Saudações, viajantes!

Infelizmente, o tempo que tive à disposição não me permitiu concluir todas as resenhas da Primeira Era neste mês. No entanto, podem ter certeza que, sim, finalizarei a saga em janeiro. Isso posto, fica decretado que dezembro e janeiro serão os MESES MISTBORN na TAVERNA!

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Resenhas anteriores:

Conto Mistborn – O Décimo Primeiro Metal [Resenha]

Mistborn – O Império Final [Resenha]

Bronze

Preâmbulo.

Antes da resenha, só para relembrar, seguem os apontamentos padrões:

i) Sou “spoilerfóbico”. Por isso, esforço-me em produzir resenhas livres de spoilers. Penso que não há nada mais devastador do que a ruína da experiência de uma leitura. Em verdade, não só de leituras, mas da absorção de obras de ficção em geral — incluo, portanto, filmes, séries e afins.

ii) Costumo seguir uma estrutura. Consiste, em regra, na análise de voz narrativa (primeira, segunda ou terceira pessoa); enredo (plot); mundo (setting/milieu), seja ele fictício ou não; personagens e seus arcos; sistema de magia; linguagem; e quão sinérgicos são os elementos citados. A ordem e o modo como faço varia — cada livro é único; exigindo, assim, uma maneira de exposição também única.

iii) Ora ou outra, teço considerações que vão além da obra. Técnicas literárias, reflexões filosóficas, nuances acerca do autor e por aí vai.

iv) Ao final, dou notas aos elementos expostos em “ii” e tiro uma média entre elas, concebendo a nota final da obra.

Bronze

A ressaca.

Ei, você! Você, mesmo! Você que concluiu “O Império Final”! Tudo se encaixou, sim? A conclusão foi bem amarradinha, não foi?

Essa sensação que você sente, de que já viu tudo que tinha para ver… ela é forte. Ah, ela é. Paralisa. Estagna. Você, inclusive, está até pensando qual será a outra saga que lerá agora; afinal, para que tanta pressa para ler uma sequência de algo que já “encerrou”? São só algumas interrogações deixadas no ar, a maioria delas quase  irrelevante, correto?

ERRADO!

Antes de explicar o porquê, quero atestar que eu entendo perfeitamente o que sente. E é plausível. É natural que nossa curiosidade nos mova com mais intensidade quando ela é instigada com veemência, como quando os autores nos presenteiam com belos cliffhangers.

(Ah, os cliffhangers… Tenho uma relação de amor e ódio com eles. Ao mesmo tempo que são incríveis, pois me puxam para a estória; são irritantes, pois não me deixam respirar. Obrigam-me a ler num compasso muitíssimo mais veloz e, via de consequência, impedem-me de digerir o enredo, refletir sobre ele, esboçar conjecturas do que diabos acontecerá na sequência e, sobretudo, atrapalham minhas noites de sono (risos). Com isso dito, vale registrar uma bela dica aos caríssimos leitores que são escritores: se assim desejar, faça cliffhangers. Usá-los constitui, de fato, uma técnica de magnetismo poderosa. Contudo, por favor, use-os com moderação. Lembre-se que quase tudo nesta vida, quando usado em excesso, torna-se banal. Portanto, no meu sentir, quando você exagera com eles, você acaba gerando um efeito contrário àquele que desejava. DISCLAIMER: que fique claro que esta é só minha opinião como leitor. Há pessoas de todos os tipos. Gosto é gosto; preferências diversas não faltam por aí — não, mesmo.)

Bem, eu falo dos cliffhangers exatamente para descrever tudo aquilo que não é a resolução do livro 1 da saga. Este, como mencionei na resenha anterior, é um traço comum de Sanderson: ele escreve os primeiros livros de suas séries de modo que possam ser lidos individualmente. E isso seria bom ou ruim? Minha opinião sincera: não interessa. A única coisa que interessa — essa, sim! — é que você continue lendo!

Falo sério e sem rodeios. Independente se sua motivação, se seu interesse está alto ou baixo, continue. Digo de coração que, se este texto que agora redijo tem alguma razão de ser, ela é convencer que prossiga com a série. Se eu conseguir isto, somente isto, ficarei imensamente feliz.

Sigamos.

Bronze

A resenha.

“Sempre há outro segredo.” Nada melhor do que a ilustre frase de Kelsier para ilustrar este livro — esta saga, aliás.

Em “O Poço da Ascensão”, o universo de Mistborn é expandido. Em todos os sentidos. Eis alguns exemplos:

a) Cresce o elenco de personagens — inclusive de POVs (pontos de vista) — e o passado de certo(s) personagem(s) nos é revelado, de modo que mudamos completamente nossa concepção sobre o(s) mesmo(s);

b) Aumenta o número de locações — Luthadel deixa de ser o único cenário pelo qual a trama se passa;

c) Conhecemos melhor o segundo (de três) sistema de magia: a Feruquemia;

d) É-nos apresentada uma nova raça — antes somente mencionada por alto —, os koloss, além de aprofundar um pouco duas outras raças que já conhecíamos, os kandras e inquisidores;

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Um koloss.

e) É ampliado o espectro narrativo no que diz respeito ao gênero. Quero dizer: enquanto o livro 1 é uma mistura de Fantasia Épica com um Heist, o livro 2 é Fantasia Épica com tramas políticas (não sei o nome desse gênero — se é que há) e Suspense — um mistério muito intrigante é jogado na nossa cara e ficamos, de pronto, ávidos para desvendá-lo;

f) Questões gigantes — relacionadas àqueles escritos que vemos no início de todos os capítulos — são introduzidas, as quais nos deixam de queixo caído quando entendemos o que está acontecendo. (Em verdade, para ser honesto, nós entendemos tudo somente quando acaba o livro 3, mas, indubitavelmente, obtemos umas respostas — e outras perguntas, rs — muito interessantes no livro 2.)

g) Pontos, aparentemente pequenos, mostram-se maiores do que poderíamos imaginar.

Digo, sem medo de errar, que, se eu colocasse minha cabeça para funcionar — li o livro já faz alguns meses —, eu poderia expandir essa lista até a letra “k”, “l” ou até “m”, mais ou menos. Mas paro por aqui, porque creio que o que foi dito tenha servido como uma boa metonímia, que reforça bem minha ordem (cof, cof, quero dizer: pedido) de que você, leitor(a), deve continuar.

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Vin.

Bronze

As notas.

(Escala: 0 a 5.)

  • Enredo (plot): 4,5
  • Mundo (setting/milieu): 5
  • Personagens e seus Arcos: 5
  • Sistema de Magia: 5
  • Linguagem (prosa): 3,5
  • Nota Final (média): 4,6

Bronze

Se o parâmetro que impus a mim permitisse, eu teria dado 4,75 para o enredo. Como não é o caso, fico no 4,5. E só não dou 5, porque o único livro, dos que li até hoje, que merece tal nota é (spoiler alert) o próximo: “Herói das Eras”. Só não o chamo de “perfeição” devido ao fato de que, apesar de ele ser o meu autor favorito, a prosa do nosso queridíssimo Brandão não é das minhas preferidas.

Vejo-os na próxima! Até breve!

P.S.: “Sempre há outro segredo”,

Kelsier.

Bronze

Gostou? Sim? Então, que tal ler a sequência?

Mistborn – O Herói das Eras, de Brandon Sanderson [Resenha]