Esta é uma nova coletânea de contos que será publicada regularmente aqui na Taverna.   Esta história faz parte do mesmo universo que “O comércio de elixires na Planície dos Trovões”, conto do meu blog pessoal, mas eles podem ser lidos separadamente sem problemas. Esta é a segunda  parte de quatro deste conto. A primeira se encontra aqui.

Imagem e conto por Letícia Werner.

Quer que o seu conto também apareça aqui na Taverna? Fale conosco!


 Nem era meio dia e Bert já estava cansado. A tempestade da noite anterior chacoalhou sua cabana, e as goteiras inundaram o quarto. Ele passou a manhã varrendo água para fora, enquanto sua esposa juntava os animais e plantas que morreram no aguaceiro.

 Da plantação de trigo que sobrou, tinha somente o suficiente para pagar o imposto. E era isto que ele estava fazendo lá, para dentro dos portões de Pico da Rocha: fornecendo o castelo com o trigo recém-colhido.

 A mula puxava a carroça de Bert num passo constante pela vila murada, e o homem mal podia acreditar no sol escaldante que amanhecera. Nenhuma nuvem! Qualquer sinal da chuva perdeu-se para além das colinas.

 No galope marcado do casco na pedra, o camponês sentiu as pálpebras pesarem e o queixo descer até o peito. Mas ele não podia dormir ali, no banquinho daquela carroça simples, ou ia cair direto na lama da beira da estrada.

 Assim ele virou os olhos sonolentos para o céu, e viu a copa das árvores, os telhados das grandes casas, que eram bem mais fortes que o dele, e as várias rochas pontiagudas que se destacavam acima da vila, as que deram o nome à Montanha Espinhosa.

 E enquanto os galhos e as telhas se embaçavam em sua visão cansada, teve um vislumbre que fez sua espinha gelar. Puxou as rédeas e sentou bem reto, com a energia que só um susto pode dar, pois jurava que no topo de uma das rochas vira uma figura humana mais vermelha do que o fogo.

 Com a parada repentina, a carroça deslizou sobre as pedras lisas, e a última coisa que a roda dianteira fez foi partir-se com um alto estalo ao entrar num buraco.

Quando Bert recompôs o equilíbrio no veículo que agora jazia torto no meio do caminho, voltou os olhos para onde viu a figura que fazia vigia sobre a vila.

 Nada. Nunca esteve lá, ele assumiu. Era só sua mente cansada pregando peças.

 Desceu e examinou a roda, vendo que não havia mais salvação. Ainda bem que quebrou bem em frente ao ferreiro da vila.

“Bron, pode me dar uma ajuda aqui?” Perguntou Bert para o homem que martelava algo em sua forja.

“Outra roda, Bert? Por acaso você anda criando porcos demais e vive quebrando aqui para me dar alguns deles de pagamento?”

“Bom se fosse, só posso te pagar com um leitão e algumas compotas. Acho que vale uma roda, não?”

“Bem, não vale, mas como você sempre me paga em dia, e eu já tenho uma roda pronta, acho que não fará mal esta exceção.”

 Enquanto eles trabalhavam Bert tentou puxar uma conversa. “Sabe, Bron, juro que vi uma coisa muito estranha para lá das rochas. Algo que parecia bastante com uma pessoa no topo delas!”

 “Você está cansado, Bert.” Disse o ferreiro. Depois da nova roda ser fixada, ele se ergueu e espreguiçou, pensativo. “…Mas não ficaria surpreso se coisas estranhas estiverem acontecendo. Um monte de barras de ferro sumiram do meu estoque, e uma roda menor também. Ela eu até entendo, mas as barras só servem para ferreiros forjarem em lâminas! Oh,  e a velha Gwen começou a falar de demônios outra vez.”

 Os dois homens se viraram para uma casa um pouco mais afastada da estrada, quase desaparecida entre as construções mais novas. Na varanda da cabana decrépita, estava sentada uma senhora de olhos grandes e assustados. Ela trazia em seus dedos finos um terço, e parecia murmurar alguma coisa para as contas, provavelmente uma oração.

 “Ela não costuma errar estas coisas, não é?” Disse Bert.

“Mas nem a previsão do tempo.” Respondeu Bron.

 Dito isso, ficou acertado que o camponês pagaria o ferreiro no dia seguinte, e a carroça seguiu seu caminho, em direção ao castelo esculpido na parede de uma antiga pedreira.


 Nos primeiros raios de sol, Ama Norma levou Pieter ao monastério dos copistas. Com o livro debaixo de um braço e dando a mão para o menino com o outro, ela foi ver Padre Justino.

 Assim como imaginava, o padre estava conferindo o trabalho de alguns de seus alunos enquanto estes escreviam e ilustravam belíssimos livros.

 Justino os percebeu assim que entraram. “Ah, Norma! Que agradável receber sua visita aqui no monastério. E como está você, pequeno duque?” Ele terminou, se abaixando para falar com Pieter.

 O menino não encarava o padre nos olhos, e também não parecia querer conversa.

 Norma respondeu para ele, como costumava fazer. “Também é meu prazer te ver, Padre Justino. Viemos devolver o livro que Pieter pegou emprestado ontem, e talvez ele queira outro para esta noite.”

 O homem franziu o cenho. “Não lembro de Pieter me pedir qualquer livro ontem. Posso ver o volume?”

 A ama passou a coletânea de contos para o padre, enquanto olhava feio para o menino. Ao ver a capa, a expressão do homem começou a tranquilizar. “Ah, não tem porque castigar o menino por isso. É um livro de canções de ninar e histórias para dormir! Bem apropriado para esses dias conturbados.” Ele sorriu. “Foi o teste que propus a Nicholas, quando se juntou a nós, para ver se a habilidade dele se equiparava à dos outros copistas. E como podem ver, ele superou minhas expectativas.”

 Dito isso, ele acenou para um monge jovem, que por um momento tirou os olhos de seu trabalho e acenou em resposta.

Ele os guiou escada acima, para a grande biblioteca do monastério, e guardou o volume no alto de uma estante, que só era possível acessar com uma escada.

 Feito isso, dirigiu-se a Pieter. “E o que eu posso fazer pelo pequeno senhor hoje?”.

 O menino ainda não o encarava diretamente. “Obrigado, mas não preciso de nada agora, não. Outro dia escolho um livro.”

 “Ah, mas tem certeza que não quer –”

 Justino não chegou a terminar a frase, porque pelas portas da biblioteca entrou apressado um dos membros da guarda de Pico da Rocha.

 “Bom dia. Eu, como representante da guarda, acho justo avisar vocês, os guardiões do nobre Pieter enquanto a Duquesa está longe, que tomamos a liberdade de enviar uma equipe de busca para descobrir o que houve com a caravana de nossa líder.”

“Alguma razão para se preocupar com ela, cavaleiro?” Disse Norma.

“O mestre da guarda, Garret, deixou as instruções de que eles estariam de volta pouco depois do anoitecer, e caso isto não acontecesse, deveríamos procurar por eles. Parte das paranoias da Duquesa, entende? Ela vê magia negra em todo lugar ultimamente, se perdoam a minha  indelicadeza.”

 “Com todo respeito, concordo com a Duquesa.” Disse Padre Justino. “Bruxas estão infestando nossas terras de forma alarmante, e todo cuidado com elas é pouco. Fico grato que a guarda já tomou alguma providência.”

 Norma olhava para o menino. Era difícil de ler Pieter, mas agora ela via que ele estava perturbado.

O sino da igreja tocou nove vezes.

“Mas olhe só a hora!” Disse o padre. “Vamos voltar para o castelo, já está na hora de suas lições, Pieter.” E assim foi buscar os livros sobre nobreza, estratégia e liderança com os quais ensinava o garoto pela manhã.

 “Tenho mesmo que ir, ama?” O menino não parecia bem para a aula, e tinha ficado hesitante perto de Justino a manhã inteira.

 Ela ficava angustiada de deixar menino sozinho com essa nova preocupação, mas sabia que era melhor para ele.

 “Sim, Pieter. Sua mãe quer que você se torne um duque sábio e poderoso, e só conseguirá isto estudando. Vá, são só três horas de aula, e então vamos almoçar.”

 O padre levou o menino pela mão para uma sala de estudos no interior do castelo, mas todo o caminho enquanto ele podia vê-la, Pieter olhava para Norma.


 Greta foi a primeira a acordar como o som de gritos na noite. Virou-se na cama e cutucou Bron até ouvir um gemido rabugento de resposta.

 “Tem algo acontecendo com a velha Gwen.” Ela disse.

 “Ah, ela uiva assim em noites de lua cheia.”

 Greta deu um empurrão mais forte no marido. “Ela é a sua tia avó, vai que ladrões estão invadindo a casa dela!”

“Dentro dos portões da cidade? Acho difícil… Mas se isto te deixar mais tranquila, vamos dar uma olhada nela.”

 O casal se vestiu, e passou pela cama em que os três filhos dormiam juntos. “Drake já tem quinze anos, pode cuidar dos seus irmãos se eles acordarem.” Disse Bron para Greta, quando viu que ela não deixava a cabeceira das crianças.

 Bron pegou seu martelo e Greta, sua lança.

 Os dois seguiram até a cabana afastada, os gritos ficando mais nítidos a cada passo. Chegando, eles também podiam ouvir movimentos e coisas sendo derrubadas lá dentro.

“É melhor eu entrar primeiro, e você ficar aqui caso alguém tente sair.” Disse Bron para sua esposa, que concordou.

A cabana era um ambiente só, apinhado de móveis e escuro demais para discernir qualquer coisa. Num canto, porém, vinha o som baixo e constante da tremedeira das mãos velhas que seguravam o terço.

Bron se aproximou, e pôde ver o brilho dos olhos de Gwen na escuridão.

 “Oi Tia Gwen, está tudo bem?”

 Ela lentamente moveu a mão, e com os olhos se acostumando à baixa claridade, o ferreiro pode ver que ela apontava para algo atrás dele.

“… Demônio.” Foi a única palavra que ela disse.

 Girando o corpo e com o martelo em punhos, Bron se voltou para a lareira apagada.

 Levou alguns segundos para perceber que a máscara sorridente acima dela não era uma decoração.

 A criatura saltou sobre ele, mas com um movimento rápido, o homem a atingiu na lateral do corpo com o martelo e ela foi ao chão.

 Correndo nas quatro patas, ela tentou fugir pela porta da frente, onde teve a infelicidade de encontrar a lança de Greta, que a percorreu de uma ponta a outra.

 A senhora chorou de medo enquanto o casal observava o monstro.

 “Os guardas precisam ver isso.” Disse Greta.


 Já estava bem tarde quando os batedores voltaram para os aposentos da guarda, uma torre em meio à muralha mais externa.

 Eles estavam abatidos, e tremiam como se tivessem enfrentado a tempestade da noite anterior.

“Mortos” o primeiro batedor disse ao entrar. “Todos eles. Cortados e espalhados pela estrada. Precisamos de mais homens para prepará-los para o funeral.”

“Mas como isso é possível? Eram os nossos melhores homens!” Disse o Mestre das Armas Anor.

O segundo batedor respirou fundo.

“Ladrões. Ou bárbaros, centenas deles, provavelmente. A tempestade apagou qualquer rastro que poderiam ter deixado. Não há como revidar. É… Parece que você herdou o posto de Garret, Anor.”

 Neste momento, os homens perceberam sons confusos vindos da passarela dos vigias, na muralha. Subindo alguns degraus e parando em frente à porta, se depararam com a cena de batalha mais confusa que já tinham visto em suas vidas.

 Criaturas com pouco mais que dois palmos de altura bicavam e atacavam os vigias. Elas traziam capas escarlates que batiam como asas, e máscaras de cerâmica que imitavam o bico de corvos.

 Uma delas conseguiu puxar o homem com quem lutava para além do guarda-corpos da passarela, e ambos sumiram na noite.

 “Mas que…” Num momento de confusão, Anor se lembrou do chifre em seu cinto e soprou para chamar o resto da guarda.

 “Estamos sendo atacados! Acabem com essas coisas!”

 Ele então se voltou para os dois batedores. “Vocês tem uma missão bem mais importante do que matar algumas galinhas. Avisem os guardiões do pequeno duque sobre o que aconteceu na estrada.”

“A-agora? Não é melhor esperar amanhecer?”

“Quanto mais rápido eles levarem o tombo, mais rápido eles se levantam! Vão!”


 Foi na sala do trono que Norma e Justino receberam a notícia.

 Ambos tiveram de ser acordados e chamados ali. Norma sentou-se na primeira cadeira que encontrou quando recebeu a notícia, mas levantou-se rápido ao perceber que tinha sentado no trono.

 Padre Justino também parecia abalado, e tentou reconfortar a ama como pôde.

“E, como a última ordem da Duquesa Ethel foi deixá-los como guardiões de Pieter, temo que vocês serão nossos governantes até que ele possa liderar sozinho.”

 “É uma responsabilidade e tanto para assumir assim.” Disse o padre. “Mas não podemos deixar o povo desamparado. Não agora.”

 “Não podem mesmo.” Uma voz feminina veio das portas da grande sala.

 Greta entrou, seguida de seu marido Bron, que carregava um saco nas costas. Ambos estavam armados.

“Que bom encontrá-los acordados. Tentamos falar com os guardas, mas parece que eles estão bastante ocupados. Vocês tem que ver uma coisa.”

 Dito isto, Bron jogou o saco no chão, onde este se abriu de imediato. Ali tinha uma criatura que mais parecia um cão metido em roupas de festa humanas, sua cabeça uma máscara redonda e sorridente.

 “Meu Deus, o que é isto?!” Exclamou o padre.

 “Estava brincando de esconde-esconde com a velha Gwen, e nós tínhamos que fazer alguma coisa.”

Um dos batedores se aproximou e agachou-se ao lado da criatura.

 “Parece um pouco com as coisas que estão atacando a torre, só que maior. Está morto?” Ele perguntou.

 De repente, o monstro deu um pulo em frente e tentou arranhar o batedor com sua pata dianteira.

 “Ora, seu fingido de uma figa!” Disse Bron enquanto erguia o martelo e o descia num golpe certeiro sobre a cabeça da criatura.

 Após o som de cerâmica quebrando, o corpo animalesco ficou parado por uns instantes, e então murchou. O ferreiro cutucou os restos, e ficou perturbado ao perceber que só os panos das vestes tinham ficado para trás.

“Tem um apinhado dessas coisas nas muralhas. Que bom que agora sabemos que é possível matá-las!” O outro batedor disse.

 O casal, o padre e os soldados entraram em uma discussão sobre o que fariam dali em diante, mas Norma prestou atenção em outra coisa. Na sensação de estar sendo observada.

 Virou-se para trás, para as escadas que levavam aos aposentos dos nobres. Foi em tempo suficiente de ver Pieter voltando a subir a escada, depois de sabe lá quanto tempo ele esteve vendo e ouvindo aquilo.

 Ela foi atrás dele. No corredor, viu a última porta aberta. Era aquele quarto vazio, onde ela o encontrara observando o céu no dia da tempestade.

 Entrando, a ama ficou chocada ao encontrar o menino furiosamente folheando aquele mesmo livro de canções de ninar.

“Pieter! O que faz com este livro! E você deveria estar dormindo!” Ela quis ser autoritária, mas não conseguiu esconder uma nota de temor na voz.

“Aquele bicho era da Cavalaria Escarlate!” Ele gritou. “Eles pegaram a mamãe, não pegaram? Quem chamou eles ama, quem?”

 Ela arrancou o livro das mãos do menino, que começou a chorar.

 Era uma situação difícil, e ela nunca imaginou enfrentar algo parecido. Olhou para as páginas do livro ainda aberto e viu a criatura da sala do trono enfeitando uma das páginas.

 Ela fechou o volume, o pôs de lado e abraçou a criança. “A cavalaria é só uma história, Pieter. Tenho certeza que quando amanhecer vão encontrar alguma explicação para aquilo.” Ela não conseguia falar sobre a mãe com o menino.

 Os dois ficaram abraçados até Pieter dormir, e a ama o levou para a cama.

 Ao sair do quarto, Norma se deparou com Padre Justino. Ele segurava o maldito livro.

 “Precisamos conversar, Norma. É sobre Pieter.”

Eles voltaram ao quarto vazio e fecharam a porta atrás deles.

 “Acho que você é nova demais para sequer saber da lenda, Norma.” Disse o padre. “Mas o meu avô conheceu pessoalmente Duque Nadrac, um antepassado distante de Pieter. Nunca pensei que teria que mencionar aquele monstro.”

 Justino se apoiou no batente da janela, olhando pensativo para fora. “Naquela época ainda não se sabia muito sobre magia. Seus usuários era reclusos e raramente faziam qualquer coisa supernatural notável. Mas Nadrac achou seus meios. Conquistou toda a costa e parte do interior do reino invocando tempestades e demônios. Até mesmo o clima da Planície dos Trovões pode ser atribuído à presença constante dele na região.”

 O homem fitou a ama nos olhos. “Nadrac matou e torturou muitos para conseguir o que queria. E depois teve o que mereceu, quando a Santa Ailith levou o povo a se rebelar contra ele. Foi o primeiro queimado na fogueira, sabia? E depois dele, as bruxas começaram a dar as caras.”

 “Onde quer chegar com esta história, Justino?”

 “A obsessão de Pieter com este livro e o aparecimento destas bestas não pode ser coincidência! Sempre temi que alguém da linhagem de Nadrac seguisse o caminho do bruxo. Ainda posso salvar a alma do menino, mas ele precisa enfrentar os rituais de purificação.”

 Ela não acreditava no que ouvia. “Pieter é um menino órfão de sete anos, e este é um livro de histórias infantis! O senhor mesmo disse!”

 “Nas mãos de um bruxo poderoso, Norma, até mesmo a literatura mais inocente pode se tornar um tomo de magia negra. Eu só quero ajudá-lo. Por favor, Norma, me deixe ajudá-lo.”

 Por um momento, ela quis dizer que ela tinha lido o livro para o menino, mas então temeu que consequências este fato poderia causar.

 “Está bem, Justino. Faça o que for melhor para ele. E por favor, não o machuque. Ele já viveu tristeza demais para alguém com tão pouca idade.”

 O padre acenou com a cabeça em tom de afirmação. “Muito bem. Você verá, afinal, que esta é a decisão certa a tomar. Começarei os trabalhos depois que eu descansar um pouco.” E assim ele voltou para seus aposentos

 O sol começava a raiar. Pela janela, a Ama podia ver os guardas na muralha, alguns examinando pedaços de tecidos vermelhos, e outros sendo levados para a torre da guarda, feridos.

 Então um dos guardas gritou e apontou para as árvores além da muralha. Ela podia ver formas vermelhas, grandes ou pequenas, que imitavam humanos ou animais, e se mantinham num círculo ao redor do muro da cidade.

 A ama ficou mais espantada de ver que cada uma das grandes rochas que pontilhavam a cidade estava apinhada de formas avermelhadas, como uma infestação de insetos.

O som de algo andando por acima dela fez sua espinha gelar – Estavam nos telhados do castelo, e no topo da pedreira de onde ele tinha sido esculpido.

 Pico da Rocha estava sitiada.

<<<Anterior   Próximo>>>