Oi, pessoal!

Me chamo Maria Carolina e tenho 20 anos na conta já. Eu sou uma menina que, se puder, sonha sem parar, além de muito curiosa. Sempre achei livros uma coisa extremamente instigante. Dizem que é feio bisbilhotar, mas se tem uma coisa que eu amo fazer é bisbilhotar bibliotecas: explorar estantes cheinhas de livros, ouvir os sussurros das histórias e sair correndo depois com um monte deles nas mãos, com um risinho no rosto. Foi numa dessas corridas que acabei esbarrando no portão da Taverna. Encantada só por estar aqui dentro, ouvindo as diversas histórias e conversas, mal acreditei quando deram-me a vez pra falar. Então, prontos ou não, aí vou eu! (:

Pelo visto, Douglas Adams tinha mais uma história para contar, e uma das boas! O autor, famoso por sua obra “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, tinha ainda uma dupla de livros a respeito de um detetive que é, no mínimo, excêntrico.

Dirk Gently segue uma filosofia um tanto quanto inusitada, acreditando que, para bem cumprir seu trabalho de detetive, deve se concentrar na “interconexão fundamental de todas as coisas”. Ou seja, por mais que os fatos de um homem fazer uma mágica descontraída, mas surpreendente em meio a um jantar, e de um outro homem tentar roubar a fita da secretária eletrônica de sua namorada pareçam fatos completamente distintos um do outro, são, na verdade, fatos que se conectam. No fim todas as coisas se conectam.

 Não estou interessado em trivialidades, como impressões digitais, fiapos de tecido reveladores ou pegadas inúteis e, sim, no fato de que a solução para qualquer problema pode ser encontrada na maneira como se configura e entrelaça o todo. As conexões entre causa e efeito são geralmente mais sutis e complexas do que poderíamos supor com nossa compreensão rudimentar do mundo físico, Sra. Rawlinson.

E é essa conexão que no fim das contas explicará muito do que está acontecendo, será a chave para solucionar alguns mistérios. Mistérios que apenas a Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently pode resolver.

Douglas Adams nos conta sua história com um bom humor sempre presente, brincando a todo o tempo com o leitor ao trazer situações completamente fora de contexto e desconexas, quase que desafiando àquele que se depara com os primeiros capítulos a imaginar de que forma aquilo tudo poderia ter relação com a história do livro.

Pois é assim que, logo após um primeiro capítulo enigmático, mas extremamente bem escrito, o autor nos apresenta um monge eletrônico, uma máquina criada para crer pelos outros. E esse tinha dado defeito, por isso estava abandonado. O que isso significa? Acredite ou não, o monge tem sua importância na história, assim como quase tudo – se não realmente tudo –  e todos aqueles que surgem na narrativa.

Tudo isso pode estar parecendo uma grande viagem, uma doideira só. Bom, talvez seja mesmo. Esse livro, apesar de ter uma investigação, não é nem de longe como os outros livros investigativos. É preciso estar de coração aberto para ouvir uns absurdos tremendos e ainda acreditar que no fim tudo vai realmente fazer sentido. Às vezes, simplesmente não estamos no clima. É um humor tênue, com o qual eu mesma me peguei algumas vezes um tanto irritada, querendo que chegasse logo aonde queria chegar, não entendendo o que tudo aquilo significava, para depois perceber que, enquanto eu batia o pé reclamando para que contasse logo sua história, ele, afinal, já estava contando desde o início. Só não do jeito convencional.

Acredito que, acima de tudo, foi justamente isso que mais me fez amar o livro. Foi exatamente essa grande brincadeira que o autor leva ao longo de todas as 240 páginas, como se estivesse a todo tempo me desafiando a ouvir palavra por palavra, tudo que ele tinha pra dizer. Foi divertidíssimo! Por isso, decidi não contar nada além do que já diz a sinopse, para que não se perca grande parte da graça do livro. Só é preciso saber que existe um rapaz chamado Richard e ele está em apuros, e que Dirk se dispõe a ajudá-lo. O todo o mais eu deixo para você descobrir! (:

Afinal, não é um livro longo, é quase como um filme. Não existe grande profundidade de personagens, mas um foco nas ações das mesmas. Isso traz uma fluidez à leitura. É rápida, dinâmica. Apesar disso, pude também me apegar às personagens e sentir aquela vontade de quero mais, aquela leve tristeza em dizer adeus para aqueles indivíduos tão peculiares e engraçados. Ainda bem que existe um outro livro com outra história sobre Dirk!

Este foi o meu primeiro contato com o autor, que ainda não havia me conquistado, mesmo com o famoso guia do mochileiro. Acabei chegando a ele por conta da série de mesmo nome produzida pela Netflix. Apesar de trazer outros personagens, mantendo apenas Dirk, a série me parece ter a mesma essência do livro. Para quem gostar da história, vale a pena dar uma olhada ao menos na primeira temporada! (:

É isso, pessoal! Boas leituras e logo mais nos vemos outra vez!

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