Ficha Técnica

Araruama: o livro das sementes
Autor: Ian Fraser
Editora: Editora Moinhos
Ano: 2017
Páginas: 228

 

Sinopse

Em Araruama, o momento do nascimento é um ritual sagrado. Monâ, a mãe do tempo e de todas as coisas, costura a duração de vida dentro do corpo de cada criança. Ao som das palavras de Majé Ceci após o parto, cada destino é selado: Kaluanã, nascido para uma vida mais longa que os números podem dar conta; Obiru, o capanema que morrerá jovem, destinado a descascar mandioca sob o olhar de desgosto do pai; Apoema, a que vê além e sonha em voar. Em O Livro das Sementes, o primeiro volume da série, o leitor é transportado para uma realidade dura e encantada, onde as palavras são magia, a floresta é o mundo e forças determinam o equilíbrio da Ibi, a terra. A harmonia se baseia nas regras dos deuses, onde morte e vida, caça e caçador convivem até que a luz se apague. Mas este ciclo tão familiar pode estar com os dias contados, pois sobre a Ibi se espalha um sentimento novo e incômodo: uma “fome sem apetite”, uma paixão pelas pedras derretidas. É o anúncio de que tempos sombrios estão por vir, sob formas nunca vistas antes – e os destinos das crianças de Araruama estão tão entrelaçados como raízes retorcidas.

 

Resenha

O autor Ian Fraser fundou o canal Teclado Disléxico, no qual trata de assuntos relacionados a cinema, TV e literatura. Além disso, escreveu e produziu a peça A Máquina que Dobra o Nada, vencedor do prêmio Braskem de teatro. Seu primeiro romance foi Sangue é Agreste, vencedor do prêmio Jovem Autor Inédito pelo Selo João Ubaldo Ribeiro. É o primeiro capítulo da trilogia Os Livros do Sertão.

Araruama foi um livro lançado através do financiamento coletivo do Catarse, e que ultrapassou a meta inicial estipulada devido ao tremendo sucesso.

Sempre falo das capas. E a desse livro… é linda! Parece até uma pintura em tela. As ilustrações internas também não ficam atrás e nos ajudam na imersão do mundo da história.

O livro é um banho de mitologia indígena, fauna, flora e folclore. Nele, acompanhamos o crescimento e treinamento de cinco crianças de tribos diferentes (Apoema, Obiru, Batarra Cotuba e Kaluanã), as quais possuem  culturas e creem em deuses diferentes.

Esqueça o “clichê” e deixe seus preconceitos com “folclore” e “literatura nacional” de lado, porque aqui você será completamente surpreendido!

Ao iniciar a leitura, fiquei um pouco perdida devido a quantidade de tribos (são sete), personagens, nomes de armas, deuses e rituais, mas aos pouquinhos fui pegando o ritmo.  Visando ajudar o leitor, o livro possui um glossário e mapa, que eu consultei durante toda a leitura.

De primeiro impacto, fiquei chocada ao conhecer a cultura desse povo. Quando nascem, as crianças passam pelo ritual aman paba. As Majé, curandeiras capazes de enxergar a linha que costura o tempo, dizem quantos motirõ as crianças irão viver. De acordo com seu motirõ, cada criança terá um papel estabelecido na tribo, dentro de uma hierarquia. As crianças com aman paba baixo são destratadas, consideradas insignificantes, como se fossem um peso. Há diálogos muito duros entre os pais e essas crianças que me entristeceram bastante.

O autor descreve muito bem. No início do livro, uma alcateia de lobos-guará ataca os Mitanguarini (aprendizes na tribo). Uma cena visceral e agonizante.  Me senti ali, escondida na árvore mais próxima, sem poder interferir em nada diante da situação. Fiquei perplexa!

Os personagens são cativantes e bem trabalhados, tanto em personalidade como história individual. Me apeguei aos protagonistas e aos coadjuvantes.

Há vários nomes de animais e plantas, que, no decorrer da leitura, pesquisei imagens em sites de busca. Sem dúvidas isso me ajudou a me ambientar na história. Quantos pássaros lindos temos em nosso país!

O autor foi muito original na criação dessa mitologia e linguagem própria; valorizou nossa cultura; foi rico em detalhes e descrições; e, com certeza, mexeu muito com minha imaginação com seus seres fantásticos.

Indico fortemente a leitura desse livro. Uma obra nacional indispensável de se ter em sua estante.

Aguardo ansiosa pelo próximo volume, “O Livro das Raízes”.

 

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Para conhecer mais sobre a obra, acesse Araruama: O Livro das Sementes