Olá, caros viajantes!
Permitam-me apresentar: sou Mateus, o novo bardo da querida Taverna. Encontrem seus lugares, peçam suas bebidas e me acompanhem.


Prelúdio

Para as resenhas, adotarei o seguinte formato:

I) Reflexão:

Farei uma breve análise e meditação sobre os temas abordados no livro.

II) Resenha:

Irei abordar as seguintes construções do livro:

1) Narrador;
2) Personagens;
3) Enredo;
4) Sistema de Magia.

III) Conclusão;

Uma opinião final sobre a obra.

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Livro: A Face dos Deuses.
Autor: Gleyzer Wendrew.

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Reflexão

É fácil e bonito falar e escrever sobre ética, o difícil é sustentar as teorias com atitudes quando essas assumidas revelam que a pessoa se esconde através de um disfarce chamado ética. – Gislaine Schineider

Quantas vezes em nossas vidas somos colocados diante de escolhas, e obrigados a tomar apenas uma delas? Esquerda e Direita. 0 e 1. Preto e Branco. Gleyzer nos apresenta o Cinza, e nos mostra o quanto a visão bilateral de Bem e Mal é errônea.

O quão longe iríamos por quem amamos? Seria esse sentimento, Amor, o verdadeiro sentimento que provoca mudanças? Diante vários questionamentos, somos enviados ao continente de Dünya. Apesar de a narrativa se passar em uma época medieval, Gleyzer aborda temas contemporâneos e atuais, que nos fazem questionar se estamos tão longe daquilo que é apresentado. Tráfico de pessoas. Guerras por poder. Sede de vingança. No decorrer das páginas, os personagens tornam-se cada vez mais reais, pois as dores e sentimentos sentidos não pertencem a nenhuma era ou livro, mas, sim, a nós que vivemos e batalhamos pelo melhor ao nosso redor.

O poder é a moeda de troca da sociedade contemporânea. Com ele, ocorre uma espécie de escambo, através da qual se negocia tudo, inclusive o valor ético e moral de decisões. Aqui no mundo de Gleyzer, meus caros, não é nada diferente.

Esperança. Ódio. Tristeza. Medo. Caos. Vida.

Palavras (ou sentimentos?) de tanto poder e energia são Deuses vestidos como faces pelos habitantes das terras de Dünya. Deuses estes não de carne e osso, mas vivos pelo semblante estampado nos rostos dos desamparados, esperançosos e vingativos. Um espelho é colocado à nossa frente, instigando-nos a questionar o que nos move, o que nos faz querer viver e lutar. E, após uma bela olhada em nosso próprio reflexo, o nosso rosto está borrado…

Qual face vestiremos para viver este exato momento?

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Resenha

1) Narrador

Em primeiro lugar, recomendo a todos a leitura do glossário e do apêndice disponibilizados ao fim do livro para maior entendimento e aprofundamento. O glossário contém um resumo dos personagens, cidades e países apresentados durante a obra, além de uma explicação para títulos e expressões utilizadas no continente. O apêndice nos apresenta informações particulares do continente de Dünya e dos países presentes, sendo de grande apreço para os leitores que desejam uma maior imersão.

Gleyzer adota o sistema de narrador em terceira pessoa onisciente, variando entre os núcleos de vários personagens entre as cenas de um capítulo.

Acho interessante ressaltar que o autor adota um sistema de que cada capítulo abordará uma cidade. Portanto, em um mesmo capítulo temos POVs de personagens diferentes que estão no mesmo local, ou nos arredores. Com isso, há uma dinâmica maior para se visualizar os eventos que acontecem simultaneamente.

O livro é como um grande prólogo, focando na apresentação e motivação dos personagens e servindo como um ponto de partida para os eventos que virão.

2) Personagens

Há uma gama de personagens, que varia entre protagonistas e coadjuvantes, homens e mulheres. E diga-se de passagem: que elenco!

Gleyzer demonstra maturidade na escrita, colocando-nos na cabeça de reis, príncipes e psicopatas. Senti falta, no entanto, de um foco maior nas personagens femininas, que tiveram pouco desenvolvimento se comparadas aos outros.

No correr das páginas, temos uma contextualização maior dos personagens, com as decisões e pensamentos que os levaram até o momento presente do livro.

3) Enredo

Mesmo após a chamada Longa Guerra, que durou aproximadamente dez anos, os países vivem em uma situação de caos e medo. Ao sul, temos o rei Hëros Kinnhäert e sua família, vivendo uma grande depressão pós-guerra e sendo atormentado pelas perdas e dores que sofreu devido à grande batalha. O rei não esperava nada mais do que paz após tudo o que sofreu (e quem não esperaria?), mas se vê obrigado a tomar decisões para evitar a destruição de seu país e amados. Ao norte, no país de Vatra, temos o general Cleyo Blo’Siänkh e o príncipe Koran K’Voöhk como pontos focais do enredo, com seus pensamentos particulares e desejos de vingança. Por fim, temos o rei Kazoya Vennian em Venn, o país do Oeste, e sua busca insaciável pelo seu “Tesouro”, que fará de tudo para tê-lo de volta.

Em cima desta narrativa, são trabalhados temas profundos como relações familiares, mentiras, busca pela verdade e por vingança. Quanto mais avançamos pela obra, mais percebemos personagens humanizados, com suas falhas e qualidades, buscando o que consideram ser o correto. Quando digo correto, digo do ponto de vista do personagem. Assim como em nossas vidas, tomamos decisões que visam beneficiar mais a nós do que os outros ao redor.

Acompanhando os acontecimentos do presente, há, também, flashbacks dos personagens, que atuam como um bom suporte no aprofundamento da trama.

4) Sistema de Magia

Apesar de sabermos que se trata de uma Dark Fantasy, o sistema (ou sistemas?) de magia não é apresentado com clareza neste livro. Aguardemos, então, uma maior abordagem nesse aspecto no próximo livro.

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mapa_dunya
Mapa do Continente de Dünya

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Conclusão

Para um livro de 180 páginas, eu diria que o autor fez um baita de um trabalho. Personagens consolidados, núcleos desenvolvidos e um grande gancho para acontecimentos futuros! Uma ótima obra brasileira de fantasia, que vale a pena ser conferida!

— NÃO HÁ JUSTIÇA NO MUNDO DOS HOMENS —


Bônus

Entrei em contato com o autor, Gleyzer Wendrew, para uma conversa, e acabei descobrindo que fui o primeiro leitor a achar um “easter egg” no site da série, hahahaha. Aos curiosos de plantão, recomendo a procura! 😛