Olá, viajantes! O que começou como uma brincadeira lá em nossa página do Facebook tornou-se algo maior do que imaginávamos. Diariamente, postamos imagens de artistas talentosos e propomos desafios para que novas histórias sejam criadas. O resultado foi o recebimento de centenas de histórias incríveis. Surgiu então a ideia de criar o Desafio da Taverna, onde as melhores e mais criativas histórias ganharão destaque aqui no nosso blog.

Confiram então a nossa primeira seleção: 


 

— Por que você tá chorando?
— Porque finalmente encontramos…
— Para o que estamos olhando, pai?
— Esperança…

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Arte de Vladimir Manyukhin

 

O homem sorriu para o filho e então o conduziu gentilmente para perto da estátua do titã.
– Esperança? – o rapaz repetiu, olhos fixos na grandiosa massa de rochas que, agora de perto, parecia pulsar lentamente como se adormecida. – Como exatamente isso vai ser nossa esperança?
O pai não respondeu. O rapaz se virou para encará-lo. Foi então que sentiu o aço da espada perfurando seu peito juvenil, os olhos trêmulos do pai e a vida jorrando do coração.
– Esse era o único jeito, filho – o pai balbuciou em lágrimas salgadas – o único jeito de reavermos a Esperança.
Os joelhos cederam e o rapaz caiu para trás. Confuso e magoado, a última coisa que viu foi o céu e a neve manchada de vermelho.
– Lamento, filho…

Autor:  Pedro Paulo Ferreira


Descreva essa batalha mortal entre dois adversários:

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Artista desconhecido

 

Me enveredei igual felino
Mergulhei nas águas fétidas
Lar de criaturas tão vivas
E total esqueléticas
Por entre caminhos tortos
Casa de todos os mortos
Segui o forte herói Mériklas

Mais uma lenda intrépida
Honrado, vos ei contar
Pois com suas acrobacias
Parecia que podia voar
Saltando pelas pedrinhas
Evitando erva-daninhas
Tão belo movimentar

O inimigo a enfrentar
Era o demônio de Mohrgal
Uma serpente gigante
Nascida de todo mal
Nela o druida veio montado
Seu mestre, o maculado
Por uma força infernal

O druida rugia tão igual
Fosse transformado em bicho
Ladrava e grunhia e roncava
Respondido era o capricho
Pois a besta mergulando
E nosso herói desviando
Todos ataques do bicho

Enquanto no seu sabicho
Mériklas já havia encontrado
Mataria logo a criatura
Com um golpe concentrado
Sua valentia me espanta
Pulou dentro da garganta
No ponto a ser acertado

Como premeditado
O monstro caiu a carcaça
O corpanzil debatendo
No fim da vida desgraça
Foi a espada como broca
Trespassou no céu da boca
Atingiu do cranio a massa

Mohrgal caiu todo sem graça
Mériklas não deu perdão
O druida caído rugiu
Se transformou num monstrão
Com escamas resistentes
E muito aparentemente
Lembrava o morto no chão

Protestou uma maldição
Contra o druida desgraçado
Que levantou vôo no ar
Antes de ser acertado
Mais uma vez se erguia
O monstro que ali teria
De findar derrotado

Finalmente havia chegado
Depois de muito sofrer
Mohrgal estava então morto
Como a lenda tem de ser
Eis Mériklas, O Corajoso
Fora ele então vitorioso
Pois o bem não pode perder

Todos saúdem os heróis
Da nossa terra adorada
Que sacrificam suas vidas
Pelos que não podem nada
Hei sempre de vos contar
As lendas deste lugar
Dessa minha gente amada

Phill Língua-ligeira, bardo e compositor de lendas e histórias de heróis, baseadas em fatos reais.

Autor: Diogo Emmanoel Costa


As copas das árvores balançaram com o soprar de um vento gélido. O corpanzil albino da criatura deslizou pelos troncos ancestrais para perto do mago, observando-o sem olhos…

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Artista desconhecido

 

A espada do mago começou a brilhar em alerta, servindo-lhe bem, feita para rastrear Sombras, mesmo que esta que acabara de encontrar, com todo o seu tamanho, não fosse tão difícil de se localizar. Então ele embainhou a espada e, com a outra mão, puxou seu cajado.
Desenhou um círculo no ar com o cajado de madeira arcana. Sinal de escudo. Depois, a fim de dar logo início à batalha, desenhou o Sol, e fez surgir sobre seus ombros sete cópias do sol em miniatura, do tamanho de cabeças humanas emitindo, calor e luz suficiente para amedrontar e enlouquecer a criatura.
Mas ao invés de lutar, ele fugiu, abrindo um portal de volta à vila. Se qualquer outra pessoa visse o que ele viu ao iluminar a floresta com sete sóis, saberia, assim como ele sabia agora, que seria necessário um exército de magos para conter as sombras que pareciam surgir de cada escuro da floresta a todo instante, todo dia, toda hora…

Autor: Carlos Gabriel


Herói, você evocou um Deus para sua guerra mortal. Faça um pedido, e eu julgarei se poderá ser atendido…

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Arte de Justin Gerard

 

— Eu incendiei a cidade, com suas mulheres, velhos e crianças. Imolei-os em holocausto num altar digno de ti, ó Supremo Assassino. Ofereço suas almas inocentes, não em troca de vitória. A vitória não me interessa. Eu quero a vingança!!! Quero que o Povo de Ymir pague, quero afogá-los no próprio sangue, quero gravar o sofrimento em bronze nas lendas da história. Permita-me, ó Carniceiro, ser teu cavaleiro de destruição e juro deixar seu apetite por massacre satisfeito por eras.

Autor: Erick Vaz de Castro


“Esse é o mausoléu de todos os heróis do mundo. Com minha espada das almas, poderei acordar todos eles para a maior guerra que nossa civilização já enfrentou…”

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Arte de Maciej Kuciara

 

Os alto sacerdotes me imbuíram com o poder divino. Os reis tornaram-me seu campeão. O povo me aclamou como herói. Parti com meus cavaleiros em busca da maior de todas as relíquias, e a encontrei. Ninguém, porém, esperava que a Vingadora Sagrada estivesse deturpada, e que brandi-la nos corrompesse, nos levasse para as trevas. Agora, meu exército de mortos marchará sobre o reino, na maior guerra que a civilização já enfrentou. Sua última guerra.

Autor: Mateus Herpich


Finalmente chegou o dia de eu me provar como caçadora de demônios…

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Arte de Daryl Mandryk

 

Eu sou a noite na floresta escura, eu sou a escuridão onde a luz não consegue alcançar — A voz gutural saia da escuro entre as arvores da floresta. Duas grandes luas amarelas surgiram da escuridão, oprimindo a presença de Cecilia, observando-a. Continuou a escuridão a falar — Eu sou a mãe, eu sou a proteção, e vocês animais superdesenvolvidos e egoístas são a luz, a praga que entra sem permissão e queima tudo.

Não, você sim é a desgraça. Você mata e trucida homens perdidos na noite, você os come como porcos espetados.

A caçadora postou-se em frente as primeiras arvores da floresta. Apontando sua arma para algo ali, no meio das duas luas amarelas que lhe observam. E finalmente sob a luz do luar, emergiu do escuro abismal o monstro que aterrorizou as redondezas por meses. À frente dos olhos lunares, um focinho de lobo surgiu, na cabeça ostentando chifres de carneiro e juba de leão; caminhou até a caçadora com seus pés de macaco. Uma quimera monstruosa três vezes maior do que Cecilia.

Quando finalmente surgiu por completa, o cheiro forte de terra úmida e sangue fresco inundou o olfato da humana. A boca lupina novamente fez-se abrir e uma língua bifurcada de serpente surgiu entre os dentes longos de crocodilo.

— A imagem de mulher vermelha ou a criança de pés trocados se foi, o espírito guardião se enfurece quando não se respeita seu lar. — A criatura olhou fixamente para Cecilia e estufou o peito de macaco, apontando ao coração — Os homens só se perdem porque eu o faço assim, para que eles não mais matem os seres daqui.

As mãos de Cecilia tremeram ao ver lágrimas nos olhos da quimera; a verdade doía em seu peito. A criatura continuou  — Vocês humanos deixaram de matar para sobreviver, se alimentar, respeitar. Vocês humanos matam por diversão, por esporte.

Você matou pessoas inocentes também — Cecília berrou, forçando a garganta para não explodir em soluços.

E quantos dos meus não foram assim? Mate-me mulher, mas entenda que nossos motivos são os mesmos. Vingança!

Autor: Diogo Emmanoel Costa


“Você é o escolhido para nos salvar!”

“Você deve sacrificar-se no fim. Só assim o mundo se livrará do mal.”

“Não vai… é muito peso pros seus ombros… por favor, fica!”

“Todos têm uma escolha. Você já fez a sua?”

— Sim, mestre… eu fiz…

 

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Arte de Maciej Kuciara

 

Respondi, e comecei a subir as escadas sem dizer mais nada. Não havia mais o que dizer na realidade. Todo meu treinamento, tudo que havia aprendido desde a infância se resumia para aquele momento, meu momento de glória, onde daria a minha vida para salvar todos que amava. Mas, o que era então esse sentimento que apertava forte meu coração? Era esse o fim? Se sacrificar para impedir um mal que eles mesmos haviam criado? Porque só eu devia sofrer? Porque eu seria o único a não ver a paz duradoura que viria? Mas antes mesmo que meus pensamentos me dessem uma resposta, me vi subindo o último degrau e ficando cara a cara com o mal.

A criatura disforme consumia tudo ao seu redor, seu corpo negro lustroso se arrastava por entre os prédios enquanto seu toque corrosivo lentamente transformava tudo o que tocava em uma pasta negra. Apesar disso, possuía uma protuberância mais destacada onde três pequenas luzes azuis brilhavam e giravam como se examinassem o mundo, parecendo desesperadamente buscar por algo.

“Atross!” Gritei, e imediatamente a criatura se voltou pra mim. Num instante, aquela imensidão negra e sem forma veio em minha direção, gigantesca e assustadora. Pensei que seria ali que iria morrer, mas o monstro parou a alguns passos de mim, mirando em meu rosto suas três orbes brilhantes:

“Eu sinto… O poder dela…” A voz ecoou nos meus ouvidos, sempre me disseram que o monstro tentaria em enganar e me convencer a não prendê-lo novamente, mas aquela voz não soou agressiva o violenta, só triste.

“Eu sou o herdeiro do poder de El!” Respondi, tentando não me intimidar.

“Você… Eu quero… que faça algo por mim…” Os orbes brilhavam cada vez mais a cada palavra proferida. ” Eu quero morrer…”

Aquilo me desarmou, minha mão foi à pequena esfera que guardava sobre o robe. Devia usar toda a minha energia para prender novamente aquela coisa, mas o que estava acontecendo? Por que ele queria morrer? Dúvidas voltaram a rodear minha mente inquieta, quando notei que uma segunda protuberância surgia de seu corpo, mais fina, parecendo um tentáculo com uma pequena luz azul na ponta

“Eu irei… lhe mostrar…” Ele falou, ao mesmo tempo que o fino tentáculo tocava minha testa com sua ponta luminosa; por apenas um segundo, eu vislumbrei a verdade.”

Autor: Derik Lopes


Esse é o protagonista da sua história de suspense sobrenatural. Dê a ele um nome e um passado sombrio que o assombra.

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Arte de Fred Rambaud

 

Nolan Castañeda é um ex-policial que teve sua mulher brutalmente assassinada anos atrás, e o criminoso nunca foi pego. Um dia, ele recebeu uma mensagem de texto dizendo “me ajude” e, pelas mensagens trocadas posteriormente, ele se convenceu que elas vinham de sua falecida esposa.
Na mesma época, outro assassinato do mesmo modus operandi ocorreu na cidade e Nolan conclui que poderia ser o assassino de sua mulher. Agora ambos – detetive e espírito – trabalham juntos por conta própria a fim de evitar mais mortes. Nolan está determinado a ajudar a alma de sua esposa a descansar, mas seus amigos próximos dizem que ele pode estar ficando louco…

Autor: Felipe Faria


Esse é o vilão de sua obra de fantasia. Qual seria seu objetivo principal na trama?

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Artista desconhecido

 

Libertar o instinto primitivo em todos os seres com o intuito de devorar e destruir as civilizações atuais. O vilão, na verdade, não é uma criatura física, mas apenas a manifestação de uma força primitiva, selvagem e ancestral, que agora almeja fazer o mundo retornar a velha dualidade de “lei do mais forte”.

Autor: Felipe Salvador


Escreva como seria o diálogo entre a mulher e a criança?

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Artista desconhecido

 

História #1

— Terra…

A criança balbuciou, seus pequenos olhos claros brilhando de curiosidade conforme espalmava sua diminuta mão no vidro, tentando debilmente alcançar a esfera que aos poucos se tornava cada vez mais distante.

Com lágrimas nos olhos, Ivy afundou o nariz nos cabelos do filho, respirando profundamente o perfume familiar e reconfortante de seu pequeno milagre. Seu marido, Adam, havia em vão tentado consertar o satélite. Agora eram apenas os dois, mãe e filho, e o vazio infinito do espaço.

Adam havia sigo engolido pela explosão, uma morte silenciosa, insignificante. Não haveria flores. Não haveria um funeral. Não haveria luto. Não mais. Ela não podia se dar ao luxo de sofrer logo agora, depois de todas as perdas que já haviam enfrentado para chegar ali.

— Sim querido. Terra… É hora de dizer adeus para ela. E para o papai também.

Quem diria que, em um planeta com tantos recursos naturais, seria justamente a infertilidade que traria a ruína das civilizações humanas.

Uma praga havia se espalhado, secando os úteros das mulheres, matando as plantas e os animais. A tão famosa ira de deus finalmente havia recaído sobre suas criações malcriadas e egoístas. Há dez anos atrás a bióloga ria ao se deparar com pessoas em situações miseráveis carregando pedaços de papelão com escritas anunciando o fim dos tempos, mas agora ela sabia que eles sempre estiveram certos. A loucura que carregavam era apenas o preço cobrado pela sabedoria.

“Abençoado são aqueles que não conseguem enxergar a verdade.” Sua mãe costumava lhe dizer. Ivy finalmente entendeu o que ela queria dizer com aquilo.

Autora: Bianca Tosta

História #2

Enquanto a chuva de pequenos, porém mortais, meteoros se aproximava Laura pegou seu filho no colo.

“Mãe… Por que cê tá chorando?”

“Não é nada, meu amor… Venha ver… Venha ver os fogos.”

Laura então levou a criança até a ala de observação e levantou os escudos protetores para que pudessem observar o mundo pela última vez.

“Olhe, Henri…”

O satélite foi o primeiro a ser atingido e explodir em chamas.

“Olhe os fogos…”

E com isso, Laura tirava a atenção da criança de seus olhos úmidos e dos alarmes da estação espacial… que anunciavam a nuvem de milhões de meteoritos que estava prestes a destruir a todos.

Autor: João Felipe Campista

História #3

Eles já não irão mais nos incomodar, Ash. Não há mais com o que se incomodar querido – Harlem disse em tom sombrio, seus rosto escondido entre as sombras enquanto embalava seu menino no colo.
O rapazinho se remexeu por um momento, como se pudesse sentir de alguma forma a situação. A mãe cuidadosamente o trocou para uma situação mais confortável e beijou sua testa.

– Eu sei, eu sei, eu também não queria, mas eles tinham que morrer… Ninguém nunca mais vai nos machucar! – a mulher fitava fixamente os destroços do que antes fora um satélite e dele, como pó, os corpos coroavam a mortalha de metal. Um sorrisinho perverso se formou no rosto da mãe. Sim, nunca mais ninguém os machucaria…

Autor: Pedro Paulo Ferreira

Obrigado a todos que enviaram suas histórias, adoramos todas. 

Sua história não apareceu dessa vez? Não desanime, continue criando boas histórias. Estaremos de olho em todas e voltaremos com mais publicações em breve.


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