlongs. Parte dos acontecimentos e personagens fazem a ponte entre as duas histórias.

Falando de livros consagrados, quem leu sua obra vai gostar de ler…

Para mim é um pouco difícil traçar um paralelo pois não há tantos títulos análogos por aqui. Porém se tivesse que citar alguns, citaria os romances de ficção histórica do James Clavell, como Xogum, Taipan, dentre outros, além do clássico Musashi de Eiji Yoshikawa. No entanto, nenhum desses são livros de fantasia.

Posso indicar ainda alguns autores nacionais que tem projetos bem bacanas, como o Diogo Ramos, aqui d’A Taverna, com o seu livro “O Mago e o Guerreiro”, o Rafael Cordeiro, com “Até que a morte nos separe”, o Romulo Felippe, de “Monge Guerreiro”, Leonardo Reis, e seu “Dragões da Tempestade”, Danilo Sarcinelli, de “Passagem para a Escuridão”, Gleyzer Wendrew, com “A Face dos Deuses”, Allan Francis Salgado, de “Corações nas Sombras”, Cristina Pezel, com seu “Mundo de Quatuorian”, L.P. Faustini, da saga “Maretenebrae”, Brenda Bernsau, de “Sophia, Alexia e o Mundo Além Daqui”, João Paulo Silveira, de “O Último dos Guardiões”, o Ingo Muller, com “Corda no pescoço”,dentro outros. Praticamente todos vocês encontram na Amazon.

Deixe uma mensagem para nós, autores e leitores da Taverna.

Primeiro, gostaria de agradecer à Taverna pelo espaço. É sempre um enorme prazer poder trocar com vocês.

Ainda me considero um autor iniciante dentro deste longo caminho da escrita. Assim, diria aos colegas autores aquilo que tento seguir:

– Escreva (like a motherfucker). E revise. (Tem uma frase do Hemingway que eu gosto bastante que é “Escreva bêbado. Edite sóbrio”. Pode não ser muito adequada se levada constantemente ao pé dá letra, mas faz todo sentido. rs)

– Leia muito. E não apenas leia muito, mas leia bem. Analise o que você está lendo. Pergunte-se o que você admira em seus autores favoritos e tente entender como fazem o que fazem.

– Leia sobre escrita.

– Participe de oficinas, palestras, grupos de estudo, cursos ou qualquer outra coisa que te ajude a se desenvolver como escritor.

– Seja bem crítico com seu próprio trabalho. Etenha bons leitores betas.

– Divulgue seu trabalho. Mas não seja chato – como disse antes, ninguém é obrigado a comprar ou ler seu livro.

Aos amigos leitores, leiam A Canção dos Shenlongs (kkkk, brincadeira). Sério, leiam valorizem mais fantasia nacional. Tem muita coisa boa sendo produzida por aqui. Um lado bacana disso é que vocês podem ter contato direto com os autores. Então deem seu feedback a eles, deixem sua opinião na Amazon, no Skoob, no Goodreads, ou em qualquer outro lugar. Um gesto simples, mas que ajuda muito. Também divulguem para os amigos. Para o autor nacional boca a boca é fundamental.

PS: No próximo domingo, dia 09 de julho, farei um live a partir das 20h para falar um pouco sobre autopublicação (com foco na Amazon). Além disso, tenho uma surpresa super bacana para anunciar.

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Leia também:

Como conseguir destaque na Amazon

 

Resenha do Taverneiro (A Canção dos Shenlongs)

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