Quando o destino de quem você ama e do seu país está no cano de um rifle, é melhor pensar duas vezes antes de puxar o gatilho.

   Planos sinistros! Paranormalidade! Ideologias! Clones! Dieselpunk! Participe das aventuras da extraordinária família Trovão! Jerônimo, o pai, matador profissional que conta com a ajuda de uma Santa. Deuteronômio, o primogênito, tem sede de aventuras e não se importa com manchas de sangue e óleo. Levítico, o caçula, cuja imaginação fantasiosa pode conter as sementes da ordem ou do caos. E Irmã Célia, a madrasta, que tenta manter todos unidos com suas mandingas em nome de Deus.

   Este é um Brasil alternativo onde o Império avançou até a primeira metade do século XX tropeçando nas próprias pernas. Quando a saúde do Imperador falha, surge a chance que os americanos precisavam para apoiar o movimento republicano. Mas os monarquistas não estão dispostos a ceder e contarão com a ajuda interesseira da União Soviética.

   Enquanto isso, decidido a ser um bom exemplo para os filhos, Jerônimo entende que a hora de se aposentar finalmente chegou. Mas quando seu último trabalho põe a família inteira em perigo, ele percebe que a única forma de garantir a paz é travando outra guerra. E outra. E outra. Em um ciclo que parece não ter fim.

   E de Extermínio é um romance de Cirilo S. Lemos, autor do elogiado O Alienado. Intrigas, tiroteios, robôs gigantes, freiras armadas: aqui pólvora e diesel andam de mãos dadas. Mas conseguirá a família Trovão permanecer unida diante de tantos problemas?

Olá pessoas!

   Hoje vai ter a resenha de E de Extermínio, do autor Cirilo S. Lemos, lançado pela Editora Draco! Com uma temática dieselpunk, uma história com várias camadas, um protagonista badass, freiras com rifles soviéticos e, além disso tudo, ainda mantendo uma essência 100% brasileira. Um livro que consegue ser divertido e intenso no mesmo nível. Vamos a resenha…

Um Brasil beeeem alternativo (ou nem tanto assim) …

   A narrativa se passa em um Brasil alternativo, onde o império chegou até o início do século XX, mas agora o imperador está à beira da morte e não tem herdeiros para dar continuidade ao seu legado. Existem dois grupos em uma hostilidade crescente no Brasil, os Nazistas (que acreditam em uma “raça pura brasileira”) e os Comunistas. Com o imperador fraco, o conflito entre essas duas facções só faz aumentar. Jerônimo Trovão, um assassino de aluguel, acaba sendo contratado para assassinar um bando de nazistas e assim aumentar a violência desse conflito, o que funciona bem para o general Protensio Vargas justificar um golpe de estado (com o apoio dos Estados Unidos) e começar uma ditadura (qualquer semelhança com a realidade é só uma coincidência XD).

Afinal, mesmo com as mazelas, havia alguma estabilidade na vida deles durante o governo de dom Pedro III – e havia a intrigante tendência popular de se lembrar dos governantes anteriores de forma bem mais lisonjeira do que mereciam.

O Homem-sonho, a Santa e o Rifle-metralhadora Enfield.

   O livro conta sobre Jerônimo Trovão, um assassino de aluguel que, junto com seu filho Nômio Trovão, foi o responsável pelos assassinatos que mudaram a história do país.

   A história segue por vários anos, começando na queda do imperador e no golpe militar apoiado pelos Estados Unidos, passando pela segunda guerra mundial, quando o Brasil se alia ao nazismo e entra em guerra com os USA (!), até posteriormente o país perder a batalha e se tornar joguete dos americanos na guerra fria.

   A narrativa aqui passa por muitas guerras que, de uma forma ou de outra, acabam atraindo o nosso protagonista de volta a matança. O autor não é maniqueísta em relação aos lados nessas guerras e nem a visões políticas. Não existe, necessariamente, um lado bom. O leitor acaba se apegando apenas a Jerônimo e sua família, e os outros, que desejam a volta do imperador, os soviéticos, os americanos, os nazistas… todos eles têm seus interesses próprios e, se você observar bem, acabam tendo métodos e objetivos bem parecidos.

…Homem-sonho.

Ele estremeceu, angustiado.

− Não sou um sonho. Sou um Homem. – Disse.

Um homem é feito de sonhos.

   O autor juntou aqui temáticas loucas, mas de maneira bem orgânica. Jerônimo Trovão tem como guia uma santa, que diz aonde ele deve ir, onde atirar e como se proteger. Habilidade essa que foi herdada pelo seu filho, mas na forma de um herói da era de ouro dos quadrinhos no estilo Capitão América. Não fica claro se essa habilidade é uma representação de poderes psíquicos dos protagonistas ou se é algo a mais. Esse recurso é muito bem usado, a santa consegue ver o futuro, sabe de onde os tiros vêm, e diz o que tem de ser feito. Ela é protetora e a guia da mira de Jerônimo Trovão, mas ainda assim ele se sente desconfortável com aquela entidade sempre falando em seu ouvido. O Patriota, a entidade do Nômio Trovão, é o responsável por cenas muito incríveis, como a narração dele de uma revista antiga no maior estilo herói pulp da era de ouro.

Escrita poética e rustica ao mesmo tempo.

   Outro ponto fortíssimo desse livro é a escrita do Cirilo. Ela é bonita sem ser enfeitada demais e o escritor consegue colocar alguma “poesia”, digamos assim, sem o uso excessivo de palavras muito rebuscadas. Isso torna a narrativa tão gostosa de se ler e tão carregada de significado que você é facilmente conduzido por aquela história. E ainda tem os métodos alternativos para contá-la, como quando o filho relata a história do pai através de algum tipo de clarividência. As matérias de jornais entre os capítulos também são ótimas maneiras de entregar informações importantes de forma sutil, incluindo várias chamadas de jornais consecutivas contando os rumos da guerra depois que o golpe teve sucesso, o que é incrível!

Quando as pálpebras de Jerônimo Trovão se fecharam, ele estava pensando na história do mineiro que, vindo com a família do interior, não suportara o barulho interminável e a correria da cidade grande. Deu um tiro no próprio coração e deixou um bilhete pedindo para ser enterrado em sua terra. Isso acontecera havia muito tempo. Mas ficou na memória de Jerônimo como exemplo de como um homem pode ser devorado nessa selva de concreto armado e lagos de gasolina. Pensava com seus botões que mesmo os que se acostumavam com aquele tipo de vida tinham lá suas cotas de loucura.

Em resumo, esse é um livro muito, muito bom. ^^

   É muito raro eu encontrar tantos aspectos positivos em um livro, então fiquei muito feliz por ler E de Extermínio. Divertido, profundo, uma temática curiosa e ao mesmo tempo clássica. Um livro que não abre mão de ser divertido para ser profundo, e uma excelente pedida para qualquer fã dos muitos gêneros diesel ou steampunk, ficções retro futuristas e de qualquer ficção bem escrita na verdade. Fico aqui ansioso no aguardo do próximo e pensando em como seria incrível uma minissérie desse livro. XD

Capa comum: 248 páginas
Editora: 
Draco (8 de abril de 2015)

nota4

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E de Exterminio