O artigo de hoje tem como intuito apresentá-los ao universo steampunk, com suas temáticas principais e vertentes na cultura pop/geek atual.

 Começando pelo básico: O que é steampunk?

 Steampunk (com a tradução livre “vapor punk”) é um ramo da ficção científica que é geralmente ambientado em uma sociedade do fim do séc. XIX, durante a Revolução Industrial (a qual na Inglaterra, é considerada o final da Era Vitoriana). Alguns destaques do gênero são tecnologias muito avançadas para a época; intertextualidade e mistura com outros gêneros e história alternativa.

 Como temas comuns, vale destacar a luta entre classes, bastante fortes durante o séc. XIX real; história alternativa, como dito anteriormente (nota: nem toda a história alternativa é steampunk.); viagens à ambientes hostis e pouco explorados, como nas histórias de Verne; mistérios e conspirações; entre outros, sempre explorando maquinários e invenções extraordinárias, às vezes puxando mais para o aspecto científico, às vezes mais para o fantástico.

 O steampunk originalmente tenta imitar o estilo e ambientação dos primeiros grandes autores da ficção científica, como H.G. Wells e Jules Verne. Entre as obras de H. G. Wells que servem de inspiração, vale destacar A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Dr. Moureau (1896) e A Guerra dos Mundos (1898). De Jules Verne, Viagem ao Centro da Terra (1864), Vinte Mil Léguas Submarinas (1870) e A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1872).

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Gravura do interior do submarino Nautilus em Vinte Mil Léguas Submarinas, e máquina do tempo construída para a adaptação em filme do livro de H. G. Wells

 Outra grande fonte de inspiração para o steampunk era a própria época, onde houve um crescimento absurdo da indústria e o desenvolvimento de novos meios de produção e transporte acabavam nas peças mais mirabolantes. Foi a primeira vez em que o homem viu-se ameaçado pela máquina.

 O gênero tem suas origens por volta dos anos oitenta, dentro do mesmo círculo de autores que desenvolveu o cyberpunk. Não é claro quem o inventou, mas era uma forma de identificar as obras retro futuristas que estavam sendo desenvolvidas em paralelo ao cyberpunk. Com o lançamento do livro “A Máquina Diferencial”, de William Gibson e Bruce Sterling, o termo se disseminou e inclusive deu início à toda uma linha de nomes para sci-fis que se situam entre o vapor e o cibernético: dieselpunk, laserpunk, atompunk…

 Depois de sua invenção, muitas obras foram atribuídas ao gênero, mesmo que tenham sido escritas antes da definição. Há quem considere até mesmo as obras de H.G. Wells e Jules Verne dentro do gênero, embora fossem o único tipo de ficção científica que existia quando foram escritas.

 Como muitos autores de livros steampunk provém do cyberpunk, os temas explorados inicialmente eram bastante parecidos, apenas adaptados para a ambientação de época. Com o tempo, steampunk foi se misturando com outros gêneros, como fantasia e terror, e agora é bastante misto. Também virou um cenário clássico para exemplos de história alternativa: momentos importantes da história da humanidade, caso algo tivesse acontecido de forma diferente.

  Algumas obras literárias no gênero que conseguiram grande repercussão são a própria “A Máquina Diferencial”, de William Gibson e Bruce Sterling; a HQ “A Liga Extraordinária”, escrita por Alan Moore; e o livro “Homunculus”, de James P. Blaylock.

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Da esquerda para a direita: A Máquina Diferencial, A Liga Extraordinária e Homunculus

 Dentro da literatura nacional, podemos destacar a série “Brasiliana Steampunk“, de Enéias Tavares, “Le Chevalier e a exposição universal“, de A. Z. Cordenonsi e “Guanabara Real“, de Enéias Tavares, Nikelen Witter e A. Z. Cordenonsi.

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Da esquerda para a direita: “A Lição de Anatomia do Temível D. Louison”, primeiro volume de “Brasiliana Steampunk”, de Enéias Tavares, “Le Chevalier e a exposição universal”, de A. Z. Cordenonsi e “Guanabara Real 1: A Alcova da Morte”, de Enéias Tavares, Nikelen Witter e A. Z. Cordenonsi.

 O steampunk passou da literatura para outras artes, como a música, jogos e artesanato.  Nessa sessão, vamos ver algumas dessas iterações.

 Na música, bandas como Abney Park, Steam Powered Giraffe e The Cog is Dead, misturam techno industrial, punk, música folk e vitoriana para contar histórias sobre piratas de dirigível e máquinas com sentimentos. Cada banda tem sua própria temática e história fictícia.

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Membros da banda Steam Powered Giraffe

Jogos também adotaram o steampunk, seja só pela estética ou pelos temas envolvidos. Um exemplo estético que eu gosto bastante é o “Bioshock Infinite” (2013).

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Cena de Bioshock Infinite

 A estética steampunk se destaca por um equilíbrio entre a função industrial, com o bruto das engrenagens e canos expostos, e a forma e beleza dos estilos de época.  Para algumas pessoas é tão atraente que começaram a adotá-lo como subcultura, e existem eventos, chamados de “lojas”, onde steampunkers se encontram. Também é possível vê-los usando suas steamplays em eventos geek, ao lado de cosplayers convencionais.

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Foto em grupo do Conselho Steampunk Loja Paraná

 O evento Burning Man, nos EUA, é conhecido pelas roupas nada convencionais e as esculturas móveis gigantes, feitas especificamente para o festival.  O steampunk é uma estética comum entre elas.

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Carro “Neverwas Haul”, um dos icônicos do Burning Man

 Em várias partes do mundo é possível encontrar carros alegóricos que simulam animais autômatos movidos à vapor, museus destinados ao tema, e até cruzeiros com shows de mágica e dança, tudo dentro do steampunk.

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Elefante mecânico do grupo Les Machines de L’ile, da cidade de Nantes, França
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Museu “Steampunk HQ”, em Omaru, Nova Zelândia
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Festa temática no Museum of Natural History, Inglaterra (sim, o bar é embaixo da cauda do brontossauro)

 Objetos steampunk são geralmente peças adaptadas, algo cotidiano transformado em obra artesanal. Uma pesquisa no site de venda de artesanatos Etsy oferece a mais diversa coleção, de braceletes de couro e óculos de proteção à laptops de madeira envernizada, com teclados de máquina de escrever.

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Não estou brincando. Peça por Cool Gear Steampunk.

 Os steampunkers aderem ao movimento geralmente como uma forma de escapismo, tão prática com suas formas retas e paredes cinzas. Eles vão contra a tecnologia, mas não a negam. Colocam-a como centro da atenção em peças que mostram como seria se ela fosse aliada da estética e não precisasse se esconder atrás de coberturas de plástico, vidro ou alumínio.

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O detalhismo e a beleza dos relógios de corda são grande inspiração.

  Atualmente, o gênero se tornou tão reconhecido que estimulou ficções alternativas de histórias que não pertencem ao gênero. Fãs colocam seus personagens favoritos dentro de universos steampunk. Heróis da Marvel e da DC? Entram. Star Wars? Bem comum. Harry Potter? Um monte de versões. Mickey e a turma? Também.

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E olha que a maioria das variações são feitas por fãs, mas estas aqui são oficiais mesmo.

 Por fim, steampunk é um ramo da ficção científica que trabalha não com o que será, mas o que poderia ter sido. Até mesmo quando é situada em uma sociedade totalmente fictícia, existem alusões culturais e tecnológicas à nossa história. Entre o sci-fi e a fantasia, ele nos convida a imaginar outros passados.

 Agora, divirtam-se com uma música do Abney Park, explicando o que é steampunk para eles.


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