Olá, caros viajantes da Terra e de outros planetas!

Hoje, temos a resenha de uma obra internacional de Sci-Fi. Devo dizer que somente li este primeiro livro. Portanto, algumas impressões deverão mudar conforme eu leia os próximos da saga.

Peçam suas bebidas intergalácticas e me acompanhem.


Prelúdio

Em minhas resenhas, adoto o seguinte formato:

I) Reflexão:

Uma breve análise e meditação sobre os temas abordados no livro.

II) Resenha:

Uma abordagem das seguintes construções do livro:

1) Narrador;
2) Personagens;
3) Enredo;
4) Sistema de Magia.

III) Conclusão;

Uma opinião final sobre a obra.

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Livro: Guerra do Velho.
Autor: John Scalzi.

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Reflexão

Se ao chegar no fim do dia você pudesse voltar ao nascer do sol, o que você faria de diferente?

E se eu te dissesse que você viveria outro dia ao invés do mesmo, independente se as suas ações fossem iguais?

E se o dia sobre o qual estamos falando fosse a sua vida inteira?

John Scalzi aborda o tema do ciclo da vida de uma forma interessantíssima. Se tivéssemos a chance de ir contra essa naturalidade, mas o preço a se pagar seria largar tudo que obtivemos ao longo da vida tirando as memórias, ainda assim o faríamos?  Sempre ouvimos por aí que “a vida é curta” e que, portanto, devemos aproveitar intensamente todos os momentos, sejam de lazer ou de responsabilidades, a fim de que eternizem em nossas memórias e aprendamos uma lição com cada um.

Vivemos em uma geração com uma quantidade absurda de informações, e cada vez mais nos distanciamos dos planejamentos. Se, de fato, pudéssemos dar um “reboot” em nossas vidas, por qual razão faríamos as coisas instantaneamente se teríamos uma eternidade para conquistá-las? E pior: mesmo sem a possibilidade de recorrermos a esse “reboot” em nossas vidas, rumamos em direção à dispersão de pensamentos e atitudes. Em outras palavras, estamos, aos poucos, perdendo a relação tempo-espaço.

A lição que podemos aprender com a tecnologia apresentada no livro é: será que realmente aproveitamos a vida? Ou estamos todos à espera de uma tecnologia salvadora para nos sentirmos revigorados para sempre, sem responsabilidade do que ficou no passado, independente do futuro que está por vir?

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Resenha

1) Narrador

John adota a forma de Narrador em Primeira Pessoa. Acompanhamos a jornada de John Perry durante o livro. Apesar de ser seu primeiro livro publicado, é digno de nota uma prosa fantástica. Foi muito justa a nomeação para o Prêmio Hugo de Melhor Romance de 2006.

2) Personagens

A equipe dos Velharias bate de frente com qualquer equipe de super-heróis atualmente.

Brincadeiras a parte, o autor tem um ótimo domínio na construção de personagens —  vários diálogos me fizeram chorar de rir. A cena de John Perry com o Sargento-mor Ruiz, discutindo sobre um mascote de publicidade, foi uma das mais engraçadas que já li. O autor escreve com naturalidade e se destaca em cenas tanto alegres quanto naquelas de cunho mais pesado.

Temos uma construção fantástica do personagem principal.  Toda sua evolução e adaptação com a nova vida é incrível. O autor faz questão de desenvolver os personagens de forma que nos identifiquemos com eles, pelas ações, falas e modo de pensar.

Além disso, acho importante ressaltar a criatividade na construção das raças presentes no universo do livro. Fiquei admirado com a importância de cada uma delas para o desenvolvimento do enredo.

3) Enredo

“No meu aniversário de 75 anos, fiz duas coisas: visitei o túmulo da minha esposa, depois entrei para o exército.” John Perry

Estamos na era das viagens interestelares. Nesse sentido, para a expansão da humanidade em outros planetas ocorrer, criou-se as Forças Coloniais de Defesa (FCD). Detalhe: para se alistar precisa-se ter 75 anos de idade. Esta questão da idade é um papel muito importante para a trama e as motivações do personagem principal.

Acompanhamos o aposentado publicitário John Perry e sua carreira militar nas FCD. No ponto de vista do personagem, são trabalhados temas interessantes como amizade, mortalidade, casamento e o que nos torna humanos. Em vários momentos, o personagem é colocado em uma situação de dúvida, o que nos instiga a questionar a decisão a ser tomada.

Cada raça alienígena apresenta suas características únicas. Vislumbra-se, nessa lógica, uma construção de mundo (world building) complexa e caprichada.

4) Sistema de Magia

Como estamos falando de Sci-Fi, acredito que o termo Tecnologia se encaixaria melhor. Mas, bem, qual a diferença entre Magia e Tecnologia? (Deixo essa pergunta para ser respondida nos comentários, hahaha.)

Pois bem, devo dizer que John Scalzi trapaceou em ter Nick Sagan (filho daquele carinha lá, Carl Sagan) como ajuda no embasamento teórico e prático da Física e seus ramos; em especial, Física Quântica. Como sou spoilerfóbico — assim como o Ian —, deixo o gostinho das tecnologias apresentadas no livro para o leitor, mas ressalto que é um ponto fortíssimo do livro.

O sistema de viagem no espaço(FTL) é incrível!

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Conclusão

Devo dizer que fiquei impressionado com o livro. Superou todas as minhas expectativas. Sem dúvidas, lerei a sequência, As Brigadas Fantasma.

Aproveitando a oportunidade, destaco a importância de darmos uma maior audiência à Ficção Científica, que — infelizmente — tem se mostrado um pouco apagada no cenário de leitura brasileiro.

“Armas não matam pessoas; os alienígenas atrás das armas, sim.”


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