As histórias de Rei Arthur estão entre as maiores influências na fantasia europeia atual. O formato simples dos contos medievais, usadas para a transmissão de valores morais na época, ainda está presente nos contos de fadas. Rei Arthur, nesta adaptação clássica publicada pela Zahar, é provavelmente o exemplo mais claro de Jornada do Herói que já li.

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 Esta versão de “Rei Arthur e Os Cavaleiros da Távola Redonda” foi escrita no começo do século XX por Howard Pyle, na época famoso por suas ilustrações de histórias infantis. A obra tenta se aproximar dos livros originalmente escritos no fim da idade média, com sua moral cristã e formato de romance de cavalaria.

“AQUELE QUE ESTA ESPADA DA BIGORNA ARRANCAR
VERDADEIRO REI-NATO DA INGLATERRA SERÁ.”

 Destinado ao público infantil, este livro trás várias histórias curtas que seguem em sequência,  com começo, meio e fim bem delineados. Também tenta ao máximo imitar a construção da escrita medieval, com destaque para a moral presente no fim de cada conto. Devido à este motivo, o estilo é um pouco maçante, mesmo quando comparado com outros livros de virada do século.

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 Felizmente, o livro também conta com o incrível trabalho de ilustração de Howard Pyle. As gravuras trazem uma dimensão extra à história, e também refletem a mistura do estilo medieval com o contexto do séc. XX, e demonstram realismo nos detalhes de composições no formato da época anterior. O olhar do ilustrador também está presente no detalhismo das cenas.

“Os dois nobres corcéis avançaram como relâmpagos, cruzando o chão com um ímpeto tão violento que a terra tremia e sacudia sob suas patas como se fosse um terremoto. Os dois cavaleiros se encontraram mais ou menos no meio do campo, e chocaram-se como um trovão.”

 Howard Pyle nasceu em Wilmington, no estado americano de Delaware, em 5 de março de 1853, e morreu em Florença, Itália, em 9 de novembro de 1911. Interessado em artes desde a infância, se apaixonava pelas ilustrações de seus livros infantis. Ele chegou a ser professor de ilustração no Drexel Institute of Arts and Sciences, e foi muito mais conhecido por seu trabalho como ilustrador do que pela escrita. Seu tema favorito era piratas, e o compêndio de sua obra, “Howard Pyle’s Book of Pirates”, chegou a inspirar a caracterização do Capitão Jack Sparrow.

 Ele escreveu “Rei Arthur e Os Cavaleiros da Távola Redonda” nos últimos anos de sua vida, em 1903, seguido por “A história de Sir Lancelot e seus companheiros” (1907), “A história do Graal e a morte de Arthur” (1910).

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 Outra qualidade desta edição é o prefácio que a localiza historicamente, mostrando as mudanças ocorridas nas histórias da Távola Redonda com o passar das eras e a razão para o texto ser como é. Uma ótima referência para os interessados em história.

“- (…)aquela espada não é algo fácil de conseguir e, além do mais, afirmo-lhe que vários cavaleiros perderam a vida tentando aquilo que o senhor está determinado a fazer. Pois, na verdade, homem nenhum pode conquistar aquela espada a não ser que venha livre de medo ou de censura.”

 Por fim, o texto antiquado pode ser maçante, e definitivamente existem versões de Rei Arthur que agradariam mais leitores atuais, mas para quem se interessa no contexto histórico da obra, adora gravuras bem executadas e quer conhecer mais sobre os Cavaleiros, aqui estão as principais histórias.

 Ah, e a espada na pedra não era a Excalibur.


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