Esta é uma nova coletânea de contos que será publicada regularmente aqui na Taverna.     Esta história faz parte do mesmo universo que “O comércio de elixires na Planície dos Trovões”, conto do meu blog pessoal, mas eles podem ser lidos separadamente sem problemas. Esta é a parte final de cinco deste conto. A primeira se encontra aqui, a segunda aqui ,a terceira aqui e a quarta aqui.

Imagem e conto por Letícia Werner.

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 “Vamos, agora! Não se façam de corpo mole, que será melhor para todos se chegarmos no acampamento antes do sol nascer.”

 Um dos soldados segurava Pieter, que não parava de se debater e tentar lutar contra seus captores. Norma havia feito o máximo para prolongar a descida, mas agora que estavam no aberto, abaixo da noite que ficava cada vez mais escura, parecia não haver alternativa a não ser aceitar o destino.

 O verso do menino tinha que fazer algum efeito! Será que ele havia recitado errado? Se com um havia dado certo, porque com outro nada aconteceu?

 “Não podemos continuar.” Norma disse.

 “Alguma boa razão para isso?” O nobre perguntou, irritado.

 “Falei pessoalmente com o líder daquelas coisas. Mas andei pensando. E se o pedido dele for, na verdade, uma armadilha? Uma forma de chegar até nós, os líderes, só para dominar Pico da Rocha e Salões da Planície com mais facilidade? Sabemos nada sobre eles.”

 “Então você tem uma proposta melhor?”

 “Bem…” Ela não tinha. Estava apenas tentando adiar o fim da viagem, só mais um pouco. Mas para quê? Esperar o dia amanhecer? Da forma que os trovões rugiam, cada vez mais próximos, não levaria muito tempo até que a tempestade chegasse ali, e o dia seria tão escuro quanto a noite.

 Ainda assim, natural como a pressão do ar antes da tempestade, vinha a ela uma certeza de que sua sorte estava prestes a mudar.

 Pieter estava quieto agora. Prestava atenção na floresta ao redor das ruínas da torre, de onde haviam acabado de emergir. Ele tinha quase certeza que um verso compensava o outro, e recitando os dois misturados daquela forma, estariam protegidos. Seria diferente do que foi na primeira vez.

 E então percebeu algo se movendo para além dos arbustos. Algo incrivelmente rápido.

 “MONSTRO!” O menino gritou, e no instante seguinte, a enorme forma escura pulou da floresta na direção de Ignacio.

 A criatura o derrubou, mas pousou alguns metros à frente. Os guardas soltaram o menino, surpresos, e ele que fugiu em disparada para os rochedos em frente. A ama o seguiu.

 O cavaleiro recuperou o equilíbrio e virou-se para seus homens. “Sigam eles, que eu posso cuidar disso sozinho!”

 “Mas senhor, ele é muito grande!”

 “Não importa, já destruí coisas maiores por bem menos. Vão!”

 A criatura que o espreitava era um quadrúpede do tamanho de um touro, que portava uma máscara dourada decorada com chifres e presas à mostra. A longa cauda felina balançava; ele estava pronto para lutar.

“Não vou deixar uma besta qualquer me desrespeitar deste jeito. Venha e me enfrente!” Disse o cavaleiro, e eles avançaram um contra o outro.

 O monstro ergueu-se para acertar o guerreiro com suas garras dianteiras, mas o outro foi mais rápido e passou por baixo da criatura, a golpeando nas costelas com a espada.

 Com um urro, o ser voltou-se ao seu atacante e o desferiu um golpe com a cabeça. Os chifres passaram raspando nas laterais da armadura, e por pouco não feriram o guerreiro gravemente. Para evitar cair em frente às garras do monstro, rolou para o lado, para perto das patas traseiras.

 Havia percebido que elas eram muito menores e mais fracas que as dianteiras, e ali seu inimigo era indefeso. Mas logo que a espada encostou no flanco, o maior monstro da Cavalaria rugiu com a raiva mais pura, tornou a encarar o cavaleiro e, com um golpe do chifre, o levou muitos metros à frente até prensá-lo contra uma grande rocha que estava presente ali. O ser se moveu para trás, acreditando ter vencido, mas seu oponente caiu de pé, com a placa do peito levemente amassada.

 A batalha continuou numa sucessão de golpes e esquivas por algum tempo. Ambos pareciam igualmente espertos, mas o cavaleiro realizava seus movimentos com maior destreza, e a criatura, com maior força. Ignacio percebeu logo que o outro era tão cego quanto aparentava, e batia no escudo para confundi-lo sobre qual direção deveria avançar. Assim, conseguiu fazer uma série de cortes leves no dorso do monstro, dos quais escorriam filetes de um líquido azul escuro. A besta, por vezes, fingia estar ferida demais para continuar, apenas para o guerreiro se aproximar e ela arriscar outra investida.

 Após o último golpe, mais profundo que os outros, a criatura caiu no chão, e Ignacio deu a batalha por vencida. Afastou-se cauteloso por um tempo, e quando não percebeu mais movimentos vindos do oponente, caminhou na direção que seus homens haviam corrido. Mas o vento e os trovões distantes camuflaram algo, um som alarmante que Ignacio levou tempo demais para perceber. Ele apenas teve tempo de virar-se e ver os chifres.

 O golpe, desta vez, foi certeiro, e ao prensá-lo contra os pedregulhos, perfurou a placa de seu peito e o percorreu através.

 Orgulhoso da vitória, o monstro se arrastou rochedo acima, com a máscara voltada para os céus, e o homem ainda dependurado em seu chifre.

 Porém, apesar da dor, ainda havia força em Ignacio, e ele a usou para cravar a espada na abertura entre aqueles dentes dourados.

 “VAI MORRER TAMBÉM, SER INFELIZ!”

 O monstro tossiu e se engasgou, e em cada arfada por ar que ele dava, o líquido azul jorrava de sua boca.

 Alguns segundos após o golpe final, a criatura caiu de costas, o cavaleiro lançado um pouco à frente.

 Feridos para além de qualquer esperança, ambos faleceram quando as duas primeiras gotas da tempestade tocaram seus corpos.


 O estrondo dos portões da cidade sendo destruídos acordou os aldeões naquela madrugada. Eles se levantaram, espiaram pelas janelas, e viram o pavilhão do mestre dos monstros, abandonado pelos guardas e por qualquer vida. Também assistiram aos guardas de Salões da Planície, enquanto estes lutavam ou fugiam das tropas vermelhas que os atacavam.

Aproveitando a deixa, os camponeses seguiram para ajudar seus primos de colina abaixo. Porém, a terra rugiu, e surgindo por entre as construções, rochas e árvores, a Cavalaria Escarlate mostrou seu verdadeiro volume.

 Pessoas corriam para dentro das casas ou na direção do castelo quando Bron viu a coisa mais curiosa (que não o deixou amedrontado) nos últimos dias. A velha Gwen, aquela senhorinha frágil que raramente saía de casa, parada em pé no descampado em frente aos muros da cidade.

 Ela estava de costas para tudo aquilo, a cidade, os monstros, a batalha. Encarava o resto da cadeia de montanhas, e os rochedos, e a Planície dos Trovões, que continuava ao longe. Ela encarava a tempestade que se aproximava.

 Bron chegou perto e encarou o rosto dela. Ela sorria, com o olhar distante. “Oi, Tia Gwen” ele disse, “Está muito perigoso aqui fora, é melhor se esconder!”.

 Lentamente, ela se virou para ele, com aqueles olhos grandes e sonhadores que o viam, e ao mesmo tempo, não. “Está tudo bem, sobrinho neto Bron. A chuva irá lavar o mundo antes do amanhecer. Ela leva embora tudo que esta terra não precisa mais. Venha, vamos encontrá-la.”

 Dito isto, ela novamente se voltou para as montanhas, e começou a traçar um caminho, colina abaixo, com seus passinhos pequenos. Bron ficou sem ação por um momento, lembrando-se de todas as malditas previsões que Gwen fizera diante dele, desde que ele era menino. Ela sabia o que ia acontecer, e quando ia acontecer, e este era um fato inegável do qual Bron tinha certeza, desde que ela previra o casamento dele com Greta, quando eles eram apenas adolescentes que se encontravam às escondidas no bosque.

 E então ele soube o que devia fazer. “GRETA!!” Ele gritou enquanto a procurava. Ele a viu com lança em punhos, perfurando outra criatura como a que eles encontraram na cabana tantos dias atrás, as crianças segurando na barra da saia da mãe, e Drake, o mais velho, manejando a espada habilmente. Depois dele a chamar mais uma vez, ela se virou para o marido.

 “Traga as crianças, Greta! Drake! Chame quem você puder, nós vamos seguir a velha Gwen para fora deste inferno!”


 Pieter conseguiu se espremer entre as rachaduras das pedras e protegeu-se dos captores. Mas Norma era bem maior, e tinha dificuldades de seguir o caminho do garoto. Ainda pior era para os próprios guardas, cujas armaduras prendiam-se nas passagens.

 O menino e a mulher encontraram-se encurralados entre a montanha, as rochas e seus captores.

 “Ama, você tem certeza que tudo isto não é um sonho estranho do qual eu vou acordar logo?”

“Tenho, querido. Infelizmente, eu tenho.”

 Eles se abraçaram, esperando serem arrastados novamente para o caminho de sua sentença.

 Mas foi por cima do abraço do menino que Norma viu a movimentação nas colinas. Uma multidão descia pela face mais suave da montanha, guiadas por uma pequena figura. Um raio próximo revelou seus rostos: Aldeões e serviçais, pessoas com quem ela conviveu a vida inteira, agora fugindo de suas casas. Ela gritou e acenou para eles, que a viram e se aproximaram.

 “Minha nossa, é a Norma e o filho da Duquesa!”

“O que estão fazendo aqui embaixo?”

 Não houve tempo para respostas. Os guardas de Ignacio completaram sua passagem pelo rochedo, e de espada em punhos, eles chegariam aos dois antes que qualquer camponês pudesse reagir.

 Mais rápidos que eles, porém, foram os vultos vermelhos que caíram sobre seus peitos.

 As criaturas aladas, com os bicos e garras, arrancaram as armaduras dos soldados parte por parte, e o seu ataque não era uma visão bonita, mas lentamente os aldeões largaram o transe da cena de morte e prestaram ajuda à Pieter e sua ama, erguendo-os para a área plana da colina.

 Uma das criaturas soltou um grasnar vitorioso, e o sangue de todos os envolvidos gelou ao ouvir uivos, rugidos e outros sons responderem. A Cavalaria Escarlate tinha se aproximado tanto que estava praticamente entre eles.

 Pieter ergueu as mãos e ordenou o mais alto que podia: “PAREM! NÃO FOI ISTO QUE PEDI DE VOCÊS!”

 Mas fosse pela ordem ou não, eles demonstravam pouco interesse nos humanos. O foco era outro, para além das rochas, de onde havia pouco o menino e a mulher escaparam de captores frios. Naquele momento, duas gotas de chuva caíram sobre dois falecidos, e trouxeram a tempestade consigo. O chamado havia se completado.

 Aqueles que prestavam atenção poderiam perceber que o grasnar do ser voador era melancólico, e chamava o pranto dos outros. Seu companheiro, ao terminar a fúria que despejou sobre o soldado, virou-se para Pieter. Seu olhar faminto, como de um corvo que espera um animal morrer, atraiu o do menino.

“Você. Castelo. Agora.” Foram as únicas palavras ditas antes deles voarem, guiando os outros de sua corja de volta para a vila.


 Parecia loucura voltar agora, depois da maioria da população ser expulsa às pressas de suas casas, e talvez fosse. No caminho, encontraram dezenas de tecidos vermelhos abandonados, mas muito maior era o número de corpos de armadura e vestes esmeralda. Não parecia ser todo o exército de Salões da Planície jazendo ali, e muitos deviam ter voltado correndo para suas terras, mas levaria tempo até que os vizinhos de Pico da Rocha se recuperassem destas baixas.

 Quando chegaram ao castelo, era uma manhã cinza e noturna. A chuva agora era fina, e a pouca luz deixava a sala do trono com aspecto melancólico.

  Alguns dos monstros menores se empenhavam em remover a estrutura de metal que mantinha a pata traseira de seu mestre imóvel. Quando terminaram, ele pisou com ela, mas não com todo seu peso. Ainda mancava.

 Nenhum dos aldeões quis entrar naquele recinto, e Pieter e Norma ficaram parados no vão das grandes portas de madeira. O outro fez sinal para eles se aproximarem.

 “Está feito, então.” Ele disse para Pieter. “Os dois chamados. Cumpriu sua promessa, melhor que o primeiro invocador. Somos gratos.”

 “E o que acontece agora?” O garoto perguntou.

“A Cavalaria partirá. Nada mais aqui para fazer.”

 O menino abaixou a cabeça, e houve um momento de silêncio. Quando a levantou novamente, seus olhos estavam cheios de lágrimas.

 “Claro, depois que vocês quebraram tudo, não tem porque ficar, mesmo! Claro, depois que mataram tanta gente, pra que ficar? VOCÊS JÁ MATARAM MINHA MÃE, PRA QUE FICAR?”

 Ele fechou os punhos e deu socos nas patas dianteiras da besta, que não pareceu se incomodar. Norma segurou o menino o mais rápido que pôde, mas isto também não causou reação.

 O mestre inclinou seu tronco humano à frente, e apenas observou enquanto o menino começava a chorar. “É igual a ela, pequeno Duque.” Disse o mestre. “Tem o temperamento destas planícies. Continue lendo os pergaminhos antigos, segredos desta biblioteca não devem ficar escondidos. Feito isso, será um bom nobre.”

O monstro se aproximou. “Aqueles que se vão por nossos golpes, tem escolha. Podem ir para o que desconhecem, ou ficar, aumentar os números da Cavalaria. A Duquesa recusou nossa oferta. Ela foi melhor que os outros nobres que enfrentamos. Ela… Foi melhor do que eu.”

 Houve uma quebra em sua voz na última sentença. Ele andou pelo salão, testando a pata ferida, mas parecia agitado. Por fim, chamou seus súditos naquela língua grotesca e começou sua campanha, descendo pelo pátio do castelo, de passo a passo sendo acompanhado por mais dos seus. Ao chegar fora dos portões da cidade, aquele montante vermelho era uma cascata de sangue descendo os caminhos da montanha.

A Roda cumprida

Levamos o que nos chamou aqui

Outra luta vencida

Só resta para os sonhos

Partir…

E assim, a Cavalaria Escarlate sumiu por entre as árvores.


 Os aldeões ficaram impressionados com a forma que Pieter se comportou nos rochedos, e muitos acreditavam que foi ele que mandou os monstros embora. Para quem duvidava, a velha Gwen assentiu que o menino trouxe a chuva que lavou a guerra de suas vidas. Assim, ficou decidido que a linhagem da Duquesa Ethel deveria continuar governando Pico da Rocha, e Pieter foi nomeado o novo Duque. Por falta de melhores candidatos, Norma tornou-se sua mentora, e juntos, munidos da biblioteca e da prática diária, aprenderiam como governar uma vila.

 Enterraram os falecidos e queimaram os tecidos e máscaras deixados para trás. Não falariam mais dos monstros, de cavalaria ou qualquer coisa parecida, e ninguém usaria vermelho. Naquela mesma tarde chuvosa, Pieter foi condecorado Duque e houve uma pequena celebração.

 Não foram tempos fáceis, e nos primeiros anos, muitas pessoas deixaram Pico da Rocha. Alguns desconfiavam que a vila estava no fim de seus dias, mas cada ano seguinte foi um pouco menos difícil. Quando se deram conta, a vila era uma grande cidade, que chegava até o pé da montanha, da forma que fora séculos antes.

Outra família assumiu o controle de Salões das Planícies, e, temendo pela sua segurança, quebrou os laços com Pico da Rocha, dizendo que a outra era comandada por um mago terrível. Eventualmente, assustarão seus súditos o suficiente para promover uma campanha contra o povo da montanha.


 Era noite, logo após a cerimônia de Pieter, e Nicholas rasgava as páginas de um livro que descansava em seu colo, jogando-as no fogo da lareira.

 Os livros que ele recriara a partir dos pergaminhos desgastados agora eram alimento para as chamas. Padre Justino sabia dos manuscritos antigos, e também dos perigos da magia, mas era vaidoso.

 Mandou chamar Nicholas na Torre Paragônica, onde era conhecido por suas excelentes traduções. Fingiu então que o novo copista era um desconhecido que havia pedido para entrar para o clero, e assim ele passou a criar livros de feitiço decorados, disfarçados dos mais diversos tipos: Canções de ninar, fábulas, bestiários e até mesmo textos religiosos.

 O Padre queria se preparar contra ataques de bruxas, e que talvez precisasse fazê-las provar do próprio remédio. Porém, Nicholas o conhecia aquele velho, e sabia que, e ao descobrir um texto capaz de invocar um exército ao seu comando, Justino seria tomado pelo desejo de  usá-lo assim que a tradução estivesse pronta.

 Claro que o copista não seria louco de colocar os textos traduzidos na íntegra em um único material. O começo deles, os cantos de ativação, estavam todos num caderno pessoal, que guardava debaixo da cama.

 Agora via que foi tolo de escondê-los num lugar tão óbvio. Justino pegou o caderno e leu em voz alta o canto, mas então acovardou-se demais para ler o final do feitiço de invocação, qual o resto se encontrava no volume de canções de ninar. A ama leu o verso para o menino na ignorância, e assim chegamos no que aconteceu.

 Justino também era tolo de usar magia sem interpretá-la. Os versos deixam subentendido que aquele que começa o canto é sacrificado para completar o pacto.

 Sacrificado, como? Nicholas não sabia. Mas o padre havia desaparecido, e a guarda já havia o procurado umas sete vezes. Isto era resposta o suficiente, para ele.

  Pegou o maldito livro de canções em mãos, o último que faltava queimar. O comparou com o pergaminho original, e se perguntou que efeito o texto utilizado teria no feitiço, já que os monstros que apareceram eram bem mais similares aos foliões de suas próprias ilustrações do que os demônios que enfeitavam as bordas desgastadas do outro.

 Passou pelas páginas que havia colado, agora soltas, e era ali que ele começara a se arrepender de munir um ignorante de tais artefatos mágicos. Ele havia colado as páginas, pois os feitiços eram muito perigosos e teriam efeito, mesmo sem canto de ativação, enquanto a Cavalaria estivesse presente. Não devia tê-los traduzido.

 Mas ao passar das páginas, outra canção chamou sua atenção. Era simples… Mas era útil.

 Agora Nicholas sabia como esconder melhor suas coisas. Este livro não seria queimado, ficaria como uma segurança, a última opção em caso de desastre. Ficaria em sua posse.

Os vapores subiram pela chaminé, uma fumaça nefasta.

FIM

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Este é um dos maiores contos que escrevi até agora, e foi uma pequena batalha pessoal chegar ao fim. Ainda existem mais Histórias para contar na estrada, mas, por enquanto, Pieter e Pico da Rocha ficam para trás. Veremos as surpresas que os caminhos sinuosos das colinas nos trazem, daqui em diante!

– Letícia Werner